Mate Pencz, cofundador da Loft, fala sobre aquisições, competição e preparação para o IPO

Com a compra da CredPago, a startup deve gerar R$ 7 bi anuais em financiamento imobiliário.

Gabriela Del Carmen
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Mate Pencz fundou a Loft ao lado de Florian Hagenbuch, em 2018

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Com o objetivo de aumentar sua presença de mercado e se diferenciar da concorrência, a proptech Loft avança em seu plano de cobrir toda a jornada de compra e venda de imóveis com  aquisições bilionárias, em particular no segmento de fintechs. 

Para alcançar essas metas, conta com a aquisição da CredPago, fintech que oferece serviços de aluguel de imóveis sem fiador. Conforme adiantado com exclusividade à Forbes, a transação de R$ 3,2 bilhões, maior da história da Loft, acaba de receber a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Com a operação, o banco BTG Pactual, que antes detinha 49% da CredPago, passa a ter uma participação de 2% na Loft. 

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“A CredPago segue de forma independente e vamos, aos poucos, integrar os produtos e serviços para os nossos clientes”, diz o cofundador da Loft, Mate Pencz. Em agosto, foi a vez da compra da startup CrediHome, plataforma digital de crédito imobiliário que conecta bancos ao cliente interessado no financiamento imobiliário. Combinadas, as duas empresas vão gerar R$ 7 bilhões em financiamento ao ano.

As aquisições são sustentadas pelos recursos captados na recente série D. Em março deste ano, a Loft levantou US$ 425 milhões do fundo norte-americano D1 Capital, com participação de Tiger Global, Andreessen Horowitz, Silver Lake e Monashees, entre outros. No mês seguinte, a proptech captou mais US$ 100 milhões em uma extensão liderada pelo fundo de venture capital Baillie Gifford, que elevou o seu valor de mercado para US$ 3 bilhões. 

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Segundo Pencz, as empresas parceiras da CrediHome e da CredPago terão acesso aos dados de precificação e históricos de visita já oferecidos pela Loft, o que contribui para um aumento de produtividade dos corretores. “São ferramentas que mudam o atendimento  ao cliente, que passa a receber apoio para negociações, fechamento de contratos e locação de forma 100% digital.”

Em relação a novas aquisições, o executivo diz que tem oportunidades no radar, incluindo atuantes nos diversos estágios da jornada de compra imobiliária. “Vamos continuar investindo no setor com soluções para lares, pois é um mercado de relevância,” diz. Uma das empresas adquiridas pela Loft com atuação em outros segmentos é a Decorati, startup de reformas comprada em 2019. 

LEIA TAMBÉM: Loft fecha extensão de série D e valuation chega a quase US$ 3 bilhões

Embora conte com mais de 25 mil apartamentos ativos à venda em São Paulo e no Rio de Janeiro e mais de 30 mil corretores parceiros nas duas cidades, a Loft atua em  um mercado cada vez mais competitivo. Apenas no ano passado houve um crescimento de 23% no setor de construtechs e proptechs, segundo um estudo da Terracotta Ventures. A imobiliária digital QuintoAndar passou a valer US$ 5,1 bilhões depois de um aporte anunciado em agosto. “O valor de mercado não é o nosso foco principal. O que buscamos é a capacidade de execução dos serviços”, diz Pencz. 

O executivo prevê que a diferenciação virá na combinação entre tecnologia e atendimento humanizado. “Tradicionalmente, a indústria imobiliária não oferece um bom atendimento. Estamos investindo nos corretores e nas imobiliárias como uma alavanca para garantir esse contato com o cliente final”, diz. A Loft usa a tecnologia para conectar as diferentes partes envolvidas na operação: corretores, intermediários bancários e uma equipe de suporte para ajudar os consumidores no momento da compra do imóvel.

PRÓXIMOS PASSOS

Com a recente movimentação financeira da companhia, e investidores que costumam investir em empresas de capital aberto, a Loft abriu o caminho para um futuro IPO (Oferta Inicial de Ações, em português) e acelerou os planos de expansão. “Somos uma companhia brasileira que tem uma ambição global, na América do Sul e fora dela.”

Sobre a decisão de listar no Brasil ou no exterior, o executivo tem observado as tendências do mercado. “A maioria das empresas de tecnologia do Brasil listavam os negócios fora do país. Recentemente, isso tem mudado”, afirma. Considerando o sucesso de IPOs de startups fora do Brasil e, ao mesmo tempo, um crescente fortalecimento da B3 no setor de tech, o empreendedor analisa suas opções. “Acredito que 2022 será um ano histórico em termos de listagem de startups, nacional e internacionalmente.”

Em termos de tendências do setor imobiliário, a Loft trabalha com duas grandes movimentações do mercado. “De um lado, temos as pessoas que procuram aluguel e, do outro, vemos um aumento gradual de clientes buscando a compra e venda”, diz. A saída foi criar uma plataforma que atenda às duas pontas. “No Brasil, o aluguel ainda tem uma penetração baixa [cerca de 15%], o brasileiro tem uma preferência forte pela casa própria e acredito que esse sonho não desapareça, mas temos que estar prontos para os dois cenários.”

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