Kristo Käärmann, cofundador da Wise: próximo passo no Brasil é baratear transferências financeiras

Empresa britânica de câmbio está avaliada em US$ 11 bilhões após listagem de ações.

Gabriela Del Carmen
Compartilhe esta publicação:
Divulgação
Divulgação

Kristo Käärmann, cofundador da Wise,falou sobre a recente abertura de capital, as operações da empresa no Brasil e o que muda com a regulação do Banco Central

Acessibilidade


Com mais de 10 milhões de clientes e US$ 7 bilhões processados por mês, a empresa britânica de tecnologia financeira Wise quer facilitar as transferências de dinheiro para o exterior. Seu serviço consiste em uma plataforma global, para pessoas e empresas, por onde os clientes podem converter mais de 50 moedas e enviar quantias em dinheiro para cerca de 80 países em menos de 24 horas.

Em julho deste ano, a companhia fez a sua estreia na Bolsa de Valores de Londres usando o método de listagem direta, ou seja, sem a contratação de um banco para subscrever a transação. A Wise foi avaliada em £ 7,95 bilhões (cerca de US$ 11 bilhões), bem acima das expectativas de mercado, de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões, feitas no início do ano. Com o IPO, tornou-se a maior empresa de tecnologia listada em Londres, considerando valor de mercado. Desde março, atua sob a licença própria de corretora de câmbio concedida pelo Banco Central, o que permite que a empresa opere no país de forma independente e reporte as transações diretamente ao Banco Central.

Siga todas as novidades do Forbes Tech no Telegram

Em entrevista à Forbes, o cofundador da Wise, Kristo Käärmann, falou sobre a recente abertura de capital, as operações da empresa no Brasil e o que muda com a regulação do Banco Central.

FORBES: Neste ano, a Wise recebeu a autorização do Banco Central para operar com licença de corretora de câmbio. Como isso impacta os negócios por aqui?

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Kristo Käärmann: As principais demandas dos nossos clientes são a rapidez com que o dinheiro é transferido, independentemente de onde estiverem, e o custo dos serviços. Ter a licença para operar como corretora nos permite atender aos consumidores diretamente e acelerar o envio de dinheiro. Cerca de 40% dos pagamentos na nossa plataforma são concluídos em menos de 20 segundos. 

Além disso, as transações acabam sendo mais baratas para os clientes, justamente por envolverem menos gente e empresas. Não precisamos pagar os mediadores e, com isso,  o valor das taxas de câmbio cai em 40%.

Para nós, o primeiro passo é a transparência. Os usuários precisam saber o que está envolvido nas transações para poder escolher o serviço mais barato possível. Tendo a transparência, o próximo passo é baratear o processo, algo que conseguimos ao tirar os intermediários e aceitar pagamentos em diferentes moedas. 

F: Diferentemente do que acontece em outros países, a Wise não oferece serviços específicos para as pequenas empresas por aqui. Há planos para atender esse setor?

KK: Na maioria dos países, a Wise atende indivíduos e empresas de qualquer porte. No Brasil, isso é um pouco mais complicado por causa das regulações de câmbio, que exigem um tratamento específico para diferentes tipos de transferências – o que não acontece em praticamente nenhum outro lugar. Para apoiar especificamente os negócios brasileiros, precisamos fazer ajustes. Nossa expectativa é de incluir recursos na ferramenta direcionados para as pequenas empresas, como a possibilidade de emitir cartões de débito,  transferências para PJ e a conta multimoedas. O próximo passo, especificamente no Brasil, é deixar as transferências mais rápidas e baratas. Graças à configuração do licenciamento, não haverá intermediários no processo e, por isso, tudo isso deverá acontecer mais rápido. São elementos importantes, mas não há um prazo para serem implementados. Vai chegar quando chegar.

F: A Wise abriu o capital na bolsa de valores de Londres e optou por uma listagem direta. Por que vocês escolheram seguir com esse método?

KK: No IPO tradicional, a empresa emite novas ações em busca de compradores nos mercados públicos. Antes da negociação começar, a empresa e alguns dos investidores fazem um acordo prévio em relação ao preço das ações. O problema é que, antes de começar a listagem, ninguém sabe qual é o valor ideal para as ações. Se, no final das contas, o preço for mais alto do que o necessário, é ótimo para a empresa, pois ela consegue mais dinheiro do que deveria ter levantado. No entanto, é um péssimo negócio para os investidores. Por outro lado, se o preço for muito baixo, a companhia perde dinheiro.

Para a Wise, era importante que o processo fosse transparente, então optamos pela listagem direta, o que nos permitiu vender as ações sem a intermediação de um banco.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: