FORBES Insider: Nubank, Loft, Movimento Black Money, InEvent

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O empreendedor colombiano relatou à FORBES sobre como tem liderado o banco digital durante a crise ocasionada pelo novo coronavírus

“A crise da Covid-19 pegou todos de surpresa. Pouquíssimos poderiam ter previsto – e admito que foi somente após uma reunião do conselho com nossos investidores dos EUA e da China no começo de março que tomei consciência do que essa crise poderia significar para todos.

Em um período de 12 horas, devorei o máximo de notícias, blogs, tópicos do Twitter e revistas científicas possível – e tive muitas conversas com especialistas também. Ficou claro para mim que o desafio que estávamos prestes a encontrar pela frente seria diferente de qualquer crise que nós (e o mundo!) já vimos, com consequências de curto e longo prazo para nossos negócios, clientes, famílias e toda a sociedade.

Adaptabilidade é um dos super poderes que temos no Nubank desde o primeiro dia de empresa. Em 2013, decidimos começar em um ambiente muito hostil em termos econômicos e, sobretudo, cheio de desafios regulatórios. Além disso, estamos acostumados a desafiar o status quo: nascemos pra isso. Isso significa que os times do Nubank abraçam os desafios que se apresentam e reagem com velocidade. E não seria exagero dizer que até prosperamos em tempos difíceis.

Quando entendi a extensão da crise, tivemos que mais uma vez nos adaptar rapidamente. Tomamos uma ação decisiva e que se revelou mais tarde muito acertada: enviamos 100% dos Nubankers para trabalhar em casa. Isso pode ter sido decisivo para salvar vidas não somente e nossos funcionários, mas de suas famílias, amigos e comunidade.

Nossa equipe abraçou o desafio e, 24 horas depois, o Nubank inteiro estava trabalhando remotamente, tornando-se uma das primeiras empresas no Brasil a fazê-lo – e conseguimos isso mesmo sem termos uma infraestrutura previamente montada para trabalho remoto em escala, e sem nunca termos testado uma operação à distância com todos os times.

Na semana seguinte, nosso foco se voltou inteiramente para nossos clientes. Com mais de 23 milhões de consumidores usando nossos produtos no Brasil e no México, o Nubank é hoje a sexta maior instituição financeira do Brasil e uma das maiores da América Latina.

Estava evidente para nós que milhões de nossos usuários estavam prestes a entrar nas piores semanas ou meses de suas vidas. Não apenas a saúde desses clientes seria posta em risco, mas também seu sustento.

Trabalhando em conjunto com uma equipe multidisciplinar de crise que incluiu líderes das áreas de crédito, finanças, risco, operações, marketing e comunicação, pudemos desenvolver uma série de planos financeiros para os clientes mais afetados, começando com ofertas para refinanciar contas de cartão de crédito ativas em até 12 vezes com taxas a partir de 1,75% ao mês, e com até 30 dias para pagar a primeira parcela.

Mas queríamos ir além da possibilidade do refinanciamento: sempre nos vimos como uma empresa de tecnologia focada no consumidor, muito mais do que “um banco”. Nosso valor número um é construir relacionamentos com nossos clientes baseados em confiança e empatia.

Foi então que anunciamos a criação do nosso fundo de apoio “Pessoas Primeiro”: R$ 20 milhões capazes de ajudar nossos clientes a enfrentar outros desafios tão ou mais difíceis e urgentes que o refinanciamento. Em parceria com o hospital Sírio-Libanês, o iFood, entre outros parceiros, passamos a enviar alimentos para famílias que não tinham condição de almoçar e jantar, oferecemos sessões de apoio psicológico para outros, entregamos leite e fraldas para pais e mães sem condições de assegurar isso aos filhos…

Muitos clientes também nos pediram perdão total de suas dívidas ou atraso nos pagamentos por tempo indeterminado: adoraríamos poder atender a todos desta forma, mas essa seria uma decisão inconsequente e pouco sustentável para o Nubank a longo prazo.

No Nubank, temos a certeza de que estamos fazendo nosso melhor. Não vamos parar: seguimos explorando novas formas de ajudar clientes, funcionários e a sociedade como um todo. Os valores de uma empresa são colocados à prova em momentos de crise. O modo como as empresas se comportam agora não será esquecido tão rapidamente. Tanto funcionários como clientes, e também a sociedade em geral, todos vão se lembrar do que as marcas fizeram nesses tempos difíceis. E acredito que não haverá investimento em marketing capaz de alterar percepções.

A boa notícia é que a crise está me permitindo ver um Nubank diferente. Operamos bem em “tempos de paz”, mas são nos “tempos de guerra” que somos colocados à prova. O nível de comprometimento, disciplina e engajamento que tenho visto entre os funcionários, mesmo estando todos distantes, muitos inclusive em diferentes continentes, me deixa incrivelmente orgulhoso da empresa que estamos construindo.

Estamos melhorando significativamente nossas habilidades de execução dia após dia: tivemos que dominar várias habilidades – como comunicação, colaboração e coordenação à distância – auxiliadas significativamente por conjuntos de métricas e relatórios recém-criados os quais nos permitem sentir o pulso da empresa em tempo real.

Ninguém sabe como esta crise se desenvolverá de fato, e se estamos falando de meses ou anos. Mas tenho certeza de uma coisa: estou confiante de que já somos uma empresa melhor por causa disso.”

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Loft explica demissões feitas em março

Na última sexta-feira (3), a convite desta coluna, Florian Hagenbuch, fundador e co-CEO da Loft, escreveu como ele e a empresa estavam atravessando a crise originada pelo novo coronavírus, em primeira pessoa, a exemplo do que já havia feito na semana anterior Marcelo Abritta, da Buser, e do que fez hoje (9) David Vélez, do Nubank. Em nenhum momento, o executivo mencionou demissões ou reestruturações feitas ou a necessidade de fazê-las.

Na terça-feira (6), no entanto, nos chegou a informação de que, em 27 de março, portanto dias antes da publicação da coluna, 47 funcionários haviam sido desligados da empresa. Ao ser questionada, a proptech disse, em comunicado:

“Durante o mês de março e início de abril, a Loft realizou uma reorganização do seu quadro funcional. Para atender ao crescimento da empresa, 127 novos funcionários foram contratados entre a segunda quinzena de março e a primeira semana de abril nas áreas de tecnologia, produto, marketing e RH, entre outras. Ao mesmo tempo, 47 posições foram extintas nas áreas de engenharia e arquitetura da Loft e da Decorati, por conta da fusão das duas empresas, ocorrida em novembro passado. Portanto, o resultado desta reorganização é um aumento de 80 posições no nosso quadro funcional, que agora supera o número geral de 500 funcionários”.

E continua: “Quanto aos efeitos da Covid-19 sobre o negócio, a Loft reafirma o compromisso do seu founder e co-CEO, Florian Hagenbuch, assumido nesta semana em carta aberta. A empresa se compromete a manter seu quadro de funcionários nos próximos dois meses sem cortes decorrentes da redução de atividade econômica ocasionada pela Covid-19″.

CONTEXTO

Com a aquisição da startup de reformas Decorati em novembro do ano passado, funções foram duplicadas e a Loft anunciou a fusão das duas empresas, que até então estavam operando de forma independente, na primeira semana de março. Como unidade de negócios, a Decorati agora lidera todas as etapas do business de reformas da Loft.

Segundo um ex-funcionário da empresa, que não quis se identificar, os possíveis afetados começaram a se movimentar para encontrar vagas na própria empresa depois do anúncio da fusão, e a proptech parecia disposta a realocar os colaboradores internamente.

Porém, entre 12 e 13 de março, a empresa entrou em regime de home office, novas contratações foram congeladas e o timing para as recolocações já tinha sido perdido, segundo o funcionário demitido: “Antes do corona, houve ajuda, mas deixamos de ter retorno das lideranças e do RH depois que o home office começou”, disse.

Em comunicado aos colaboradores enviado em 27 de março, ao qual a FORBES teve acesso, o cofundador da Loft, Marcus Grigoletto, fala que a liderança passou semanas “mapeando competências, entendendo necessidades e criando matrizes de pessoas para garantir as pessoas certas nos lugares certos” antes de anunciar as demissões. O empreendedor então menciona a crise provocada pela Covid-19 como outro fator que influenciou a decisão:

“Conectado a isso, estamos vivendo uma pandemia, que não temos certeza de quais são os impactos, em especial econômicos, e foi necessário antecipar estes movimentos, que aconteceriam nos próximos meses [sic]”. Grigoletto conclui a comunicação com uma lista dos nomes dos funcionários desligados, agradece a todos e diz que o plano de saúde dos ex-funcionários teria a cobertura prolongada por três meses e uma consultoria contratada pela Loft ajudaria essas pessoas a conseguirem novos empregos.

O ex-colaborador afirma não estar ressentido com a empresa, mas esperava uma atitude diferente da liderança: “O que deixou os ex-funcionários incomodados foi o fato de o texto ignorar estas demissões, pois elas aconteceram dias antes da publicação da carta aberta”.

De acordo com a assessoria de imprensa da Loft, as demissões não foram citadas no artigo publicado na FORBES uma vez que não tinham relação direta com a crise.

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Luciana Prezia/FORBES

Movimento Black Money lança fundo para apoiar empreendedores negros

O Movimento Black Money, liderado por Nina Silva (foto), eleita uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela FORBES em 2019, lançou uma campanha para um fundo que busca auxiliar famílias lideradas por mulheres negras e microempreendimentos de afroempreendedores.

Segundo Alan Soares, cofundador do MBM, o objetivo é oferecer uma renda básica para dezenas de famílias nos próximos meses, que deve apoiar a sobrevivência de pessoas menos favorecidas e dar fôlego para pequenos negócios. “Qualquer pessoa pode fazer a diferença hoje para ajudar a manutenção de famílias que estão sem saída neste momento difícil para todos”, ressalta.

Mais informações sobre a campanha podem ser encontradas neste link.

LEIA MAIS: Movimento Black Money anuncia marketplace específico para empreendedores negros

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Servidores públicos sofrem com falta de estrutura para home office

A maioria dos órgãos públicos brasileiros não têm a infraestrutura necessária para o trabalho remoto. É o que conclui uma pesquisa da startup WeGov e da empresa de desenvolvimento de software Softplan. Segundo o levantamento, a maior parte dos órgãos do setor público está trabalhando remotamente, mas menos de um quarto dos entrevistados (22%) diz ter a infraestrutura necessária para a execução do home office.

Problemas relatados incluem falta de acesso remoto a suas máquinas ou servidores (9,4%), dificuldades de acesso à internet (3,1%), falta de recursos tecnológicos (2,4%), de ferramentas adequadas (4,3%) e de suporte apropriado (1,6%). Metade dos entrevistados informou que o home office nunca havia sido usado pela instituição. O levantamento foi realizado com 373 servidores públicos operando em território nacional entre os dias 19 e 23 de março.

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Reprodução

Empresa brasileira se posiciona como alternativa segura para eventos virtuais

Como resposta à avalanche de eventos presenciais cancelados por conta da pandemia do coronavírus e a controvérsia em torno de plataformas de videoconferência como a Zoom, a brasileira InEvent está disponibilizando sua plataforma Lobby Virtual gratuitamente para que organizações façam seus eventos online.

Embraer, Facebook, Amazon e o governo da França estão entre os usuários do sistema, que permite que até 100 mil pessoas estejam conectadas de forma simultânea e conta com um processo de autenticação que impede que intrusos invadam reuniões em salas privativas. Segundo a empresa, o tratamento de informações na plataforma está em conformidade com as políticas de proteção de dados dos Estados Unidos e Europa.

Além de uma segurança mais robusta, a empresa brasileira disponibiliza um recurso de “teia de contatos”, onde é possível medir a quantidade de contatos trocados em um evento, além da possibilidade de fazer diversas palestras e painéis ao mesmo tempo dentro da mesma conferência virtual.

Para apoiar organizações de 37 países listados pelo governo norte-americano como as nações mais afetadas pela pandemia, a empresa oferece a plataforma sem custo por um mês. Em 10 dias, a InEvent diz ter recebido mais de 100 pedidos de empresas privadas e órgãos estatais de oito países que solicitaram o uso gratuito da ferramenta. Com sede em São Paulo, a empresa tem escritórios na Flórida e Califórnia e atendeu cerca de 3 milhões de pessoas com suas ofertas de eventos digitais em 2019.

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Getty Images

MAIS

– O Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), criou um balcão virtual para ajudar os empreendedores da área do parque de inovação tecnológica recifense a buscarem todas alternativas para o enfrentamento à crise do novo coronavírus. Empresas embarcadas do pólo, bem como as de serviços como restaurantes e bares, poderão buscar possíveis soluções, como auxílio na folha e adiamento de impostos. No dia 13 de abril, às 15h, o projeto começa com uma transmissão ao vivo. O escritório de advocacia Da Fonte e de assessoria contábil BWA participam voluntariamente do projeto, que é promovido pelo NGPD em parceria com as associações Softex, Assespro, Seprope e a comunidade de startups Manguezal;

– O marketplace OLX removeu 16 mil publicações que apresentavam valores abusivos de itens como álcool em gel e máscaras utilizados na prevenção da Covid-19 entre 19 e 29 de março. Por outro lado, a empresa também notou o crescimento de anúncios que seguem tabelas de preços oficiais de mercado destes produtos, com o acréscimo de 40 mil anúncios no período mencionado;

– Os ataques phishing contra dispositivos móveis mais que dobraram no último mês no Brasil segundo um levantamento da Kaspersky. De fevereiro a março, a empresa de cibersegurança detectou aumento de 124% neste tipo de golpe – e este crescimento está diretamente ligado às inúmeras mensagens maliciosas que circulam pelo WhatsApp se aproveitando da pandemia. Entre as principais formas utilizadas para ganhar dinheiro, essas mensagens fazem a vítima baixar apps legítimos (sendo remunerado via programas de afiliação) ou roubam os dados pessoais da vítima para usá-los em outros ataques. Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky no Brasil, diz que a adoção repentina do trabalho remoto nas últimas semanas aumentou a ação dos cibercriminosos.

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