4 apostas de Cristiano Amon, o brasileiro à frente da operação global da Qualcomm, para a indústria de tecnologia

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O brasileiro Cristiano Amon assumiu o maior desafio de sua carreira no último dia 30: o de ser o CEO global da Qualcomm

Após sete anos como CEO da Qualcomm, empresa desenvolvedora de processadores e equipamentos de conectividade, o norte-americano Steve Mollenkopf anunciou, em janeiro deste ano, a sua aposentadoria. Com isso, o principal cargo executivo da companhia ficou disponível para candidatos interessados em assumir os desafios frente a um futuro movimentado no setor, que tem na mira o desenvolvimento da tecnologia 5G e uma maior automação da indústria.

Para endereçar estes temas, a companhia fundada na Califórnia há mais de três décadas escolheu um executivo com quem tem uma história de longa data: o brasileiro Cristiano Amon. Há mais de 20 anos na empresa, Amon começou sua carreira como engenheiro em 1995, três anos depois de ter se formado em engenharia elétrica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “Nunca imaginei, quando me formei, que chegaria até aqui”, diz o novo CEO global da Qualcomm desde 30 de junho.

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O campineiro, que hoje vive em San Diego, diz que se sente honrado com a oportunidade de comandar a Qualcomm, mas não minimiza a responsabilidade do cargo. “Vivemos um momento em que o 5G tem transformado a indústria de wireless [conexões sem fio] e de smartphones em tecnologias cada vez mais fundamentais para a sociedade”, diz. “Isso traz uma chance de crescimento e diversificação enorme para nós, como negócio, mas também um nível alto de compromisso.”

A chegada de Amon ao cargo de CEO da Qualcomm marca não só o início de uma nova gestão na companhia, mas também uma retomada após os choques econômicos provocados pela pandemia de Covid-19. No ano fiscal de 2020, encerrado em setembro, a empresa registrou uma receita 3% menor do que em 2019, em US$ 23,5 bilhões. O EBT (lucro antes de impostos, em português) teve uma redução de 24%, chegando ao patamar de US$ 5,7 bilhões.

VEJA TAMBÉM: Qualcomm trabalhará com mais de 30 empresas em versão mais rápida de 5G

Nos dois primeiros trimestres do ano fiscal de 2021 – encerrados em dezembro de 2020 e março deste ano, respectivamente –, a empresa apresentou crescimentos elevados. A receita aumentou 62% no primeiro e 52% no segundo na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. O EBT, por outro lado, teve altas na casa dos três dígitos. No primeiro trimestre, foi de 175%, a US$ 2,6 bilhões, enquanto no segundo a expansão registrada foi de 256%, a US$ 2,1 bilhões.

Para continuar nesta retomada pós-pandemia, em uma das indústrias mais impactadas pelo aumento de demanda – e a consequente falta – de semicondutores e outros componentes de tecnologia, Amon observa pelo menos quatro tendências para os próximos anos. A Forbes elencou, na galeria de imagens abaixo, as principais visões do executivo brasileiro. Confira:

  • A CRISE DOS SEMICONDUTORES DEVE DURAR ATÉ 2022

    A indústria de semicondutores foi altamente impactada pela pandemia de Covid-19. Com o trabalho remoto, a demanda por aparelhos eletrônicos aumentou em um nível maior do que as empresas fornecedoras esperavam, impactando a produção de dispositivos como smartphones, laptops, computadores pessoais e tablets. “A digitalização da sociedade foi enorme”, diz Amon. “Foi por meio da tecnologia que tudo continuou funcionando, e isso realmente aumentou o consumo de semicondutores. Nós vimos um desbalanço entre o consumo e a produção neste último ano.”

    Para o CEO da Qualcomm, o processo de equilibrar a demanda e a capacidade de produção desses componentes deve perdurar até o final de 2022, a depender do setor. “Se existir alguma empresa no segmento de semicondutores dizendo que não tem problema de suprimento e de demanda, temos que nos preocupar com ela”, afirma. “Nós temos mais demanda do que estoque em todos os nossos produtos.” A situação deve começar a melhorar, segundo Amon, em dezembro deste ano e retomar gradativamente até o final do ano que vem.

    Pexels
  • INFRAESTRUTURA DE 5G É NECESSIDADE BÁSICA

    A construção de infraestrutura para a nova geração de rede móvel, o 5G, será vista como uma necessidade básica para a conectividade e produtividade dos países. “Embora isso possa ser difícil de enxergar hoje, [a rede de 5G] é uma infraestrutura básica”, afirma Amon. “É como as redes de eletricidade, ferrovia, rodovia, portos e aeroportos.” De acordo com o executivo, a transformação das indústrias e o desenvolvimento de cidades inteligentes passam por essa nova malha de telecomunicações. Para ele, parcerias público-privadas são essenciais para promover o desenvolvimento da rede.

    Na visão de Amon, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China e alguns países europeus saíram na frente na corrida pela implementação e estruturação da rede 5G. “Todos os países, sem nenhuma exceção, reconhecem a importância da tecnologia e querem implementá-la o mais rápido possível. É importante ter uma visão de longo prazo, de que essa malha de conectividade é crítica para a próxima década.” Para ele, a discussão não deve ficar nas possibilidades práticas atuais dessa nova rede de dados móvel, mas sim no que ela poderá estimular nos próximos anos.

    Pixabay
  • A PANDEMIA REMODELOU O COMPUTADOR PESSOAL

    O computador pessoal, popularmente conhecido como PC, foi o aparelho eletrônico que sofreu as maiores transformações por conta da pandemia, segundo o executivo da Qualcomm. “O PC não é mais o mesmo, a pandemia redefiniu suas principais funções. Hoje, a aplicação número um é a comunicação”, afirma. “Antes as pessoas perguntavam pela velocidade de processamento, o tamanho do HD e quanto tinha de memória RAM. Hoje, a pergunta é sobre a câmera e a capacidade multimídia.”

    Além da perspectiva do consumidor, que tem valorizado outros componentes dos computadores, Amon também traz uma visão da indústria para esse tipo de dispositivo. “Estamos presenciando uma fusão entre smartphones e o PC”, afirma. “Já existe um entendimento das grandes companhias de sistema operacional que uma convergência de aplicativos e serviços é necessária. A experiência do usuário é sempre o que ganha na disputa por mercado.” O executivo exemplifica essa tendência com o lançamento do Windows 11, que terá uma loja de aplicativos da Amazon integrada para rodar programas de celulares Android no computador.

    Unsplash
  • OPORTUNIDADES NA INDÚSTRIA 4.0 E INTERNET DAS COISAS

    A transformação digital não ocorreu apenas para os consumidores, que demandaram diferentes funcionalidades de aparelhos eletrônicos por conta da pandemia. As companhias de tecnologia também tiveram de redefinir suas estratégias. No caso da Qualcomm, a empresa tem investido na diversificação de seus produtos para não ser apenas conhecida como uma empresa de chips para smartphones. “Queremos usar nossa tecnologia para transformar várias indústrias. A meta é criar ecossistemas de negócios, além de fornecer componentes”, afirma Amon.

    Nesse escopo de diversificação do portfólio de produtos e serviços, o executivo cita dois caminhos sem volta para a empresa: a indústria 4.0 e a Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês). “Se você falasse da atuação da Qualcomm há uns anos em IoT, dava para contar o número de clientes nas duas mãos”, diz. “Hoje, nós temos mais de 13 mil clientes, um crescimento que ocorreu em um tempo bastante curto, e esse segmento de negócio já é bastante significativo para nós.” No setor automotivo, por exemplo, a companhia trabalha com 23 marcas na construção de sistemas de navegação, painéis e conexão dos automóveis à internet.

    Outras indústrias também têm realizado parcerias com a companhia para otimizar processos e acelerar a transformação digital. “Temos projetos no Reino Unido e na China com ambulâncias 5G, onde você consegue fazer diagnósticos de imagem, em alta resolução, já no transporte do paciente, enviando os dados para o hospital”, afirma Amon. “A gama [de aplicações da IoT] é bastante grande, podemos utilizá-la na agricultura, com drones autônomos e inteligência artificial, e até nos robôs, para melhorar os processos de manufatura.”

    Getty Images

A CRISE DOS SEMICONDUTORES DEVE DURAR ATÉ 2022

A indústria de semicondutores foi altamente impactada pela pandemia de Covid-19. Com o trabalho remoto, a demanda por aparelhos eletrônicos aumentou em um nível maior do que as empresas fornecedoras esperavam, impactando a produção de dispositivos como smartphones, laptops, computadores pessoais e tablets. “A digitalização da sociedade foi enorme”, diz Amon. “Foi por meio da tecnologia que tudo continuou funcionando, e isso realmente aumentou o consumo de semicondutores. Nós vimos um desbalanço entre o consumo e a produção neste último ano.”

Para o CEO da Qualcomm, o processo de equilibrar a demanda e a capacidade de produção desses componentes deve perdurar até o final de 2022, a depender do setor. “Se existir alguma empresa no segmento de semicondutores dizendo que não tem problema de suprimento e de demanda, temos que nos preocupar com ela”, afirma. “Nós temos mais demanda do que estoque em todos os nossos produtos.” A situação deve começar a melhorar, segundo Amon, em dezembro deste ano e retomar gradativamente até o final do ano que vem.

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