Projetos levam games e imersão para as favelas do Rio e São Paulo

Afrogames, CUFA e Gerando Falcões são algumas das iniciativas recentes que ilustram a tecnologia como agente de mudança criativa

Luiz Gustavo Pacete
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Divulgação

O AfroGames usa os games para levar tecnologia e formação para os jovens do Rio de Janeiro

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Pouco mais de 8% da população brasileira vive em favelas, cerca de 17,1 milhões de pessoas que produzem capital criativo, empreendedor e uma economia que movimenta quase R$ 120 bilhões por ano, de acordo com o Instituto Locomotiva. Neste contexto, as favelas se tornaram hubs de empreendedorismo, negócios e iniciativas com muita tecnologia. Projetos da  CUFA, Afrogames e Gerando Falcões relacionados  à tecnologia vêm trazendo novas perspectivas.

De acordo com Ricardo Chantilly, fundador do AfroGames, iniciativa que forma profissionais especializados em tecnologia através dos games no Rio de Janeiro, explica que o projeto ultrapassou um total de 163 alunos e vem mostrando que é possível levar o bilionário mundo dos games para a favela. “A gente sempre fala que nossa ideia é conseguir formar seres humanos, queremos formar cidadãos. A gente já tem exemplos aqui na casa de jovens que estão botando em prática tudo o que aprenderam com a gente, principalmente na programação de jogos com várias alunas que já estão trabalhando no mercado”, destaca.

Leia mais: Edu Lyra leva o projeto Favela X para o mundo virtual de Roblox

O projeto já desenvolveu parcerias com startups como a Player1, da Globo e com a Ambev, que também é patrocinadora.  Celso Athayde, CEO da Favela Holding, que realizou a Expo Favela em abril, destaca que a favela tem no empreendedorismo sua principal característica de potência e inovação. “Na Expo Favela, a gente divulgou a pesquisa Um País Chamado Favela. Dados do levantamento mostraram que 76% dos moradores de favelas têm, tiveram ou pretendem ter um negócio próprio; que 50% dos moradores de favela se consideram empreendedores e 41% têm negócio próprio (desses, apenas 37% têm CNPJ). E mais: 57% abriram o próprio negócio por falta de outras alternativas de renda”, destaca.

Em relação ao papel da inovação, Celso reforça: “eu já acreditava que esse movimento era importante, mostrar que o Brasil e principalmente dentro das favelas temos muita coisa que pode ganhar o mundo. Os outros países estão conhecendo o que eu conheço há mais de 20 anos. Dados do nosso estudo destacam que no Brasil temos 13.151 favelas em todo País e estima-se uma população de 17,1 milhões de pessoas morando em favelas em todo o Brasil. É muita gente com potencial, muita gente com ideias inovadoras e capaz de fazer a diferença no mundo dos negócios. Não sou eu que estou falando. Os números que reforçam isso: todos precisam conhecer que na favela tem muita coisa boa, gente criativa, que não perde para nenhuma pessoa que teve acesso a uma boa educação do asfalto.”

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A favela no Roblox

Recentemente, a Gerando Falcões, de Edu Lyra, anunciou outro projeto ligado à inovação. Em parceria com a Accenture Interactive, foi lançado, em maio, o Missão Favela X, um game desenvolvido dentro da plataforma Roblox, atualmente, uma das maiores em termos imersivos. O evento de lançamento foi na Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos. A missão do game é permitir que o jogador atravesse diferentes níveis (infraestrutura, educação, cultura, tecnologia) para chegar na sala de controle de um foguete espacial, em alusão ao Elon Musk. Em suas entrevistas e provocações, Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, reforça o desafio direcionado para Musk, de acabar com a pobreza das favelas antes de Marte ser colonizado.

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