O que esperar da relação entre startups e empresas?

De acordo com a Liga Ventures, em 2021, mais de 35 companhias desenvolveram programas de inovação, alta de 130%.

Luiz Gustavo Pacete
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Mais de US$ 288 bilhões foram investidos globalmente em startups no ano de 2021, alta de 61% em relação a 2020 (Crédito: Getty Images)

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O ano de 2021 foi marcado por recordes no investimento global em startups. A demanda por novas tecnologias fez com que, somente no primeiro semestre, mais de US$ 288 bilhões fossem investidos, segundo dados da Crunchbase. Um aumento de 61% em relação ao último recorde, que registrou US$ 179 bilhões investidos no segundo semestre de 2020.

De acordo com a Liga Ventures, somente no ano de 2021, mais de 35 grandes empresas construíram programas e relacionamentos estruturados e recorrentes com startups, um número 130% maior que em 2020. Para Raphael Augusto, Sócio Diretor de Produtos e Inteligência da Liga Ventures, “o mercado já entendeu que se relacionar com startups para explorar oportunidades é condição para uma evolução estratégica dos negócios. O grande desafio agora é transformar estas intenções em ações estruturadas e recorrentes”, afirma.

A busca por este relacionamento com as startups já não é mais prioridade de um único setor, empresas de Saúde, Alimentos, Varejo e até RH estão na lista. Foi o caso de Cia de Talentos, BNDES, Hospital Moinhos de Vento, Banco do Brasil, Banco Carrefour, Mercedes-Benz, Suvinil, Porto Seguro, entre outras.

Para Sofia Esteves, presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos e da startup Bettha.com, o CT Labs, por exemplo, nome dado ao programa de inovação aberta da empresa, foi importante para impactar também a cultura interna. “O que percebemos ao longo do programa é que conseguimos fazer entregas de qualidade ajustando algumas questões para ganhar velocidade. Começamos a refletir se podemos mudar parte de um processo interno para ter uma tomada de decisão mais veloz.”

Cinco tendências na conexão entre empresas e startups em 2022:

De acordo com a Liga Ventures, o que vem se observando é cada vez mais empresas buscando criar ou ampliar seus portfólios de ações de inovação. Isto significa oportunidades que vão desde treinamentos internos, passando por programas estruturados de intraempreendedorismo e o amadurecimento da frente de investimentos. Veja o que estará na pauta dessa relação em 2022, de acordo com Raphael Augusto, Sócio-Diretor de Produtos e Inteligência de Mercados da Liga Ventures:

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1 – A inovação aberta como estratégia

“A essência da inovação aberta é abrir as fronteiras da sua instituição para que ela possa trocar inovações com o ambiente externo. Como resultado, a empresa ganha velocidade, oxigenação e eficiência nos seus processos de criação e transformação, conseguindo inclusive acessar capital humano e novos mercados para além da sua visão atual”

2 – Novas startups nascendo de demandas reais de empresas

“Quando unimos o conhecimento de mercado das empresas com o capital humano e tecnológico dos empreendedores, podemos acelerar e muito do fit de mercado e termos bem próximo um potencial de um novo grande negócio”

3 – A “fintechzação” dos negócios é apenas o começo

“Assim como as fintechs mostraram para o mercado tradicional que elas podem acessar seus clientes de outras formas e com outros objetivos, as tecnologias propostas pelas startups podem abrir muitas outras fronteiras e oportunidades para os negócios tradicionais. Observar e se aproximar das tecnologias emergentes e como elas vêm sendo colocadas à prova pelas startups é importantíssimo para poder desenhar (e entender) o próximo grande passo do mercado.

4 – A corrida pelos investimentos e aquisições

“Os grandes números e cifras de investimentos em startups foram amplamente divulgados este ano. Na outra ponta, cada vez mais os investimentos menores e em estágios iniciais ganham corpo e investidores adeptos a assumirem mais riscos”

5 – Ações de inovação recorrentes e estruturadas

“Durante o período de crise, o que se mostrou evidente foi a diferença de velocidade na entrega de respostas entre umas e outras empresas. Muito deste movimento pode ser justificado pelo quanto a inovação estava já presente nos processos e estratégia das empresas. Empresas que já sabiam como se relacionar e tinham iniciativas estruturadas com startups saíram na frente. É preciso ter uma estratégia de inovação aberta consolidada para conseguir capturar valor sempre que preciso”

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