Bom uso de Deepfake amplia horizontes para o marketing, saúde e entretenimento

Tecnologia baseada em inteligência artificial já é aplicada em campanhas publicitárias, na identificação de doenças e também nas novas dinâmicas de entretenimento híbrido.

Luiz Gustavo Pacete
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A atriz e apresentadora Maísa conversou com sua versão do passado por meio da tecnologia Deepfake em uma ação criada pela Fbiz para a Samsung (Crédito: Reprodução)

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Em um mundo onde fake news tornaram-se um grande desafio não só da comunicação, mas da sociedade, a Deepfake, conjunto de técnicas que permite sintetizar imagens e sons humanos por meio da inteligência artificial ficou associada de forma negativa ou uso não ético. No entanto, a técnica tem utilidades que podem gerar negócios e ampliar possibilidades para empresas. Bruno Sartori, jornalista, humorista e influenciador digital que, há alguns anos, vem evoluindo no uso da técnica, aplica a tecnologia com propósitos orientados a negócios e entretenimento. Recentemente, junto com a agência Fbiz desenvolveu, para a Samsung, um diálogo entre a apresentadora Maísa do presente com sua “versão do passado” recriando expressões e voz.

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“Geralmente, as pessoas pensam no mau uso da Deepfake quando esta tecnologia é o assunto. É uma preocupação bastante legítima, afinal, com ela é possível se criar conteúdo que difame qualquer pessoa. Entretanto, esse tipo de uso criminoso é punível pelo nosso ordenamento jurídico e futuramente, leis especiais para tratar do assunto provavelmente serão criadas. Aos poucos as empresas, principalmente de publicidade e entretenimento, estão percebendo o potencial da tecnologia e buscam formas criativas de utilizá-la”, explica.

Sobre o impacto positivo da tecnologia, Bruno explica que a técnica já é aplicada no setor de saúde, por exemplo, para analisar imagens e detectar diferentes tipos de câncer em uma tomografia computadorizada. “Além disso, a indústria do entretenimento, em um futuro não tão distante, deverá transportar seus usuários para dentro de suas produções. Iremos assistir nossas novelas, filmes e seriados de qualquer serviço de streaming com a família e amigos atuando nesses conteúdos no lugar dos tradicionais atores. Isso com o envio de uma simples foto”, explica.

Haverá, segundo Bruno, um impacto também na comunicação. “A língua deixará de ser uma barreira entre pessoas de qualquer nacionalidade em chamadas virtuais. Será possível conversar com qualquer pessoa do mundo, em tempo real, falando seu idioma nativ”, afirma. Atualmente, a empresa de Bruno desenvolve uma tecnologia para realizar sincronia labial em vídeos, por exemplo. “Com ela, poderemos ajustar a dublagem ao que é visto em cena, tirando o desconforto que normalmente algumas pessoas sentem ao assistir esse tipo de conteúdo e, também, facilitar a leitura labial realizada por surdos. Em paralelo, atendo empresas que desejam utilizar a tecnologia para produzir conteúdos inovadores.”

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“Infelizmente, o fake no nome da tecnologia atrapalha nossa percepção sobre seu impacto positivo. Dentre muitos, posso destacar, por exemplo, conteúdos mais acessíveis ou possibilidades de que pessoas com algum tipo de deficiência facial possam se comunicar de forma mais fluída, por exemplo. As possibilidades são inúmeras”, explica Icaro de Abreu, CCO da Fbiz.

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