Exclusivo: Fintech de consórcios Mycon ajusta operação para responder ao coronavírus

Empresa vai interromper obrigatoriedade de pagamentos por três meses para clientes afetados pela quarentena.

Forbes Insider, por Angelica Mari
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Marcio (CEO) e Marcelo Kogut, cofundadores da Mycon

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A fintech de consórcios Mycon reestruturou sua operação para responder às imperativas do coronavírus, que está afetando principalmente os milhares de brasileiros que operam na informalidade e autônomos.

Profissionais como diaristas e montadores de móveis estão sendo severamente impactados pela pandemia. Segundo estudo da startup de contratação de serviços GetNinjas, pedidos por serviços na plataforma caíram 23,8%, com reflexo em praticamente todos os tipos de segmentos de serviços oferecidos. Os mais afetados foram os profissionais de eventos, saúde, além de moda e beleza.

A Mycon não divulga o total de clientes, mas diz que autônomos e profissionais liberais representam quase 60% da base. Para os clientes que dependem do comércio e comprovarem que estão sendo afetados pela quarentena, a fintech se propõe a renegociar eventuais atrasos e postergar a quitação das parcelas.

Com valor médio de R$ 1.200 para imóveis e R$ 400 para automóveis, as parcelas serão jogadas para o final do plano de consórcio. A Coimex Consórcios, que opera a plataforma Mycon, diz ter entregue mais de 125.000 bens, incluindo carros e moradias, para os contemplados de seus planos de consórcio em seus 44 anos de existência.

“Entendemos o momento que o Brasil vive, e queremos colaborar com os nossos clientes da melhor forma. Estamos estudando caso a caso para ver a melhor forma de ajudá-los”, explica Marcio Kogut, CEO da Mycon. Segundo Kogut, se a crise ainda não estiver superada nos próximos três meses, novas medidas serão tomadas para preservar a capacidade de pagamento dos clientes.

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“É um momento muito complicado para todo mundo, e estamos atentos a todas as notícias para podermos colaborar com a sociedade da melhor forma. Isto faz parte do DNA da Mycon”, diz Kogut. A empresa não considera a total suspensão dos pagamentos.

“Não isentamos [os pagamentos], até porque cada parcela paga representa um aumento do investimento realizado por esse cliente”, explica Kogut. “Nosso objetivo é ajudá-los postergando pagamentos caso necessário, sem que eles percam a oportunidade de serem contemplados para receberem o crédito e assim adquirirem, por exemplo, a sua casa própria, deixando de pagar aluguel, que impacta bastante no orçamento doméstico.”

Outra vantagem das iniciativas da empresa descrita por Kogut é sobre o acesso a crédito para que pessoas possam comprar um automóvel e assim gerar renda como motoristas de aplicativos, por exemplo. “Em um cenário de demissões e desemprego o consórcio acaba ajudando a economia desta forma”, ressalta.

Questionado sobre a sustentabilidade do adiamento de pagamentos para a fintech, Kogut aponta que a Mycon está “preparada para manter a saúde financeira da operação, mesmo postergando alguns pagamentos caso necessário, sem que isso cause algum prejuízo para os clientes”.

Durante o período de Carnaval, a Mycon fez comerciais satirizando bancos e instituições tradicionais para ironizar as altas taxas cobradas em consórcios – a empresa tem uma taxa de 0,05% ao mês.

A fintech, que não usa vendedores humanos, também treinou seu assistente virtual, que normalmente funciona como um consultor de consórcios, para esclarecer dúvidas sobre o novo coronavírus e como prevenir a contaminação, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde, usando inteligência artificial.

No início do atendimento, o chatbot informa que está preparado para prestar informações sobre a pandemia. Segundo Kogut, já houve mais de 3 mil interações dos clientes da Mycon sobre o coronavírus em cinco dias.

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Stone anuncia campanha de estímulo a pequenos negócios

Para suavizar o impacto aos negócios de pequenos empreendedores durante a quarentena para combate ao coronavírus, a Stone lançou a campanha “Compre local, cuide de um pequeno negócio”. Com investimento de R$ 30 milhões, a campanha inclui ações destinadas a estimular os comerciantes que usam os produtos da Stone, como isenção de mensalidade para todas as máquinas; redução nas taxas; entrega de máquinas adicionais sem custo para operação de delivery e ferramentas para vender online.

Além disso, a empresa vai oferecer R$ 100 milhões em microcrédito para o segmento de varejo em estados onde forem determinadas medidas de contenção à pandemia. A fintech espera que a iniciativa, que vigora entre março e maio, beneficie principalmente empreendedores do setor de varejo e alimentos.

André Street (foto), fundador da Stone, foi um dos empreendedores que se reuniram via Zoom dias atrás para discutir formas de atuar na crise. A reunião incluiu Guilherme Benchimol, da XP Investimentos, Rubens Menin, da MRV, e Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal. O webinar atraiu mais de 10.000 pessoas.

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Em meio à pandemia, lei de proteção de dados fará falta

Especialistas argumentem que uma autoridade que direcione o uso de dados pessoais fará muita falta durante o enfrentamento da crise do coronavírus. Segundo o advogado Fabrício da Mota Alves, representante do Senado no futuro Conselho Nacional de Proteção de Dados, o debate sobre os limites entre o público e o privado, bem como o interesse individual e o coletivo veio à tona como efeito colateral da Covid-19, em áreas como notícias sobre serviços digitais governamentais que, segundo Alves, processam mais dados do que os aparentemente necessários, além de privacidade dos infectados e segurança cibernética de teletrabalho. “Tenho a impressão de que muita coisa ainda vai acontecer, no campo da privacidade mesmo, até o desfecho dessa crise”, ressalta Alves, em um post no LinkedIn.

“O governo federal, acredito, pode vir a ser profundamente cobrado pela inação na implementação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Isso porque está cada vez mais claro que uma crise de saúde pública também é uma crise de dados pessoais”, disse o advogado. “Possivelmente, todas as próximas crises assim serão.”

Já havia um lobby para o adiamento da LGPD, e uma PL que propunha que a lei só entrasse em vigor em agosto de 2022, de autoria do deputado Carlos Bezerra (MDB-MT). O argumento é que esse tempo extra permitiria que a ANPD fosse criada, assim como uma campanha nacional, que informaria a população sobre a importância das novas regras.

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MAIS:

– A Zen, startup de Santos (SP) que oferece aplicativos de meditação, mindfulness e insônia, ofereceu todos os seus conteúdos desbloqueados sem custo para profissionais da área da saúde;

– O governo federal lançou a plataforma digital Todos por Todos no portal de serviços Gov.br para estimular a solidariedade no Brasil, com ofertas de serviços à população e propostas de doações aos governos, para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus;

Lindalia Junqueira, fundadora do Hacking.Rio, ao lado de outras lideranças da área de inovação, criou o SOS Covid-19, iniciativa que tem como objetivo reunir soluções já existentes de todo mundo relacionadas a diversos aspectos da pandemia do novo coronavírus. A intenção é encontrar iniciativas da área médica, telemedicina, educação, logística e até varejo de alimentos. Podem participar startups, pesquisadores, desenvolvedores, programadores, professores universitários, empresas e instituições públicas e privadas, por meio de inscrições que vão até hoje (23) às 23h59.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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