Pesquisa sobre afroempreendedorismo no Brasil revela que 48,6% dos negócios ainda não têm faturamento

Luciana Prezia
Luciana Prezia

Nina Silva é a fundadora do Movimento Black Money

O afroempreendedorismo no Brasil é, em sua maioria, feminino, solitário e fortemente ligado ao comércio, à comunicação e à indústria de cuidados. É o que aponta o estudo “Afroempreendedorismo Brasil”, desenvolvido pela RD Station, Inventivos e o Movimento Black Money. Os resultados foram divulgados ontem (30), durante o evento Social Media Day.

“O objetivo da pesquisa é analisar características do empreendedorismo negro no país, tendo em vista que somos a maioria populacional – 56% – e que 40% dos adultos negros são empreendedores”, explica Nina Silva, fundadora do movimento Black Money.

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Realizado de 12 a 21 de maio deste ano, o levantamento ouviu 1.016 pessoas e considerou 701 respostas válidas na análise do preenchimento total da pesquisa. Mais da metade (61,5%) da amostra refere-se a mulheres cis, ante 36,4% homens cis. Os resultados apontam que o afroempreendedorismo negro movimenta cerca de R$ 1,73 trilhão por ano no país e que há uma diferença de renda de 40% entre negros e brancos.

“Quando olhamos para essas mulheres, responsáveis pela renda principal da família, vemos que elas estão ligadas, principalmente, à indústria de cuidados, comunicação e alimento, refletindo assim a nossa herança ancestral de cuidados coletivos e à nossa herança escravocrata, de estar a serviço dos outros”, diz Nina, que criou a Black Money para transformar, educar e fomentar o empreendedorismo negro..

Segundo a pesquisa, 68,25% dos entrevistados têm entre 25 e 44 anos e 61,9% deles possuem ensino superior completo ou mais. “Apesar da alta escolaridade dos respondentes, apenas 15,8% possuem renda familiar superior a seis salários mínimos. Isso coloca a necessidade financeira como o principal motivo para a abertura de negócios. Ou seja, a escolaridade não determina um lugar de oportunidade socioeconômica quando se trata da população negra no Brasil”, explica ela.

De acordo com o levantamento, o acesso ao crédito e o preconceito racial, juntamente com a monetização e as estratégias digitais, estão entre os principais obstáculos para a manutenção e escala dos negócios. Entre as 10 principais indústrias do afroempreendedorismo, estão saúde e estética (14,3%), e-commerce (10,4%), varejo (10,4%), marketing e publicidade (8,4%) e consultoria e treinamentos (8,3%). O ranking também inclui ensino e educação (7,3%), alimentação (7%), mídia e comunicação (6,7%), financeiro, jurídico e serviços relacionados (5,6%) e eventos (5,4%).

“Ao compararmos com a pesquisa sem recorte racial, conduzida em 2020, tecnologia foi a principal área de atuação dos respondentes. No entanto, o segmento nem aparece entre as 10 primeiras no afroempreendedorismo, o que nos leva à pergunta: por que a tecnologia ainda é branca?”, questiona a empreendedora.

Quando perguntados sobre faturamento, 48,6% dos entrevistados responderam que ainda não rentabilizaram seus negócios, e 19,8% faturou de R$ 6.001 a R$ 12 mil. A conclusão do Movimento Black Money é que “há uma grande parcela dos empreendedores vivendo na economia informal e com severas dificuldades em garantir subsistência”.

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