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CEO do Itaú prioriza cultura centrada no cliente em cenário ultracompetitivo

Entre os melhores CEOs do país em lista da Forbes, Milton Maluhy Filho, compartilhas as estratégias do maior conglomerado financeiro do Hemisfério Sul

3 min
MARCUS STEIMEYER
MARCUS STEIMEYERMilton Maluhy, CEO do Itaú

Com lucro anual de R$ 30,8 bilhões em 2022 e uma carteira de crédito que ultrapassa R$ 1 trilhão, o Itaú Unibanco é o maior conglomerado financeiro do Hemisfério Sul, presente em mais de 20 países. Para Milton Maluhy Filho, à frente do banco desde fevereiro de 2021, a estratégia para se manter relevante em um cenário ultracompetitivo passa, necessariamente, por uma transformação cultural: “Quando assumi a cadeira de CEO, nosso maior desafio não era técnico, operacional ou tecnológico. Nosso maior desafio era e é cultural”.

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A partir dessa visão, ele implantou uma nova cultura corporativa na empresa e direcionou o foco para além dos resultados financeiros: mirou no NPS (Net Promoter Score), métrica que mensura a satisfação dos clientes. “Construir o banco que queremos vai muito além de digitalização de plataformas ou investimento em tecnologia. Tecnologia é possível adquirir ou desenvolver internamente, com maior ou menor investimento de recursos e tempo. Mas ela sozinha não entrega o que os clientes esperam”, diz. “Nosso segredo é nos mantermos conectados com os clientes para identificar necessidades e atendê-las rapidamente – ou mesmo nos anteciparmos a elas.”

Nos últimos três anos, a empresa avançou 20 pontos no NPS global, e tem hoje mais de 60% de suas áreas em níveis de excelência. “Esses resultados históricos são reflexo direto da transformação cultural apoiada em uma estratégia de centralidade no cliente e executada por uma equipe preocupada em entregar resultados operacionais hoje, mas ainda mais preocupada em como será o banco daqui a dez anos.”

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O olhar para o futuro passa também pela atenção à agenda de impacto positivo, que, segundo Maluhy Filho, deve ser ainda maior no caso dos bancos, que financiam a atividade produtiva de toda a economia. “Buscamos ser o banco da transição climática, o que significa reduzir nossas emissões, mas, sobretudo, engajar os clientes em suas jornadas de descarbonização.” O banco tem o compromisso de zerar as emissões até 2050.

A perspectiva holística que Maluhy Filho tem do negócio se deve muito à trajetória diversificada que percorreu em mais de duas décadas no banco. “Alguns desafios incluíram renunciar ao contato mais próximo com amigos e familiares e lidar com outra língua, costumes e rotina”, diz ele, para quem a família sempre foi a base para assumir novos desafios. “No dia em que recebi o convite para ser CEO do banco, a primeira coisa que fiz foi agradecer à minha esposa e aos meus filhos.”

Para a nova geração de líderes, aconselha: “Mantenham-se sempre permeáveis para a mudança. Eu nunca me considerei ‘pronto’ para cada novo desafio que assumi, mas sempre saí fortalecido de cada degrau da jornada. Nenhum profissional, nem mesmo o CEO, nasce pronto”.

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