Ian Black, CEO de New Vegas, aposta em customização e diversidade para alavancar os negócios

Divulgação
Divulgação

Ian Black, fundador e CEO da agência New Vegas: “Me encantei pela publicidade, mais do que com qualquer outro setor que já havia trabalhado”

Ian Black viu em um imprevisto profissional a oportunidade de criar o próprio negócio. Tudo começou em 2010, quando atuava como freelancer e recebeu o desafio de atender às demandas de conteúdo digital para o cliente de uma empresa de publicidade. Alugou um escritório e contratou três amigos para ajudar no desenvolvimento do projeto, mas, para sua surpresa, o trabalho foi cancelado antes mesmo de começar.

Naquele momento, ele poderia se despedir dos amigos, entregar as chaves do estúdio e buscar outro trabalho autônomo. No entanto, aproveitou a pequena estrutura que havia montado para fundar a agência New Vegas, lançada oficialmente no ano seguinte.

LEIA TAMBÉM: Especial Afrofuturo: Dos negros para os negros, o ecossistema de negócios de Nina Silva

Desistir, para Black, não é – e nunca foi – opção. Nascido em Taboão da Serra, na região Sudoeste da Grande São Paulo, o empreendedor tem formação técnica em contabilidade, mas nunca atuou na área. Começou a trabalhar aos 14 anos fazendo de tudo um pouco – de office boy a blogueiro e analista de suporte técnico

Os primeiros conhecimentos de publicidade vieram na base da tentativa e erro, quando entrou para a equipe da agência Riot, em 2007. Depois disso, assumiu a cadeira de gerente digital de relações públicas da LiveAd e, em 2009, atuou como social media planning manager na Wunderman.

“Me encantei pela publicidade, mais do que com qualquer outro setor que já havia trabalhado. Por isso, comecei a aprender e a absorver aquele universo rapidamente. Além disso, tive a felicidade de ser inspirado pelos meus chefes nas agências onde trabalhei. Tudo isso me motivou a criar a New Vegas”, relembra Black.

A agência já nasceu sob a perspectiva do digital, aliando a tecnologia e a criatividade para criar projetos interativos por meio de redes sociais, plataformas de branded content, comerciais de televisão, criadores de conteúdo, campanhas integradas ou, até mesmo, hackathons (maratonas de programação). “Sempre enxerguei a publicidade dessa forma. O natural sempre foi o interativo, o digital, em campanhas nas quais as pessoas estão muito próximas umas das outras e podem compartilhar suas opiniões”, explica.

Por causa da inexperiência do empreendedor, a New Vegas evoluiu a partir das suas próprias limitações. A empresa nasceu na capital paulista, com quatro funcionários, a partir de um empréstimo bancário de R$ 50 mil para comprar mesas e computadores. Para o executivo, as principais dificuldades para alavancar o negócio estavam relacionadas à administração do dinheiro, diante do comprometimento de não atrasar o salário dos colaboradores e fechar o mês com as contas pagas no prazo. Os esforços valeram a pena: dez anos depois, Black conta, com orgulho, que a agência nunca fechou um ano no vermelho.

A receita para o sucesso, segundo ele, está na personalização. O empreendedor conta que, ao iniciar um novo projeto, o time se dedica a entender exatamente quais são os desafios e demandas do cliente para, depois, pensar na solução. “Somos uma agência muito mais focada em criar soluções de comunicação que são customizadas para cada cliente do que um portfólio fechado de produtos e serviços”, explica.

CASES DE SUCESSO

Logo no primeiro ano de operação, a New Vegas foi convidada a trabalhar com o Bradesco. “Era um trabalho para as redes sociais, que fazia o atendimento ao cliente. O desafio era reformular a maneira como as mensagens chegavam e agilizar o processo de resposta aos consumidores”, conta.

A proposta abriu caminho para novas parcerias com uma das maiores instituições financeiras do país. Em 2013, Black trabalhou no desenvolvimento do aplicativo do banco para o Google Glass, com o qual o usuário localizava agências e máquinas de autoatendimento e recebia as direções e coordenadas pelo Google Maps. No projeto, a agência de Black ficou encarregada de idealizar e materializar a solução, além de produzir a campanha publicitária da plataforma. Hoje, o Bradesco é um dos principais clientes da empresa.

Em 2014, o empreendedor foi procurado pela VaynerMedia, agência de mídia e criação global com escritórios em Nova York, Los Angeles, Londres, Singapura e Cidade do México. Fundada por Gary Vaynerchuk, a companhia atende clientes como WeWork, Unilever, TikTok e Diageo, entre outros. Com a parceria, a New Vegas passou a atender os projetos da GE (General Electric) no Brasil.

Recentemente, o executivo foi chamado pela P&G para criar uma estrutura interna na multinacional capaz de atender o conjunto de marcas que compõem o conglomerado, como Pantene, Downy e Gillette, entre outras. Hoje, a New Vegas conta com 60 colaboradores e faz parte da B&Partners.co, uma brandtech network que atua como aceleradora para empresas de digital, tecnologia, inovação e criatividade, e como venture para plataformas de martechs.

DIVERSIDADE E INCLUSÃO

“Já trabalhei no chão de fábrica, virando noite e tendo que vivenciar assédios absurdos. Por isso, quando criei a New Vegas, me comprometi a nunca deixar que essas situações se repetissem”, diz o empreendedor, que hoje atua como CEO do negócio. Nesse sentido, Black uniu-se a Vinicius Facco, sócio e CCO, para garantir que os colaboradores não prolongassem suas jornadas de trabalho: na empresa, ninguém estica a noite ou produz aos finais de semana.

Focada em promover o bem-estar de seus colaboradores, a empresa oferece licença maternidade e paternidade de seis meses para todos os funcionários. Os times são, historicamente, predominantemente femininos, e os recrutamentos não exigem ensino superior. Segundo o executivo, os salários de toda a equipe não têm uma diferença acima de cinco vezes. “A minha remuneração, inclusive, é compatível com a dos outros líderes, e de conhecimento de todo mundo na agência.”

No ano passado, diante do Movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), Black conta que muitos de seus clientes perguntaram quais atitudes deveriam adotar naquele contexto. A recomendação foi clara: ouvir o que as pessoas negras tinham a dizer. “Em vez de fazer qualquer campanha ou comunicação [só por causa dos protestos], é importante abrir espaço para a escuta e realmente entender as pautas que estão sendo colocadas, e  não apenas se aproveitar delas”, argumenta.

Os próximos passos estão alinhados à diversidade e à inclusão. Black, que no ano passado apoiou a candidatura da vereadora negra e trans Erika Hilton na cidade de São Paulo, pretende continuar atuando politicamente, contribuindo para a candidatura de outras personalidades. O empresário quer aumentar o número de pessoas negras e trans na companhia e criar um ambiente acolhedor, que ajude os colaboradores a aperfeiçoarem suas habilidades e crescer como profissionais e cidadãos. Além disso, tem a intenção de tornar o recrutamento de talentos da New Vegas mais humanizado, para que o candidato receba feedbacks construtivos sobre seu desempenho no processo seletivo e, em alguns casos, seja indicado para oportunidades em outras agências.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).