4 maneiras de impulsionar os negócios com modelos "as a service”

Um relatório global da consultoria IDC prevê que até 2024, mais de 75% da infraestrutura e dos aplicativos e mais da metade da infraestrutura do data center serão consumidos como serviço

Luis Gonçalves
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Richard Newstead/Getty Images
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“Na era da computação em nuvem que vivemos hoje, existem vários motivos para a incorporação de uma abordagem “As a Service””

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A tecnologia digital tem impulsionado quase todos os aspectos da nossa vida, tanto nos negócios como na nossa rotina diária. Nos últimos 18 meses, também testemunhamos o importante papel que a tecnologia passou a desempenhar ao permitir que as empresas pudessem se adaptar às condições impremeditadas de mercado com rápidas mudanças, podendo não só sobreviver, mas também continuar suas jornadas de inovação e crescimento.

No entanto, na mesma medida em que vemos avanços significativos e com adesão em larga escala, como restaurantes implementando QR codes para seus cardápios e pagamentos e hospitais oferecendo mais opções de atendimento via telemedicina, as empresas também precisam enfrentar o desafio de aumentar a complexidade de suas infraestruturas. No futuro, a forma como as organizações gerenciam suas infraestruturas de TI será tão importante quanto os sistemas modernos que a alimentam.

As empresas estão cada vez mais adotando uma abordagem de “As a Service”, ou seja, tudo como serviço, também para a TI. Os benefícios de um modelo como serviço são claros: maior agilidade da equipe de TI, transformação digital simplificada e redução das cargas de trabalho de TI de baixo valor.

Um relatório global da consultoria IDC prevê que até 2024, mais de 75% da infraestrutura e dos aplicativos e mais da metade da infraestrutura do data center serão consumidos como serviço. Outro estudo, realizado pela IDC Brasil, aponta que a Infraestrutura como Serviço na América Latina (Iaas) chegará a US$ 8,5 bilhões em 2024.

Na era da computação em nuvem que vivemos hoje, existem vários motivos para a incorporação de uma abordagem “As a Service” nos rumos de modernização de qualquer empresa. Abaixo vou elencar quatro destes motivos que irão ajudar a impulsionar os negócios:

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1) Economia para inovar de maneira mais inteligente

Desde o início da pandemia, as empresas tiveram que reformular os seus orçamentos de forma rápida e drástica, e muitas tiveram que reduzir seus gastos como um todo. Quando uma empresa passa a consumir TI conforme a sua necessidade, por meio de um modelo “As a Service”, fica mais fácil rastrear quais projetos estão ou não funcionando conforme o planejado. Por sua vez, isso ajuda as empresas a saber como e onde poderão evitar gastos adicionais.

Por exemplo, uma empresa de tecnologia que investe em Inteligência Artificial terá muitos benefícios. Com muitos projetos em andamento, o financiamento passa a ser um desafio sem visibilidade sobre quais deles estão sendo executados com sucesso. Se o CapEx (Capital Expenditure, ou seja, despesas de capital) dos projetos não for aprovado durante o cronograma de planejamento do orçamento anual, eles devem passar por um processo de aprovação com o CFO. Esse processo costuma ser lento e complicado, com resultados incertos. Com um modelo “As a Service”, a empresa pode aprovar mais facilmente gastos para projetos bem-sucedidos sem justificar um grande dispêndio de capital.

2) Obter mais acesso a dados no Edge

De assistência médica digital em hospitais a manufatura inteligente, as implantações de ponta (Edge Computing) são incrivelmente diversificadas e cada vez mais comuns. De acordo com o Gartner, no momento cerca de 10% dos dados corporativos são criados e processados fora das nuvens e data centers centralizados, e em 2025 esse número deve saltar para 75%. Já a IDC aponta que, até 2023, mais de 50% da nova infraestrutura de TI implementada estará na borda, ao invés dos data centers corporativos e, até 2024, o número de aplicações na borda aumentará 800%.

Uma abordagem “As a Service” ajuda, então, a remover as limitações das implantações de borda. As empresas que encontram valor nos dados que acessam fora de seus data centers também estão tentando descobrir como aproveitá-los ao máximo. Com adesão ao As a Service, as empresas podem colocar sua infraestrutura onde extraem o máximo valor e utilizar apenas os recursos de que precisam.

Para explicar um exemplo prático: Em empresas ferroviárias, a manutenção é crítica para manter os trens funcionando. Se um trem atrasar para os reparos, provavelmente deverá esperar que os outros trens terminem de usar os trilhos antes de continuar sua jornada; tendo um efeito cascata na lucratividade. A manutenção tem um impacto significativo nos prazos de entrega, na satisfação do cliente e nos custos.

Mudando para um modelo “As a Service”, uma empresa ferroviária passou a ser capaz de construir locais de borda ao longo dos trilhos que inspecionam visualmente os vagões em tempo real conforme eles passam por estações de monitoramento ao longo dos trilhos. Como resultado, eles reduziram 16 horas de inspeção para oito minutos sem que o trem precisasse parar.

3) Recursos de pagamento por uso tornam as cargas de trabalho variáveis menos desafiadoras

É comum que as empresas tenham variabilidade da carga de trabalho. Por exemplo, algumas cargas de trabalho seguirão uma programação de trabalho diária, como infraestrutura de desktop virtual (VDI), sistemas de RH e acesso de identidade e sistemas de gerenciamento, que são mais utilizados durante o horário de trabalho dos funcionários. Por outro lado, o processamento de log tende a acontecer à noite, quando os funcionários estão offline.

Outra carga de trabalho variável é a utilização cíclica, em que os sistemas reconhecem tendências em torno dos ciclos semanais, mensais ou anuais. Por exemplo, os sistemas de contabilidade e vendas têm cargas pesadas no final de cada mês, trimestre e ano fiscal. Essas cargas de trabalho podem ser altamente utilizadas, esgotando os recursos durante seu tempo de ciclo crítico.

Em ambos os casos, a utilização média costuma estar bem abaixo do ideal. Adotar um modelo “As a Service” e pagar apenas pelos recursos usados torna mais eficaz a execução de cargas de trabalho variáveis enquanto otimiza a utilização da infraestrutura. Isso elimina as suposições do planejamento e o risco de estar errado.

4) Quando a TI é ágil, o negócio também é

As equipes de TI também devem ser adeptas ao lema de “menos é mais”. É péssimo ter equipes que gastam recursos preciosos apenas para manter os sistemas funcionando. Os serviços gerenciados ajudam a TI a liberar recursos para inovar e trabalhar em novos projetos que beneficiem os clientes, como melhorar os SLAs e aumentar os SLOs. Com a infraestrutura como serviço (IaaS), a TI pode minimizar o impacto ambiental, o que significa que as equipes de TI não precisam lidar com o descomissionamento de hardware antigo, pois o provedor de serviço é o proprietário do hardware.

Ter a capacidade de mapear recursos de computação para projetos com precisão ajuda a eliminar grande parte da rotina de experiências de trabalho de TI de “manter as luzes acesas” e torna mais fácil dimensionar equipes. As empresas estão cada vez mais buscando expandir a adoção como serviço para se concentrar no que é mais importante para seus negócios: entregar resultados de negócios e valor para os clientes.

É seguro dizer que o modelo como serviço é o futuro da empresa moderna. Os quatro benefícios descritos acima são apenas uma prévia do que pode ser alcançado quando se escolhe uma abordagem OpEx (despesas operacionais) versus CapEx (despesas de capital) para TI. Continuaremos a ver uma maior adoção de IaaS em estratégias de negócios na próxima década, à medida que as empresas criam flexibilidade e identificam oportunidades de inovação em seus negócios.

Luis Gonçalves, Líder da Dell Technologies na América Latina

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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