O mercado tem olhado mais para o pequeno empreendedor, diz CEO da Conta Black

Sérgio All fala sobre o plano de ESG lançado pela fintech e o ritmo de crescimento do ecossistema de startups no Brasil.

Luiz Gustavo Pacete
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Sérgio All: “percebo que cada vez mais, surgem novas iniciativas, sejam elas da sociedade civil ou em parceria com a iniciativa privada com o intuito de desenvolver um ecossistema mais favorável ao empreendedor preto” (Crédito: Divulgação)

Acessibilidade


A Conta Black anunciou, na segunda-feira, (24), um plano de compromisso relacionado a indicadores ESG (Environmental, Social and Governance). A plataforma, que se denomina um hub de serviços financeiros e de consumo, por meio de uma parceria com a SAP Brasil, criou um documento com as  principais metas relacionadas ao tripé.  Fernanda Ribeiro, cofundadora e  COO da Conta Black, reforça a importância da pauta desde o surgimento da empresa. “Com o crescimento da startup que, em 2021, passou a atuar como hub, percebemos a importância de ter uma governança interna estruturada e focada na responsabilidade com o meio ambiente e um futuro próspero e sustentável, mesmo sendo uma pequena empresa”, explica Fernanda.

O plano inclui compromissos baseados na sigla até 2026 o que inclui:  Environmental (Ambiental): Crédito de carbono. Social: Linhas de créditos especiais. Crédito financeiro e Desenvolvimento de mão de obra e o fomento do empreendedorismo, além de garantias de condições básicas de vida e Governance (Governança): Micro seguros, Planos Assistenciais e Políticas Internas. Para a Forbes Brasil, Sérgio All, CEO da Conta Black, fala sobre a evolução de iniciativas voltadas ao empreendedorismo negro no Brasil e as perspectivas para o ecossistema de fintechs em 2022.

Forbes: A Conta Black nasceu da premissa de atender uma maioria minorizada, o que muda ao oferecer produtos e serviços ante esse desafio e como vocês têm evoluído neste sentido?
Sérgio All: O fato de uma maioria ser tratada como minorizada já é algo preocupante. Isso diz muito sobre o tratamento que ela recebe como consumidora. Hoje, quando olhamos os espaços de inovação das grandes corporações, elas ainda não são ocupadas por pessoas negras. Em boa parte das vezes, elas não se veem em produtos e serviços “de prateleira “. Nesse sentido, a existência de negócios como o nosso se faz necessária para desenvolver soluções que atendam às suas necessidades de maneira personalizada.

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F: Quais foram os desafios para que vocês estruturassem um plano de ESG que resultou nesse anúncio?
SA: Tivemos algumas motivações, sobretudo a necessidade de nos responsabilizarmos pelo nosso impacto em diversos aspectos, para além do social, independente do nosso tamanho. A pauta ESG, hoje é protagonizada pelas grandes empresas, achamos importante nos engajarmos considerando a nossa realidade e a projeção de futuro. Acredito que nosso maior desafio foi fazer essa adaptação para a nossa realidade. Nesse sentido, foi muito importante contar com a parceria com a SAP, que disponibilizou profissionais, em um programa de voluntariado o qual pudemos acessar uma equipe extremamente capacitada para nos apoiar nesse processo.

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F: Como vem evoluindo o apoio ao empreendedorismo negro no Brasil?
SA: Percebo que cada vez mais, surgem novas iniciativas, sejam elas da sociedade civil ou em parceria com a iniciativa privada com o intuito de desenvolver um ecossistema mais favorável ao empreendedor preto. Ainda há muito que avançar, pois essa discussão ainda não chegou em camadas estruturais, tais como o universo de Venture Capital.

F: O quanto existe de oportunidade na perspectiva de médio prazo da Conta Black, sobretudo considerando que o nível de serviços financeiros digitalizados no Brasil ainda é baixo?
SA: Eu acredito que são nos ambientes de escassez encontram-se as maiores oportunidades. Mas é preciso pensar em acessibilidade, nesse cenário onde a oferta de serviços financeiros é gigantesca, vide o interesse do varejo pelo seu filão nesse mercado, estamos olhando para a construção de produtos e serviços financeiros que promovam a educação financeira, inclusão econômica e acessibilidade.

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F: Aliás, como se diferenciar em um segmento que está tão movimentado como o das fintechs, que liderou, inclusive, o volume de aportes recebidos em 2021?
SA: Investir em customização, considerando que os consumidores cada vez mais sabem do seu valor, bem como o poder da sua decisão impacta em um negócio. Temos um olhar humanizado para esse processo, dentro de um cenário onde o cliente, na maioria das vezes, é direcionado ao endividamento, principalmente nesse momento de crise. Criar novas construções, cultura e processos educacionais aliados aos produtos, faz toda diferença nesses casos.

F: Quais as perspectivas para 2022 do ponto de vista de inovações, tendências e, sobretudo, o movimento de aportes dentro do ecossistema de fintechs?
SA: Há uma movimentação do mercado olhando para o pequeno empreendedor, que é um grande vetor da circulação financeira no país. Se observarmos os últimos aportes e aquisições na área de fintech, aconteceram vindos de companhias que estão olhando para essa oportunidade. No que tange novas tecnologias, aposto em inovações que promovam diferenciais na experiência dos clientes, trazendo cada vez mais comodidade para essa relação.

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