Ex-O Aprendiz e Shark Thank, best-seller brasileira revisita o poder da argumentação

Empreendedora e fundadora de startups como a b.pass, Maytê Carvalho lança novo livro, o “Ouse Argumentar”

Luiz Gustavo Pacete
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Maytê Carvalho: “Vivemos na era da exponencialidade, do trabalho assíncrono e remoto, onde as esferas do pessoal e privado se tornam cinzas e muitas pessoas estão aprendendo a ressignificar a liderança”

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Com seu primeiro livro, “Persuasão – como utilizar a retórica e a comunicação persuasiva na sua vida pessoal e profissional”, a empreendedora brasileira Maytê Carvalho colocou em perspectiva a importância de que ideias sejam defendidas com clareza. Um elemento-chave principalmente para empreendedores que disputam investimentos em um cenário competitivo e cada vez mais diversificado.

Agora, pela Editora Planeta, Maytê lança um novo livro, dessa vez com foco em trazer novas perspectivas sobre o poder da argumentação, o “Ouse Argumentar – comunicação assertiva para sua voz ser ouvida”. O livro tem o prefácio de Leandro Karnal. Além de escritora, Maytê é fellow researcher no Instituto de Tecnologia e Inovação de Berkeley Global Society. Professora na ESPM e na Casa do Saber, além de diretora de estratégia de negócios na TBWA Los Angeles. Foi vencedora da edição especial do reality O Aprendiz em 2008 e também conquistou investimento de Camila Farani no programa Shark Thank em 2016.

Forbes Brasil – Pode contar um pouco sobre a trajetória do início ao término do livro, o que te inspirou e o que te levou a falar sobre o tema?
Maytê Carvalho – Leciono Persuasão e Retórica desde 2017, sou fellow researcher na Berkeley Global Society e percebi em minhas aulas a necessidade de abordar o tema de uma forma pragmática, para além do eruditismo acadêmico. Argumentar e defender com clareza suas ideias é a chave do sucesso em qualquer campo. Na parede do escritório de um dos homens mais ricos do mundo, Warren Buffet, o único diploma que ele mantém pendurado é um certificado de vencedor de uma competição de debate e oratória. Isso diz muito. É com a força da nossa voz que conseguimos transmitir nossas ideias e convicções.

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FB – Qual o papel não óbvio da retórica?
Maytê – Como o Karnal pontua no prefácio do meu novo livro, Retórica e Democracia são termos gregos e nossa maneira de entender seus conteúdos, até hoje, passa pelo pensamento helênico. Um cidadão clássico era um indivíduo pleno quando podia falar aos outros na Ágora. Qual é a ágora da contemporaneidade? Redes sociais. Reuniões corporativas. Grupos de WhatsApp. Ouse Argumentar é uma obra sobre a arte de argumentar e de elaborar falas públicas. Contém técnicas práticas. O livro oferece frameworks e conteúdo didático para preparar o leitor para os desafios da argumentação na contemporaneidade.Quais os recursos que você pode lançar mão para estruturar sua fala? Você precisa ter opinião clara e direta a respeito de tudo? Como defender uma ideia no ambiente corporativo de forma convincente? Como analisar os diversos estilos de pensamento e utilizá-los a seu favor? Como evitar o adversário abusivo ou, termo sofisticado, o argumento solipsista? Como escapar de discursos pessoais e debates polêmicos com negacionistas? Como se estrutura o debatedor que usa o recurso passivo-agressivo?

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FB – Pode comentar um pouco da repercussão do seu primeiro livro e como eles se complementam?
Maytê – Meu primeiro livro, lançado pela editora Buzz, foi o meu debut no mundo editorial e chegou a vender mais cópias que Pai rico e pai Pobre no ultimo trimestre de 2020. Meu primeiro livro era mais utilitarista, um “how-to” com conteúdos densos (Retórica aristotélica e Semiótica) de uma forma digestível e acessível. O segundo livro complementa o primeiro no sentido de ser o próximo passo para utilizar as técnicas aprendidas no primeiro, oferecendo arcabouço teórico e prático no mundo corporativo e na vida pessoal. Passa por psicodinâmica vocal, journaling, abrange não somente a Retórica (conteúdo) mas oratória, a forma como se fala o que se fala. De grandes líderes políticos a influenciadores digitais que mobilizam milhares de pessoas nas redes sociais, quem domina o poder da fala e exerce a capacidade retórica é capaz de definir o destino de sua vida e da comunidade em que está inserido. Em um mundo em que muitos se pautam nos achismos, provoco o leitor a ousar defender de forma lógica seu ponto de vista. Ousar questionar. Ousar debater. Ousar expressar sua visão de mundo, apropriando-se do poder das palavras em alto e bom som.

FB – Muda muito as maneiras de se argumentar tendo em vista o momento dinâmico que vivemos tanto na ressignificação da liderança como nas novas dinâmicas de trabalho?
Maytê – Sim. Vivemos na era da exponencialidade, do trabalho assíncrono e remoto, onde as esferas do pessoal e privado se tornam cinzas e muitas pessoas estão aprendendo a ressignificar a liderança dos seus times para uma estrutura de governança organizacional mais horizontal e menos vertical. Liderar é comunicar. Um bom líder é antes de tudo, um bom comunicador. Veja Alexandre o Grande, mentorado de Aristóteles desde os 14 anos: sua habilidade retórica possibilitou que ele conquistasse hegemônica política. A linguagem é uma ferramenta potente e anda de mãos dadas com o poder. Historicamente, os maiores líderes da humanidade usam o poder da palavra para que sejam realizadas transformações sociais. Martin Luther King, Mandela, Michele Obama, Greta Thunberg. Você é sujeito da sua vida ou só responde demandas? O que você quer? Como você fala? Você expressa sua opinião e ponto de vista ou se cala numa reunião? Muito se fala em disrupção e inovação nas empresas, mas como comunicar mudança em um ambiente de incertezas? O livro endereça estas questões de uma forma acessível e pragmática, não somente entre líderes e liderados, mas para com fornecedores, stakeholders e parceiros de negócio em geral.

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FB – Quais são as principais barreiras que ainda impedem uma pessoa de exercer sua capacidade de argumentar e como lidar com essas barreiras?
Maytê – As pessoas têm falado muito sobre vulnerabilidade em Ted talks e na literatura corporativa, mas o ser-humano tem pavor em estar vulnerável. Argumentar passa por desenvolver um arcabouço e uma capacidade cognitiva de se sentir confortável em estar numa posição de vulnerabilidade. Tem uma pesquisa de 2015, do jornal britânico Sunday Times, que realizou um estudo sobre o medo das pessoas de falar em público. Esse temor é maior até mesmo que o de problemas financeiros, doenças e morte. Dos três mil entrevistados no Reino Unido, 41% responderam que o medo de falar em frente a pessoas é o maior. Ao descobrir sua voz e se apropriar da sua capacidade retórica, é possível sublimar o medo de se expor em público. É uma técnica e pode ser aprendida, e o livro te dá as ferramentas necessárias para enfrentar essa vulnerabilidade e transformá-la em potência.

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