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Especial Mulheres na Tecnologia: 7 empreendedoras que quebraram as barreiras de gênero no sistema financeiro

Apenas 8,2% de todas as mulheres que criaram startups no ecossistema brasileiro optaram por fintechs

4 min

DivulgaçãoSer mulher no ecossistema de inovação é ser constantemente estereotipada. A opinião é de Ana Paula Pisaneschi, fundadora da fintech de renegociação de dívidas Uffa. “Esses estereótipos qualitativos ou negativos levam a sociedade a acreditar que somos menos confiáveis, mais frágeis, menos profissionais e, até mesmo, menos inovadoras. Como resultado, clientes, fornecedores, parceiros e investidores em potencial às vezes nos veem com ceticismo e nos associam a mais fatores de risco do que de oportunidade”, diz a empreendedora.

As dificuldades enfrentadas pelas mulheres se traduzem em números. Segundo o “Female Founders Report 2021”, estudo elaborado pela empresa de inovação aberta Distrito em parceria com a Endeavor, rede global de empreendedorismo, e com a B2Mamy, empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema inovador, divulgado no início de março, apenas 4,7% das startups são fundadas apenas por mulheres. Nesse contingente, as fintechs aparecem em terceiro lugar entre as categorias preferidas por elas, com 8,2%, perdendo para saúde e biotecnologia (15,2%) e educação (12,7%).

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Para Andrezza Rodrigues, idealizadora da HerMoney, plataforma de gestão financeira para o público feminino criada em Fortaleza (CE), o fato de ser mulher é uma barreira adicional, já que o ecossistema é majoritariamente masculino e, culturalmente, existe um descrédito com os negócios de lideranças femininas. “O paradoxo é que produtos nessa área têm o potencial de gerar mais oportunidades de desenvolvimento para as pessoas. Em um país extremamente rígido e desigual economicamente, como é o Brasil, elas podem ser um meio poderosíssimo de criar uma sociedade mais equilibrada.” 

 Andrezza revela que, no seu caso, em que a solução desenvolvida tem como público-alvo as mulheres, os questionamentos foram ainda maiores.  “Desde que a empresa surgiu, essa é a principal indagação que me fazem e, acredite, não são apenas os homens. As mulheres são justamente o meu foco, pois vivemos em um país que ainda tem uma enorme desigualdade de gêneros, onde milhares de negócios criados por elas deixaram de existir nos últimos anos. São milhares de sonhos desfeitos”, diz a executiva, contando que passou por muitas situações em que foi colocada em desvantagem pelo simples fato de ser mulher. “Agora quero focar todo o meu tempo e energia para fazer mais empreendedoras se sentirem seguras para viver seu protagonismo financeiro e dar o próximo passo.”

Apesar da incontestável desigualdade, evidenciada inclusive pela dificuldade de investimentos – segundo o levantamento da Distrito, em 2020 apenas 2,2% de tudo que foi aportado nas startups brasileiras foram destinados a empresas fundadas por mulheres –, elas têm uma importante referência. Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, é um dos nomes mais expressivos do ecossistema brasileiro de inovação. O banco digital criado por ela em 2013, em parceria com David Veléz e Edward Wible, recebeu aportes sucessivos – o último, em 2018, o elevou à categoria de unicórnio – e contribuiu para mudar a maneira como os brasileiros lidam com suas instituições financeiras. Cristina não só participou da fundação do Nubank, como atua na linha de frente. Viveu suas duas gravidezes ao mesmo tempo em que fazia a empresa crescer. Depois da segunda, reassumiu suas funções em plena pandemia. E nada disso fez com que perdesse o foco.

Eleita uma das mulheres poderosas da Forbes em 2019 – quando posou gravidíssima para a capa da revista, três dias antes de dar à luz sua filha Bella –, Cristina revelou ignorar os obstáculos. “Eu consegui gerar um impacto bastante positivo por causa do meu inconformismo e da minha vontade de encontrar soluções, sem me importar com o grau de dificuldade da situação”, afirmou, na época.

Certamente este é um bom conselho para todas aquelas que pretendem ingressar ou desbravar o mercado brasileiro de fintechs. Na terceira edição da série especial Mulheres na Tecnologia, o ForbesTech conversou com sete fundadoras de empresas de base tecnológica voltadas para o setor financeiro sobre suas trajetórias e dificuldades. Veja, na galeria de fotos a seguir, quem são elas:

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