15 healthtechs que estão revolucionando a saúde para ficar de olho em 2021

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O número de healthtechs no Brasil passou de 248 para 542 empresas na comparação de 2020 e 2018

O mercado de healthtechs é um dos mais promissores do ecossistema de inovação: segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os gastos no setor da saúde já representam 10% do Produto Interno Bruto do mundo e, no Brasil, suas despesas representam 9,2% da soma de todos os bens e serviços produzidos, ou R$ 608 bilhões em 2017, de acordo com a Agência IBGE de Notícias.

Durante a pandemia, o segmento disparou, com um salto de 118% no número de healthtechs no Brasil na comparação de 2020 e 2018, passando de 248 para 542 empresas do setor, conforme o relatório “Distrito HealthTech Report 2020”. Essas empresas tornaram-se protagonistas na luta contra a Covid-19, por meio de soluções inovadoras de assistência à distância, realização de exames, compra de medicamentos online e até exercícios a distância.

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“O setor das healthtechs tem uma grande abrangência. Estamos falando de startups que atuam em assuntos diversos como marketplaces de saúde, devices médicos, telemedicina, wearables, gestão do paciente e prontuário médico, entre vários outros”, afirma Luzia Sarno, diretora corporativa de TI do Grupo Fleury.

A tendência é de crescimento contínuo. De acordo com a Abstartups (Associação Brasileira de Startups), os usos da inovação no setor de saúde são, aparentemente, intermináveis. “A tecnologia está sendo implementada em tudo, desde os processos administrativos do hospital até a pesquisa e a cirurgia do câncer, a fim de melhorar a eficiência em todo o setor e tornar a experiência do paciente o mais indolor possível”, diz Ana Flávia Carrilo, parte da equipe de comunicação no blog da instituição.

Nesse contexto, a Forbes conversou com especialistas do setor sobre algumas das healthtechs mais promissoras em 2021, com atuação no território brasileiro. Confira, na galeria abaixo, as 15 startups apontadas, em ordem alfabética:

  • Afinando o Cérebro

    O aplicativo Afinando o Cérebro oferece mais de 140 jogos interativos que estimulam habilidades cerebrais de processamento auditivo, memória, atenção e linguagens oral e escrita. A plataforma pode ser usada por professores, idosos, pais de crianças e terapeutas, auxiliando no desenvolvimento dos pacientes de forma lúdica e educativa. Segundo Natália Beraldo, coordenadora de inovação e startups do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos diferenciais da startup é o AudBility, plataforma de triagem online das habilidades auditivas, ideal para fonoaudiólogos e outros profissionais da área.

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  • Anestech

    “O centro cirúrgico é a próxima fronteira do hospital a ser digitalizada, e a Anestech está fazendo justamente isso, a começar pelo registro anestésico”, diz Thiago Julio, gerente executivo de inovação aberta da rede de saúde integrada Dasa. Fundada em Florianópolis (SC), a startup faz a integração, rastreamento, análise e entrega de dados em tempo real, por meio de business intelligence em nuvem de dados e aplicações dedicadas para mobiles na sala de cirurgia. A healthtech possui a solução AxReg, uma ficha anestésica descomplicada, completada por um dashboard de performance de centro cirúrgico com o objetivo de facilitar ainda mais as informações para o anestesista e aumentar a segurança do paciente. Segundo o especialista, o ato operatório é um dos momentos mais críticos da jornada hospitalar. Por isso, ter acesso aos dados de monitoramento dos pacientes é fundamental para garantir a segurança do procedimento e a eficiência e qualidade do processo assistencial. “Soluções como a da Anestech permitem melhor gestão e controle financeiro do setor”, considera Julio. Em 2017, a empresa foi a vencedora do CBA Shark Tank Mentorship, que ocorreu durante o Congresso do Comitê Brasileiro de Acreditação Hospitalar, e foi escolhida como startup do ano no prêmio Líderes da Saúde.

    boonchai wedmakawand/Getty Images
  • Brain4Care

    Criada em 2009 no estado de São Paulo, a Brain4Care desenvolveu uma tecnologia de monitoramento não-invasivo de variações de volume e pressão intracraniana. A solução promete reduzir os riscos neurológicos dos pacientes e os custos assistenciais, sendo indicada nos casos de trauma, hidrocefalia, pós-cirúrgico de cardiopatias e hepatopatias complexas, AVCs e doenças infecto-contagiosas do sistema nervoso central. “Este é um exemplo de healthtech brasileira com grande tecnologia e ciência embarcada. Esse importante parâmetro clínico é fundamental em situações de pacientes críticos, e a maneira tradicional de se obter essa medida é muito invasiva”, pontua Thiago Julio, da Dasa. De acordo com a startup, o monitoramento da complacência cerebral melhora a pertinência dos cuidados e a segurança do paciente, fornecendo informações adicionais que qualificam o diagnóstico, orientam a terapêutica e indicam a evolução dos distúrbios neurológicos.

    REB Images/Getty Images
  • Biologix

    “É uma healthtech que tem o objetivo de revolucionar o diagnóstico da AOS [apneia obstrutiva do sono], caracterizada por paradas respiratórias ao dormir, causadas por interrupções das vias aéreas superiores”, diz Natália Beraldo, coordenadora de inovação e startups do Hospital Israelita Albert Einstein. Com sede na cidade de São Paulo, a Biologix desenvolveu um sensor proprietário sem fio capaz de captar a saturação de oxigênio e frequência cardíaca dos pacientes, permitindo o monitoramento dos movimentos durante o sono. Em instantes, o sistema gera gráficos e laudos médicos em formato PDF, que podem ser acessados pelo profissional via aplicativo de celular para gerenciarem seus pacientes com mais facilidade. “A AOS não tratada compromete seriamente a qualidade de vida e pode ter complicações cardiovasculares importantes. Com a plataforma, o médico consegue acompanhar a evolução dos tratamentos, o que era impossível até então.”

    Stefania Pelfini, La Waziya Photography/Getty Images
  • Doc24

    “A plataforma de telemedicina tem como diferencial aplicações que usam inteligência artificial [o WellnessTest] capaz de capturar, por meio da câmera do dispositivo, a pressão, saturação e frequências cardíaca e respiratória”, explica Lilian Quintal Hoffmann, diretora-executiva de tecnologia e operação da BP (Beneficência Portuguesa) de São Paulo. A ferramenta permite que o especialista tenha informações sobre o estado de bem-estar do paciente, podendo traçar estratégias de prevenção e promoção de uma melhor qualidade de vida. Com escritórios nas cidades de Rosário, na Argentina, e em São Paulo, a startup também desenvolveu consultórios inteligentes, cabines que permitem realizar exames médicos em tempo real e consultas online com especialistas em um espaço futurista. A estrutura permite que o paciente realize um auto-check-up de sua saúde com os painéis e dispositivos médicos integrados e, em alguns casos, fazer uma videoconsulta com um especialista. Podem ser instaladas em indústrias, grandes empresas, centros comerciais e de entretenimento, terminais de transporte de passageiros, entre outros espaços.

    Yoshiyoshi Hirokawa/Getty Images
  • GlucoGear

    “Esta startup brasileira é focada em diabetes e utiliza a ciência de dados para uma maior adesão do paciente ao tratamento”, explica Luzia Sarno, do Grupo Fleury. O aplicativo é capaz de prever a curva glicêmica futura de cada usuário e alertar para possíveis eventos de hiper ou hipoglicemia. A análise é feita com base na rotina dos usuários, com dados de alimentação, atividades físicas e tempo de sono, entre outros. A partir dos resultados, a plataforma oferece recomendações de ações preventivas.

    Terry Vine/Getty Images
  • Health ID LAB

    Com a proposta de empoderar as pessoas na autogestão da saúde, esta startup permite que o paciente realize exames laboratoriais sem sair de casa, recebendo resultados didáticos e sugestões de prevenção. Ele compra o kit de check-up, com entrega domiciliar, para fazer a autocoleta. Depois do exame, agenda a retirada do kit para que a empresa envie as amostras ao laboratório. Os resultados são enviados de forma 100% digital. “É uma solução inovadora, pois alia os conceitos de prevenção, análise de dados, consumo digital, auto-atendimento e modelo de negócios diferenciado”, diz Lilian Quintal Hoffmann, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

    Justin Paget/Getty Images
  • Intuitive Care

    “O ciclo de receita do setor de saúde é bastante complexo, com ineficiências, redundâncias e atritos. Empresas do segmento de todos os portes investem muito em times, ferramentas e processos financeiros para garantir eficiência no sistema de faturamento. A Intuitive Care usa tecnologia de dados para resolver alguns desses problemas, facilitando a extração, consolidação e análise dos processos de faturamento, glosa, autorização e elegibilidade”, diz Thiago Julio, da Dasa. Direcionada para médicos, consultórios, hospitais, clínicas e laboratórios, a startup fornece aplicações integradas ao ERP (sistema integrado de gestão empresarial) que digitalizam processos-chave do seu negócio. Para seguros de saúde e cooperativas, a healthtech ajuda a automatizar a comunicação com os prestadores, assim como o processo de auditoria colaborativa e workflow em equipe. “O resultado é mais controle para o gestor e, principalmente, melhoria das margens e dos resultados financeiros”, considera Julio.

    Tom Werner/Getty Images
  • NeuralMed

    A startup paulistana usa inteligência artificial para otimizar a agilidade no atendimento e a assertividade diagnóstica no ecossistema de hospitais, aprimorando a análise de imagens e laudos médicos em tempo real. Para Luzia Sarno, do Grupo Fleury, a NeuralMed assume um papel importante para auxiliar médicos radiologistas, com soluções de tomografia computadorizada de tórax e crânio, eletrocardiograma e radiografia de tórax. Além do diagnóstico automatizado dos exames, a tecnologia ordena a lista de pacientes por prioridade clínica, em vez de organizar por ordem de chegada, e é capaz de extrair as informações mais importantes de um texto não estruturado.

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  • Safepill

    Fundada pelo enfermeiro Arlei Alves e pelo administrador apaixonado por tecnologia Felippe Carone, a Safepill faz a administração dos medicamentos para promover um tratamento seguro dos pacientes. A companhia organiza os fármacos por dose, dia e horário, em embalagens ordenadas cronologicamente dentro de uma box entregue a domicílio uma vez por mês. “A healthtech resolve um problema comum de pessoas que costumam precisar de vários medicamentos por dia: o de se organizar para tomar os remédios na hora certa e na dosagem prescrita”, explica Natália Beraldo, do Hospital Israelita Albert Einstein. A startup analisa a lista de medicamentos previamente e informa sobre combinações entre os remédios que devem ser evitados – como tomar anti-inflamatório com coagulante – para aumentar a eficiência do tratamento. “O serviço também gera maior comodidade ao cliente, pois dispensa a necessidade de idas até as farmácias convencionais.”

    Safepill/Getty Images
  • Salvus

    Criada com a missão de ajudar hospitais, empresas de home care e operadoras a aumentarem sua eficiência, rentabilidade, qualidade e segurança no atendimento domiciliar, a Salvus desenvolveu uma solução HAI (Healthcare Assistive Intelligence) que otimiza toda a operação do serviço, integrando a indicação da desospitalização, avaliação, orçamento, planejamento, implantação, operação, assistência e gestão continuada em uma única plataforma. Segundo Natália Beraldo, do Hospital Israelita Albert Einstein, a ferramenta permite que todos os gestores profissionais de saúde, pacientes e familiares tenham acesso a uma nova experiência com a digitalização da sua jornada, necessidades e objetivos. Em 2018, a startup foi premiada no BNDES Pilotos IoT, programa do banco de fomento em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para apoiar financeiramente projetos inovadores para teste e avaliação de soluções tecnológicas de Internet das Coisas. No último ano, a Salvus saltou de 200 para 3.000 pacientes monitorados.

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  • Sweetch

    “O engajamento do paciente é um fator crucial para termos uma evolução significativa na saúde”, diz Luzia Sarno, do Grupo Fleury. Segundo a executiva, uma das principais healthtechs do segmento é a Sweetch, solução israelense que funciona como um coach digital, fornecendo recomendações personalizadas com inteligência artificial para a prevenção, gestão e tratamento de condições crônicas. Em julho deste ano, a startup levantou US$ 20 milhões na série A, liderada por Entreé Capital. Outros investidores incluem Tal Capital, Noaber, Kortex Ventures, Insurtech VC, Fin TLV Ventures, Philips, OurCrowd e Qure Ventures. O investimento será utilizado para expandir as atuações da startup para os mercados dos EUA e do Brasil. Lançado em 2013, o aplicativo já está sendo usado em pacientes com doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, hipertensão, artrite reumatóide, doença inflamatória intestinal e câncer de mama.

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  • Upflux

    Para Thiago Julio, da Dasa, a Upflux também é destaque no ecossistema das healthtechs. Fundada em Jaraguá do Sul (SC), a startup atua em 14 estados do país com soluções aplicadas em hospitais, clínicas, laboratórios, centros oncológicos, operadoras de planos de saúde, centros de serviços compartilhados, indústrias e instituições financeiras. Baseada na técnica de process mining – cujo objetivo é descobrir, monitorar e melhorar processos reais das instituições para, a partir disso, promover a melhoria contínua das operações -, a healthtech identifica ineficiências e desvios na jornada do atendimento para melhorar a qualidade e a segurança da jornada do paciente. “Hospitais e laboratórios têm uma infinidade de processos assistenciais, operacionais e de gestão que, muitas vezes, não estão devidamente desenhados, documentados e acessíveis aos gestores e líderes assistenciais, dificultando a implantação de melhorias e ferramentas de qualidade. A Upflux consegue, automaticamente, mapear os procedimentos dos diversos setores e serviços clínicos”, explica o especialista. Depois do diagnóstico, a startup oferece um software com interface gráfica amigável para que os gestores monitorem as operações, economizando tempo e permitindo a identificação rápida de gargalos ou ineficiências operacionais.

    Marko Geber/Getty Images
  • Vittude

    “A saúde mental é um assunto crítico, principalmente nos últimos tempos. Uma startup que vem se destacando no segmento é a Vittude, abrangendo B2B e B2C com atendimentos psicológicos online e presencial”, diz Luzia Sarno, do Grupo Fleury. Fundada em 2016 por Tatiana Pimenta, a empresa é referência em educação emocional no Brasil. Sua plataforma conecta profissionais e pacientes, promovendo saúde e bem-estar. Os usuários escolhem seu psicólogo online de acordo com suas preferências de horário e localização e podem, facilmente, agendar sua sessão. No início do ano, a healthtech já recebia, mensalmente, mais de 3 milhões de pessoas em sua ferramenta e, no ano passado, impactou cerca de 30 milhões de brasileiros com seus conteúdos sobre saúde mental, psicologia e comportamento humano.

    Fiordaliso/Getty Images
  • Wecancer

    Ao unir a tecnologia ao cuidado médico, a plataforma permite que os profissionais da saúde acompanhem a evolução clínica de pacientes com câncer à distância, oferecendo uma assistência fora do centro de atendimento. “Isso cria uma experiência diferenciada para o paciente e para a equipe, facilita a comunicação e permite o armazenamento de dados – muito importantes para a análise preventiva”, afirma Lilian Quintal Hoffmann, da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Diariamente, o paciente deve registrar os seus sintomas no aplicativo, para que os profissionais o acompanhem e previnam pioras e idas ao pronto-socorro. O sistema emite alertas de medicamentos e consultas para o usuário, e indica leituras confiáveis sobre a doença, além de oferecer um chat online para tirar dúvidas, orientar e acolher o paciente onde ele estiver. Para Lilian, o serviço é inovador, pois alia conceitos de uso de dados, monitoramento da saúde e cuidado digital.

    Cavan Images/Getty Images

Afinando o Cérebro

O aplicativo Afinando o Cérebro oferece mais de 140 jogos interativos que estimulam habilidades cerebrais de processamento auditivo, memória, atenção e linguagens oral e escrita. A plataforma pode ser usada por professores, idosos, pais de crianças e terapeutas, auxiliando no desenvolvimento dos pacientes de forma lúdica e educativa. Segundo Natália Beraldo, coordenadora de inovação e startups do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos diferenciais da startup é o AudBility, plataforma de triagem online das habilidades auditivas, ideal para fonoaudiólogos e outros profissionais da área.

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