Lisa Gallo, VP global de inovação da Avon, conta como é o processo de desenvolvimento de novos cosméticos na companhia

Consumidores e pesquisas de mercado fazem parte da jornada desde o início .

Matheus Riga
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Joe Henson/Divulgação
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Para a VP global de inovação da Avon, Lisa Gallo, não é quantidade, mas sim a qualidade de patentes que importa

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A empresa de cosméticos Avon completou, no início de 2021, o seu primeiro ano comercial na sua nova casa, sob o guarda-chuva da gigante brasileira Natura. Essa integração criou o quarto maior grupo de beleza do mundo, hoje avaliado em US$ 16 bilhões (R$ 82 bilhões). Não foi apenas a capilaridade da marca norte-americana – presente em mais de 70 países com mais de 6 milhões de representantes de vendas – que chamou a atenção do grupo brasileiro. Para a vice-presidente global de inovação, pesquisa e desenvolvimento da Avon, Lisa Gallo, o DNA e a cultura da empresa centenária são seus ativos mais relevantes.

Em entrevista à Forbes, a executiva conta que, nos mais de 130 anos de atuação, a companhia foi capaz de criar uma mentalidade voltada à pesquisa e à criação de produtos. “Com tanto tempo de estrada, nós sempre estivemos na vanguarda da inovação, como, por exemplo, sendo pioneiros no desenvolvimento de cosméticos antienvelhecimento”, afirma. “Faz parte da nossa cultura a curiosidade de acompanhar o que está disponível no mercado, quais benefícios os consumidores estão procurando e como satisfazer essa necessidade com a nossa tecnologia.”

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O primeiro passo para o desenvolvimento de novos produtos, segundo Lisa, é entender o universo de quem está na outra ponta. “Queremos entregar produtos de alta performance, de maneira acessível, e para isso precisamos acompanhar as nossas clientes, que estão sempre em constante mudança”, diz. Por conta disso, o time de inovação da empresa fica bastante próximo ao time de inteligência de negócios e marketing, responsável por realizar pesquisas com os consumidores. “Eu, inclusive, reservo tempo na minha agenda para fazer entrevistas profundas com essas pessoas para aprender o que elas querem e o que é importante, sob seus pontos de vista, em um cosmético.”

A partir das entrevistas com consumidores e consultas de mercado, a segunda etapa no desenvolvimento de um novo cosmético é a criação. Conceitos de produtos são discutidos entre químicos, engenheiros e pesquisadores até chegar em uma primeira fórmula e embalagem. “Saindo do laboratório, voltamos para as clientes para ver se alcançamos o que elas esperavam. É um processo bem colaborativo, de cocriação”, conta Lisa. “Se elas não gostarem, voltamos para a etapa anterior, de gerar novas ideias e criar novas fórmulas, até ser aprovado.” Com o aval dos consumidores, os processos de produção e manufatura têm início.

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A cultura de inovação da Avon, segundo a executiva, não tem como objetivo enriquecer a empresa com uma grande quantidade de patentes. “Nossa estratégia é encontrar e obter concessões de uso exclusivo que sejam importantes para o mercado”, afirma. “A taxa de conversão entre pesquisa e lançamentos de produtos é o que realmente importa e faz valer o investimento. Não quero um monte de patentes penduradas na minha parede.” Hoje, a Avon tem mais de 1.000 patentes em cosméticos, como, por exemplo, a estabilização da vitamina C na pele e a introdução de alfa-hidroxiácidos (AHA) em produtos de skincare.

Todo esse processo de inovação e criação ocorre no centro de inovação da Avon, que fica na região de Suffern, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. Com mais de 20 mil metros quadrados de extensão, o espaço abriga cientistas, engenheiros e químicos que trabalham na produção de fórmulas, cores e fragrâncias de todos os produtos da marca. “É um ambiente muito colaborativo, em que todos participam, desde o desenvolvimento das tecnologias até a comercialização”, diz Lisa. “Toda essa parceria é importante para alavancar conhecimento. Construir algo do zero, usando a experiência de cada um, é uma grande fortaleza da companhia.”

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