Como projetar uma cidade inteligente onde todo mundo vai querer morar

Reprodução/Forbes
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O principal objetivo das comunidades inteligentes é utilizar soluções digitais para enfrentar os desafios de uma cidade, país ou região

Em todo o mundo, os governos têm sido desafiados pela rápida urbanização, o aumento das expectativas de vida e a necessidade por uma infraestrutura moderna. O surgimento da computação em nuvem acelerou a adoção de novas soluções tecnológicas para melhorar nossas cidades e a qualidade de vida.

As cidades ou comunidades inteligentes estão se expandindo rapidamente para criar novas oportunidades econômicas, preservar o meio ambiente e melhorar os serviços oferecidos aos cidadãos. Pesquisas indicam que houve um aumento no financiamento em cidades inteligentes em regiões na América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico, Oriente Médio e América Latina. Segundo o “Smart Cities Workld”, o mercado para as cidades inteligentes será avaliado em mais de US$ 2 trilhões até 2025.

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O que é uma cidade inteligente?

O principal objetivo das comunidades inteligentes é utilizar soluções digitais para enfrentar os desafios de uma cidade, país ou região com o objetivo de:

  1. Conservar recursos a longo prazo.
  2. Melhorar o bem-estar dos cidadãos por meio do fornecimento de serviços de utilidade pública mais eficientes.
  3. Prever riscos potenciais e tomar ações preventivas, como detecção de enchentes, falta de energia e vazamentos de esgoto, entre outros.
  4. Usar dados e plataformas digitais para melhorar o envolvimento dos cidadãos nos serviços de saúde ou sociais.
  5. Fazer escolhas que respeitem o meio ambiente, acompanhadas da energia limpa.

O que é um exemplo de comunidade inteligente?

Existem muitas implementações bem-sucedidas de cidades inteligentes em todo o mundo. Por exemplo, a cidade de Dijon, na França, é considerada a primeira smart city do país. Dijon se concentrou em melhorar a infraestrutura de serviços públicos para reduzir os custos de eletricidade, empregando iluminação e estacionamento inteligentes. Outra área de foco foi a segurança dos cidadãos, alcançada por serviços inteligentes conectados, incluindo pontos de Wi-Fi, CCTVs (Circuito fechado de televisão) e um hub centralizado para a gestão de crises.

Recentemente, pude testemunhar em primeira mão uma comunidade inteligente perto de onde moro na Virgínia, nos Estados Unidos. O condado de Stafford vem planejando, projetando e investindo em um ambiente de teste comunitário inteligente nos últimos anos. Seus esforços finalmente deram frutos em 25 de maio de 2021, com a inauguração do centro de teste comunitário inteligente. A região focou, principalmente, em: banda larga em todos os lugares; redução do congestionamento; melhoria da segurança da comunidade juntamente com a segurança de veículos e pedestres; redução do consumo de energia; e tornar a comunidade atraente para novos negócios, startups e cidadãos.

A seguir, veja alguns dos casos de uso que estão sendo testados no Virginia Smart Community Testbed, em Stafford:

1. Segurança Pública 

  • Uso de drones para segurança pública e gerenciamento de emergências.
  • Testes de Covid-19 em águas residuais.
  • Utilização de sensores para detecção de fumaça e inundação.

2. Cibersegurança 

  • Utilização de tecnologia cibernética de nível militar baseada em blockchain de última geração para proteger os sensores de IoT (Internet das Coisas).
  • Implantação de câmeras no centro governamental que utilizem essa tecnologia.

3. Conectividade

  • Implementação de banda larga sem fio fixa para a população carente.

4. Detecção de perigo

  • Uso de sensores externos para detecção de incêndios florestais e inundações.

5. Gestão de edifícios

  • Uso de uma plataforma centralizada de resposta a incidentes para melhorar a consciência situacional com uma resposta mais rápida e segura.

6. Desenvolvimento econômico e turismo

  • Realidade Virtual e digital twins para fornecer um tour virtual da história do condado para turistas em potencial.

O que as cidades devem fazer para começar a investir em smart cities?

Para começar, é preciso entender as necessidades da região, conversando com moradores e empresas para obter feedback e identificar as prioridades. Em seguida, é importante pensar nas opções de financiamento – parcerias, alianças e doações são fontes de financiamento típicas. Por exemplo, Atenas criou um projeto de cidade inteligente de sucesso devido à sua colaboração com parceiros como a Microsoft. Por último, é necessário pensar em um programa-piloto para lançar a iniciativa, a fim de testar antes de aumentar a escala.

Como as cidades inteligentes podem lidar com ameaças cibernéticas?

Os dispositivos IoT usados ​​em cidades inteligentes expõem vulnerabilidades que podem ser utilizadas em ataques cibernéticos. Portanto, é importante focar em metodologias para reduzir o risco de segurança cibernética. Alguns desses métodos incluem medidas básicas de autenticação, criptografia e controle de acesso. É importante considerar, ainda, o monitoramento de segurança contínuo e o gerenciamento de ciclo de vida de segurança de ponta a ponta para incluir fornecedores e dispositivos de terceiros.

Quais são os desafios ao implementar cidades inteligentes?

Além das dificuldades de lidar com questões de financiamento e segurança cibernética, há outros desafios a serem considerados ao implementar cidades inteligentes.  São eles:

1. Infraestrutura

A infraestrutura de tecnologia está no centro de uma cidade inteligente (rede, dispositivos IoT, entre outros) e os desafios podem incluir fornecimento de energia, conectividade e integração perfeita. Buenos Aires, na Argentina, é um excelente exemplo de estabelecimento de infraestrutura que conecta vários sistemas de TI e fluxo de informações simplificado. Eles conseguiram conectar os problemas dos cidadãos relatados por meio de um aplicativo móvel ao governo local, que por sua vez o atribuiu ao fornecedor mais próximo para resolver a questão.

2. Construção de cidades inteligentes inclusivas

Certifique-se de que as considerações de todos os setores dos moradores sejam incluídas, especialmente os grupos prioritários, mesmo aqueles que não têm conectividade.

3. Privacidade

Garantir aos moradores a privacidade dos dados coletados com comunicação clara e transparente.

4. Envolvimento da comunidade

Para que as cidades inteligentes sejam eficazes, é importante se envolver com os moradores. A organização de prefeituras, boletins informativos por e-mail e educação online podem ajudar a manter os cidadãos envolvidos e obter informações atualizadas.

Conclusão

Cidades inteligentes se tornaram uma expectativa fundamental para cidadãos, que buscam melhorar a qualidade de vida e criar um ambiente sustentável para as gerações futuras. No entanto, uma comunidade inteligente não significa implementar soluções digitais de alta tecnologia, mas sim criar soluções com envolvimento dos cidadãos, iniciativas com foco na comunidade e medir o impacto nas vidas das pessoas.

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