Fintech brasileira NG.CASH recebe aporte histórico de US$ 10 milhões

“Vamos começar a oferecer investimentos na plataforma”, diz CEO, que mira entrar no mercado de criptomoedas

Naty Falla
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Divulgação

Fintech NG.CASH recebe aporte histórico de US$ 10 milhões

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Fundada em 2021, a NG.CASH, fintech voltada para ajudar a geração Z a se tornar independente financeiramente, acaba de receber um aporte histórico de US$ 10 milhões (R$ 51,6 milhões) em seed money — investimento destinado a startups em estágio inicial. 

O montante, segundo o CEO e fundador Mario Augusto, de 24 anos, será utilizado para aumentar o time de colaboradores, além de trazer novidades para a esteira de produtos disponíveis no aplicativo, que já conta com mais de 900 mil usuários. 

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“Vamos começar a oferecer investimentos na plataforma, com intuito de entregar para o nosso cliente cada vez mais opções. Além disso, também temos planos de entrar para o mercado de criptomoedas no futuro”, adianta Augusto à Forbes Brasil. 

A rodada foi liderada por Andreessen Horowitz (a16z) e monashees, e contou com a 17Sigma, do fundador do unicórnio argentino Ualá. Participaram também os fundadores de outros unicórnios como Brex, dos jovens bilionários Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, e Rappi. 

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“Esse grande investimento é reflexo do que fizemos até aqui. Começamos em fevereiro de 2021, com um pré-seed de US$ 400 mil e, com isso, conseguimos construir um produto que concorre com grandes nomes. Mesmo com essa alta competitividade no mercado, atingimos bons resultados com pouco dinheiro até então”, relembra o fundador.

O round também contou com investidores como o Spacecaps e Los Grandes, vinculadas a gigantes do universo dos eSports, e Bernardinho, campeão olímpico de vôlei e empreendedor.

Outro ponto crucial para ganhar a confiança de grandes nomes, segundo o CEO, foi investir os esforços em tráfego orgânico: “A gente optou por não pagar por marketing para construir uma base sólida. Acredito que todo esse processo gerou essa confiança para os investidores realizarem esse aporte. Eles sabem que vamos conseguir ir muito mais longe.”

Caio Bolognesi, general partner na monashees, comentou que a capacidade de execução da NG.CASH foi um dos motivos para o investimento: “A fintech possui uma visão única para construir produtos alinhados com as demandas e valores da geração Z, que já nasce digital e busca uma maneira de cuidar de suas finanças.”

CEO começou aos 14

Nascido em 1997, Mario Augusto está em seu terceiro empreendimento. Ele começou a trabalhar com 14 anos quando fundou, ao lado dos amigos Victor Trindade  e Gabriel Soares, o canal Neagle no YouTube, voltado para desafios e vlogs pessoais. Hoje, o perfil soma mais de 8 milhões de inscritos.

Com o Neagle, Augusto conta que conseguiu entender “as dores de geração Z”, que mais tarde se tornaria o público-alvo da NG.CASH: “Como eu não estava na frente das câmeras, virei empresário e comecei a cuidar dos negócios do canal. Deu tão certo que depois criamos uma agência de influenciadores digitais. Tudo isso me deu base para entender que precisava criar um negócio para esse público.”

Em 2018, Augusto decidiu cursar Engenharia da Computação na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), onde conheceu o professor Luis Felipe Carvalho — que também se tornou cofundador da NG.CASH. Após o encontro, os dois criaram a fintech Trampolim, adquirida pela Stone dois anos depois. 

“Toda essa trajetória de entender mais sobre a geração Z [com o canal no YouTube] e a aprender na prática a construção de contas digitais [com a Trampolim] fez com que a ideia de criar a NG.CASH nascesse. Sem esse processo, não estaríamos apresentando todo esse crescimento”, ressalta Augusto.

O crescimento acontece em meio a um cenário conturbado para as startups que, com os investimentos pressionados por conta da alta taxa de juros no país, se viram tendo que realizar demissões em massa, como aconteceu com Ebanx, Quinto Andar e Loft. 

O momento econômico fez com que a estratégia das empresas de tecnologia mudasse, o que vai de acordo com os planejamentos atuais da fintech. “Com tudo isso, as empresas perceberam que precisavam anular a ideia de que era preciso crescer a qualquer custo.”

“É necessário, no entanto, construir uma base sólida que se mantenha a longo prazo e nós já estamos prontos para um cenário mais conturbado, justamente para que mudanças drásticas como essa não ocorram em meio a nosso plano de crescimento”, comenta ele.

Sobre o futuro, Augusto diz que a curto prazo a meta é começar a crescer mais a base de clientes. “Já no longo prazo temos a ambição de expandir o nosso negócio, a fim de resolver a vida financeira da geração Z em toda a América Latina.”

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