EXCLUSIVO: Conta Black se reposiciona e passa a atuar como um hub de serviços financeiros

Educação, telemedicina, microcrédito, integração de deliverys e marketplaces estão entre as novidades.

Gabriela Del Carmen
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Divulgação/Podcast do Zero ao Topo
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Fundada por Fernanda Ribeiro e Sergio All, a fintech Conta Black passa a atuar como um hub de serviços financeiros e de consumo

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Criada com a missão de desburocratizar o acesso aos serviços bancários, a startup Conta Black se prepara para uma nova etapa nos negócios. Em 2021, a fintech passa a atuar como um hub de serviços financeiros e de consumo, e pretende se tornar referência nacional no setor. Os novos projetos incluem plataforma de educação financeira, atendimento de telemedicina, fundo de microcrédito, deliverys e marketplaces, entre outros serviços, todos integrados ao aplicativo da Conta Black, que ganha nova versão, mais atualizada, no segundo semestre.

“A educação financeira sempre foi um dos nossos principais fios condutores”, afirma Fernanda Ribeiro, COO da Conta Black. Pensando nisso, a empresa desenvolveu uma plataforma que vai promover o conhecimento de acordo com as demandas dos empreendedores. Para tornar o ensino mais fácil e acessível, a empresa oferecerá conteúdos via WhatsApp, por meio de um chatbot que responde dúvidas sobre créditos, investimentos e finanças.

LEIA MAIS: ESPECIAL INOVADORES NEGROS: 9 brasileiros que estão apostando na educação financeira e no crédito como arma de ascensão social

Ao enxergar o aplicativo de mensagens instantâneas como um potencial assistente e educador financeiro, a ideia é aproximar o ensino do cotidiano dos empreendedores. Para Fernanda, o mecanismo contribuirá também para aprimorar os serviços de concessão de crédito. “Como Conta Black, entendemos que [há uma necessidade de não] só ofertar o crédito, mas também orientar o cliente para que esses recursos sejam utilizados de uma forma assertiva.”

Por isso, aliado à plataforma de educação financeira, a empresa está lançando também um fundo de microcrédito para fomentar novos negócios. A estratégia é destinar mais de R$ 1,5 milhão para empreendedores correntistas da Conta Black.

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A proposta é, a partir da plataforma de locação financeira, solucionar o desafio da desbancarização e, consequentemente, a exclusão financeira. “Existe uma dificuldade econômica, principalmente para o empreendedor negro, que tem o crédito negado três vezes mais em comparação ao empreendedor branco nas mesmas condições”, argumenta Fernanda.

INFLUÊNCIA DO BLACK MONEY

“A Conta Black já nasce alinhada à perspectiva do Black Money”, diz Fernanda, em referência ao movimento fundado por Nina Silva que tem o intuito de transformar, educar e fomentar o empreendedorismo negro. “Cada empreendimento liderado por negros têm um papel de transformação social, e a Conta Black entra como participante desse ecossistema. Quando fazemos uma oferta de crédito bancário sabendo que todos os outros bancos não o fariam, estamos, de alguma forma, ajudando a manter esses negócios vivos, sustentáveis e gerando impacto social”, completa a COO.

Segundo o site oficial do Movimento Black Money, os negros mobilizam cerca de R$ 1,7 trilhão por ano no país, mas ainda recebem, em média, R$ 1.200 a menos que os trabalhadores brancos. Nesse contexto, o projeto nasce para estimular o consumo e a prestação de serviços entre pessoas negras, para impulsionar os negócios e fortalecer a circulação de recursos financeiros na comunidade.

“Educação financeira, crédito, delivery, telemedicina, fidelidade: [tudo isso abre] espaço para que o empreendedor possa transacionar e divulgar o seu negócio. A ferramenta financeira chega justamente para apoiar o Black Money”, diz o CEO da Conta Black, Sergio All, que também enxerga os novos projetos da empresa como mecanismos de empoderamento.

TECNOLOGIA E CUSTOMIZAÇÃO

Os serviços de empréstimo e microcrédito oferecidos para pessoas físicas e jurídicas chegam com um diferencial estratégico: a personalização. “Tudo que estamos fazendo é com base nos feedbacks que recebemos do nosso público. Quando ouvimos [suas dores e necessidades], conseguimos implementar soluções pensadas realmente na realidade dessas pessoas”, afirma All.

Por meio da análise das especificidades dos clientes, entre eles, ONG’s, templos religiosos e motoboys, a Conta Black passa a oferecer ferramentas de crédito personalizadas, de acordo com as demandas de cada público. “Temos, por exemplo, uma base na cadeia de fornecimento de grandes empresas que possui dificuldades com capital de giro. No caso dos motoboys, a necessidade é antecipação de recebíveis. Quando pensamos em personalização, estamos oferecendo, para cada tipo de empreendedor, uma linha de crédito específica”, explica Fernanda.

Para isso, o hub inicia a nova etapa de negócios com investimentos, de valores não revelados, em tecnologia. A empresa está apostando em inteligência artificial para aprimorar a interface do aplicativo, a fim de otimizar o processo de análise do crédito e educação financeira e apontar quais são as preferências e necessidades dos empreendedores. “[O investimento foi pensado] para cada vez mais nos aproximarmos do consumidor. A personalização é uma forma de nos destacarmos no mercado, utilizando a tecnologia como nosso principal aliado.”

Com foco na aceleração tecnológica da plataforma, a Conta Black acaba de fechar uma parceria inédita com a Qintess. Fundada em 2019, a empresa trabalha com foco na transformação digital de negócios por meio da inovação e da tecnologia, oferecendo ferramentas de customer e user experience, backbone operacional, automação, conectividade e de tomada de decisão ágeis e precisas baseada em dados.

Outra parceria confirmada para este ano é com a Mastercard, que entra como principal aliada na estrutura de banking. Com a colaboração, a Conta Black passará a emitir cartões de débito e crédito, físicos e digitais, com bandeira da gigante de pagamentos. “Estamos muito felizes em contar com a Mastercard, pois a empresa impulsiona diversas iniciativas lideradas por pessoas negras, nacional e internacionalmente”, diz Fernanda. No ano passado, a operadora de cartões prometeu melhorar a diversidade em seus cargos de liderança e disse que pretende aumentar o número de líderes negros no nível de vice-presidente e acima em 50% até 2025.

IMPACTO SOCIAL

Como hub, a Conta Black passa a ofertar também soluções pensadas nos entregadores de aplicativos, que viram os negócios dispararem no último ano. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) aponta que, antes da pandemia, cerca de 54% dos empresários brasileiros já usavam os serviços de entrega em seus negócios. Com as restrições impostas pela crise sanitária, esse percentual subiu para 66%.

Nesse cenário, a nova versão do app da Conta Black vai conectar plataformas de delivery – ainda em processo de negociação – aos seus serviços financeiros, disponibilizando as soluções da fintech para os entregadores de empresas parceiras. Segundo Sergio All, a expectativa é que, futuramente, a plataforma também sirva como um canal para que os empreendedores – tanto entregadores quanto os donos dos restaurantes – possam ofertar seus serviços, e que restaurantes e grandes marcas ofereçam um desconto especial para os membros da Conta Black.

Outra área de foco da empresa de Fernanda e Sergio All inclui o apoio aos marketplaces liderados por empreendedores negros, expandindo suas ofertas de consumo. Pegando como base o princípio do Black Money, o hub passa a integrar shoppings virtuais em sua plataforma, fomentando a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade.

Outra iniciativa é a telemedicina, com atendimentos online, preços acessíveis, prescrição de remédios, descontos em farmácias e profissionais negros. A pesquisa “Demografia Médica no Brasil 2018”, da Universidade de São Paulo, retrata a disparidade racial na profissão. Enquanto 56% dos brasileiros se declaram negros (pretos ou pardos) segundo o IBGE, o levantamento aponta que apenas 18% dos médicos recém-graduados brasileiros dizem se encaixar neste grupo. “Estamos trabalhando com uma medicina especializada para a população preta. A ideia é que o serviço seja um benefício real à população”, explica All.

As novidades incluem, ainda, carteira de investimentos, maquininha Black Pay e programas de fidelidade. Com as novas ferramentas, a projeção é de crescimento não apenas em termos de impacto social, mas também para a própria empresa. Após movimentar mais de R$ 1 milhão no ano passado, a meta é expandir o número de clientes de 18 mil para mais de 50 mil até o final do ano, entre pessoas físicas e jurídicas, por meio da qualidade e personalização dos serviços.

“A grande novidade da Conta Black é a experiência. Queremos ser o mais humano possível, e mostrar que isso gera consumo, inclusão e pode ser replicado em outros países”, pontua Sergio All. Sem muitos detalhes, o empreendedor adiantou à Forbes a expectativa de ver esse modelo de negócios em nível mundial, citando a América do Norte, América Latina, Europa e África como parte do projeto.

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