André Florence, da Alice, sobre nova rodada e tendências: "tecnologia vai reduzir custos de saúde e beneficiar a sociedade"

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O cofundador e CEO da startup: alternativa aos planos de saúde tradicionais

Depois de sete meses de seu lançamento e um aporte Series A, a startup do setor de saúde Alice anunciou mais um investimento para quintuplicar sua base de clientes e investir em iniciativas para incrementar sua proposta de saúde focada em pessoas.

O aporte de US$ 33,3 milhões anunciado hoje (11) é descrito como a maior rodada Series B em uma healthtech no Brasil. O investimento foi liderado pela ThornTree Capital Partners e conta com a Kaszek Ventures, Canary e Maya Capital, investidores das rodadas seed e Series A, fechadas ao longo de um pouco mais de um ano. A rodada mais recente também teve a participação de novos apoiadores, como Endeavor Catalyst. Até o momento, US$ 47,8 milhões foram investidos na companhia.

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A Alice é uma gestora de saúde que propõe uma alternativa ao convênio médico tradicional. Com uma base atual de cerca de 1.100 clientes e um crescimento médio desde seu lançamento de 51% ao mês, a startup oferece atendimento via telemedicina e uma rede de parceiros que inclui os hospitais paulistanos Oswaldo Cruz, Sabará e a ProMatre Maternidade, além dos laboratórios Fleury e A+, além de médicos parceiros.

Para além de situações de doença, a empresa tem uma proposta de cuidado contínuo e baseado em dados e métricas – o registro do histórico de saúde dos clientes, que a healthtech chama de “membros”, fica registrado no aplicativo. O acompanhamento da rotina e objetivos de saúde dos clientes é feito por uma equipe de especialistas como médicos, enfermeiros e nutricionistas através do app, via texto, áudio ou videochamada, que direcionam para o atendimento presencial quando necessário.

Segundo André Florence, CEO da Alice, o novo aporte é testamento da confiança do mercado na capacidade de execução da empresa, e nos resultados obtidos até agora: “Com essa rodada, temos por objetivo continuar expandir nossa operação, solidificar nossa posição como gestora de saúde individual pioneira, fortalecer nosso time, além de ampliar nossa oferta de produtos”, disse o fundador, em entrevista à esta coluna. “Mas, tudo isso sem mudar o principal: nossa missão de tornar o mundo mais saudável.”

Apesar de 55% dos membros da empresa serem mulheres de cerca de 29 anos de idade, Florence quer oferecer seus serviços para “todos os tipos de gênero, raça e etnia”. O CEO ressalta que o nome da startup reforça a crença da organização no foco em pessoas, ao invés da relação tradicional entre provedores de serviços de saúde e pacientes, que muitas vezes não têm poder de escolha.

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“Somos uma empresa com nome de gente feita para gente. Escolhemos o nome ‘Alice’ por ser o nome de uma pessoa e assim lembramos todos os dias que o nosso propósito é trabalhar para impactar de verdade a vida das pessoas”, diz Florence, referindo-se à inovações na experiência do cliente, que incluem um processo de contratação de serviços que acontece em cerca de dez minutos, com pagamento através de QR Code pelo Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em novembro de 2020.

OBJETIVOS

Para os próximos meses, áreas de foco para a Alice incluem a formação de parcerias. Segundo Florence, os quatro pilares de atuação em saúde da empresa são alimentação, atividade física, sono e saúde mental. Estas são áreas de atuação em que outras startups, como a empresa de benefícios corporativos Gympass, também t~em focado, sem oferecer serviços médicos. A Alice também tem planos de entrar no segmento corporativo, mas não imediatamente.

Segundo o CEO da Alice, o escopo de possíveis alianças vai além de hospitais e laboratórios – hoje a healthtech tem uma parceria com o app de atividade física Freeletics. “Eu diria que queremos ter mais [parcerias como esta]: estamos abertos a quaisquer parcerias que estejam dispostas a tornar a vida das pessoas mais saudáveis”, ressalta.

Sobre a atuação da empresa, que ainda é concentrada em São Paulo com atendimento emergencial em território nacional, o CEO diz que ainda não há previsão de oferta em outras cidades. “Essa é uma pergunta que aparece bastante, principalmente de pessoas que moram em outras cidades”, pondera o cofundador. “Pretendemos em algum momento expandir nossos horizontes para além de São Paulo, embora esta não seja uma meta a curto prazo.”

Além disso, a empresa fundada por Florence, Guilherme Azevedo e Matheus Moraes também pretende aumentar sua equipe, que atualmente conta com 130 pessoas, incluindo 40 profissionais de tecnologia e 30 especialistas da área de saúde, chefiadas por um diretor médico, Mário Ferretti, que também é presidente do Alice Medical Founding Team, conselho formado por médicas e médicos sócios da healthtech.

PRIVACY BY DESIGN

Em um cenário em que vazamentos de dados ocorrem no Brasil com maior freqüência e gravidade, o fundador da Alice diz que a privacidade é um aspecto crucial do modelo de negócio desde a sua gênese: “Nascemos com a consciência de que lidamos com informações extremamente sensíveis e entendemos o tamanho da responsabilidade que temos de protegê-las”, aponta Florence.

Ressaltando diferenças entre a Alice e operadoras tradicionais do setor, o CEO diz que a startup emprega “o que há de mais moderno e recomendado” no espaço de tecnologia em segurança, com o intuito de proteger as informações confidenciais de saúde de seus clientes.

“[Temos] a mentalidade de ser uma empresa que emprega privacy by design [abordagem em que produtos digitais nascem sob diretrizes que priorizam a proteção à privacidade], onde tudo o que armazenado ou possivelmente compartilhado, passa pela transparência e anuência dos nossos usuários, prática consolidada na nossa recém-lançada Lei Geral de Proteção de Dados e outras diretrizes previstas para informações médicas”, pontua.

A abordagem de acompanhamento de saúde contínuo e focada nas necessidades do indivíduo tem ganhado força em países como o Reino Unido, em que o serviço público de saúde quer que pessoas desenvolvam o conhecimento e confiança para tomar suas próprias decisões quanto à gestão de sua própria saúde, através de canais digitais e acompanhamento de seu histórico médico.

Sobre possíveis limitações da provisão remota de serviços, Florence argumenta que a saúde digital é “absolutamente complementar” ao atendimento humano. “A tecnologia existe para potencializar a capacidade dos profissionais de saúde para atender com mais eficiência e eficácia, sem retirar a relação humana. As oportunidades no Brasil são enormes”, ressalta.

O fundador ressalta, ainda, que a ferramenta Alice Agora, que cumpre a função de atendimento digital, feito pela equipe de médicos e enfermeiros da empresa, consegue lidar – e resolver – quase 90% das demandas de saúde de clientes.

“Não são bots [no atendimento], e sim profissionais de saúde muito qualificados, potencializados pelo uso de tecnologia”, aponta o fundador. “Certamente a saúde digital reduzirá custos na saúde do Brasil – e isso será muito benéfico para a sociedade com um todo.”

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O QUE MAIS ME CHAMOU A ATENÇÃO NESTA SEMANA

YOUTUBERS MIRINS

Em decisão inédita no Brasil, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a fabricante de brinquedos Mattel por publicidade infantil em canais de youtubers mirins. A empresa foi condenada a se abster de utilizar crianças em publicidade infantil em canais no YouTube. O argumento é que o público infantil espectador não consegue diferenciar o conteúdo publicitário do conteúdo de entretenimento na plataforma.

A sentença, que saiu no fim de 2020 é relacionada à campanha voltada a crianças “Você YouTuber Escola Monster High”, que foi denunciada ao Ministério Público pela organização da sociedade civil Instituto Alana em 2017. Em 2019, o MP propôs Ação Civil Pública contra a empresa por publicidade infantil velada no YouTube. A conclusão do caso saiu no final de 2020 e também resultou na condenação da Mattel a pagar danos morais coletivos, fixado em R$ 200 mil. Procurada por esta coluna, a Mattel não quis se posicionar.

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O debate sobre os direitos da criança online, assunto que também abordamos aqui na semana passada, ganha força na pandemia da Covid-19. Um destes desdobramentos é o abuso de menores de idade na rede: a Internet Watch Foundation, organização não-governamental que busca e remove material com abuso infantil online, diz que houve um aumento de 50% em denúncias deste tipo de ocorrência ao longo de 2020, com um aumento de 77% no número de material gerado pelas próprias crianças, que são pressionadas a compartilharem imagens e vídeos por abusadores.

PRIVACIDADE DE DADOS

Hoje participei de salas muito interessantes no Clubhouse que destrincharam vários aspectos sobre a privacidade de dados. O contexto eram os megavazamentos que se tornaram públicos recentemente, e a investigação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que hoje (11) informou que convocou a Polícia Federal e oficiou todos os envolvidos no vazamento de mais de 102 milhões de contas de celular denunciado pela empresa de cibersegurança PSafe.

LEIA MAIS: Novo vazamento expõe 100 milhões de contas de celular de brasileiros

Entre os vários temas discutidos, algo que ficou muito evidente nos debates – principalmente um que foi puxado pelo Forbes Under 30 Marco Gomes – é que uma intensa campanha de educação sobre privacidade de dados se faz essencial, tanto para auxiliar o cidadão de forma acessível sobre como descobrir se seus dados foram utilizados de forma indevida, quanto para ajudar pessoas a exigirem que organizações sejam responsabilizadas e consigam acompanhar este complexo debate.

A ANPD anunciou que entre suas prioridades estratégicas está a criação de campanhas e relatórios para apoiar este processo de educação, mas o problema é urgente – e soluções incisivas por parte das autoridades se fazem necessárias. A educação sobre o tema é necessária para que cidadãos desenvolvam um senso de responsabilidade pessoal pelo que acontece com seus dados. No Registrato, do Banco Central, é possível descobrir se contas, empréstimos ou operações financeiras foram indevidamente feitas com seus dados, e no portal do Serpro, é possível saber mais sobre seus direitos quanto à Lei Geral de Proteção de Dados, em vigor no Brasil desde setembro de 2020.

SERVIDOR ESPACIAL

Hoje (11) pela manhã foi lançado o segundo Spaceborne Computer, da Hewlett Packard Enterprise (HPE), que estará disponível para uso na Estação Espacial Internacional, da NASA. O lançamento é a sequência de um projeto que começou com uma prova de conceito encomendada pela agência, em que a tecnologia da HPE permite que os astronautas eliminem a latência associada ao envio de dados da e para a Terra. Com isso, é possível realizar pesquisas e obter insights através da análise em tempo real de imagens de satélite com inteligência artificial.

A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) é um laboratório espacial que viaja a uma velocidade média de 27.700 km/h, completando 15,70 órbitas por dia. Ela pode ser vista da Terra a olho nu, e você pode acompanhar a próxima vez que ela sobrevoará a sua região aqui.

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação e comentarista com duas décadas de atuação em redações nacionais e internacionais. Colabora para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC e outros. Escreve para a Forbes Tech às quintas-feiras

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