Investimento em inovação ainda é para poucas empresas no Brasil

De acordo com mapeamento da Fundação Dom Cabral, apenas 50 companhias que atuam no País possuem perfil para o Corporate Venture Capital.

Luiz Gustavo Pacete
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Investir em Corporate Venture Capital requer uma estrutura madura de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, aponta o estudo da FDC (Crédito: Getty Images)

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Investir em inovação no longo prazo: a premissa do Corporate Venture Capital (CVC) demanda recursos, planejamento e, sobretudo, o comprometimento da alta gestão. E no Brasil, apostar em inovação de forma concreta requer caixa e disponibilidade para assumir riscos. Levantamento realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC), mapeando o perfil do CVC no Brasil, constatou que essa prática ainda é para poucas empresas que atuam no país.

Foram identificadas, pela FDC, apenas 50 companhias com perfil para CVC no Brasil. Isso inclui faturamento acima de R$ 1 bilhão e uma taxa de retorno mínima de 10% mediante alocação de capital em startups. “O CVC, definitivamente, não é para pequenas empresas dada a complexidade e a energia necessária para direcionar a esse tipo de relação entre empresas e startups”, explica Hugo Tadeu, professor e diretor do núcleo de inovação e empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

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“Muitas empresas têm buscado a prática do CVC para inovar ainda mais, destacando a opção pela ruptura tecnológica. No entanto, as nossas pesquisas sugerem que esta atividade ainda é restrita para grandes empresas, com faturamento alto e equipes dedicadas, como primeiro resultado interessante. Na sequência e antes de pensar no tema, reflita o quanto a sua organização tem uma gestão adequada das práticas de inovação, passando por P&D, estratégia corporativa alinhada aos objetivos inovadores e resultados concretos. Finalmente, muita atenção ao selecionar startups, destacando um bom nível de maturidade e visão de longo prazo”, explica Hugo Tadeu.

Divulgação/Magazine Luiza
Divulgação/Magazine Luiza

A Magazine Luiza foi a empresa que mais comprou startups na América Latina nos últimos anos (Crédito: Divulgação)

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O desafio de atuar com startups

Outra constatação do estudo é o baixo nível de maturidade de algumas das startups analisadas, mesmo considerando que o Brasil possui um dos ecossistemas mais sofisticados da região. “Existem dois desafios, encontrar startups maduras sob vários aspectos e a própria compreensão das grandes empresas sobre o que é CVC. Neste contexto, a principal tendência é o retorno ao básico. Antes de pensar na inovação de ruptura tecnológica e estruturar uma agenda do CVC, tenha uma inovação organizada na sua empresa, trazendo resultados e indicadores de sucesso”, afirma Hugo Tadeu.

Quais as empresas que mais investem em startups no Brasil?

Outro estudo, o da Sling Hub, mostrou que a Magazine Luiza foi a empresa que mais comprou startups na América Latina nos últimos anos, acompanhada de Mercado Livre, B2W, Locaweb e Méliuz. O estudo reuniu dados de 24,5 mil startups e 656 investidores na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai. No montante, Magazine Luiza comprou 25 startups nos últimos anos, seguida por Linx, 17, Locaweb, 16, iFood, 13, B2W, 11, Vtex, 9, Méliuz, 7 e Mercado Livre, 7.

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