Conab estima saca de café no Brasil em 48,8 milhões de sacas, queda de 22,6%

O total de cafezais em formação está em alta de 41,4%, o que deverá impulsionar a colheita brasileira nos próximos anos.

Redação
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REUTERS/Amanda Perobelli
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O total de cafezais em formação está em alta de 41,4%, o que deverá impulsionar a colheita brasileira nos próximos anos

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A safra de café do Brasil em 2021 foi estimada hoje (25) em 48,8 milhões de sacas de 60 kg, perto do ponto mais alto da estimativa de janeiro, de 43,85 milhões a 49,58 milhões de sacas, apontou a estatal Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em seu segundo levantamento sobre a temporada.

Caso a estimativa seja confirmada, a colheita no maior produtor e exportador global de café cairá 22,6% ante o recorde de 63,08 milhões de sacas do ano anterior, com a seca reduzindo a produção de grãos arábica, a principal variedade produzida no Brasil, que está em 2021 no ano de baixa de seu ciclo produtivo bianual.

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“Os efeitos fisiológicos observados em diversas regiões produtoras neste ciclo, bem como as condições climáticas adversas registradas em muitas localidades, influenciaram diretamente nessa perspectiva. Essa influência se deu tanto na redução do rendimento médio como na diminuição da área em produção”, afirmou a Conab em relatório.

A produção de café arábica foi estimada em 33,365 milhões de sacas, ante estimativa prévia que variava de 29,7 milhões a 33 milhões de sacas. Se confirmada a previsão, será uma redução de 31,5% ante 2020.

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Já a safra de café canéfora (robusta/conilon) foi projetada em 15,44 milhões de sacas, contra intervalo de 14,13 milhões a 16,6 milhões de sacas na projeção anterior. Assim, na comparação anual, a produção dessa variedade cresceria 7,9%, colaborando para amenizar a redução esperada na colheita de arábica.

A área total de produção de café do Brasil, incluindo arábica e canéfora, foi estimada em 1,82 milhão de hectares, queda de 3,2% ante 2020, segundo a Conab. Com a colheita já em andamento, a estimativa inicial para produtividade média nacional ficou em 25 sacas/hectare, indicando redução de 25,4% em comparação à safra anterior, pressionada pela queda nas lavouras de arábica.

A Conab lembrou que, nos ciclos de bienalidade negativa do arábica, os produtores costumam realizar tratos culturais mais intensos nas lavouras, promovendo algum tipo de manejo como poda, esqueletamento ou recepas em áreas que só entrarão em produção nos próximos anos – essas atividades também reduzem a colheita no ciclo atual.

Área em formação

Se a área em produção de café está em queda, o total de cafezais em formação está em alta de 41,4% na comparação com o ciclo anterior, para 392 mil hectares, o que deverá impulsionar a colheita brasileira nos próximos anos, disse o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, ao comentar os números em evento transmitido pela internet.

“A maior área em formação é indicativo que teremos no futuro uma boa produção de café, considerando áreas novas que foram renovadas, que têm tecnologia mais apurada, variedades mais produtivas. Quando entrarem em produção, vamos ter uma safra de café com boa qualidade”, destacou Farnese.

Para a safra atual, o diretor do ministério destacou que o número da Conab é muito próximo do de 2019 (49,3 milhões), o último ano de baixa de produção do arábica, apesar de preocupações do setor produtivo de uma queda muito maior do que o normal em função da prolongada seca em 2020.

De qualquer forma, ele ressaltou que a projeção dá um sinal de que haverá “de fato” menos café no mercado, o que sustentará os preços.

Os contratos futuros do café arábica em Nova York estão operando perto de máximas de quatro anos, já refletindo a produção menor do Brasil. Uma hora após a divulgação da pesquisa da Conab, os preços na bolsa ICE subiam 1%, para US$ 1,506 por libra-peso.

Embora a queda na produção em 2021 limite a disponibilidade de café para exportação no Brasil, a taxa de câmbio elevada e os preços internacionais atrativos deverão manter o estímulo às vendas externas, pontuou a Conab.

Outro fator que poderá contribuir para manter os embarques brasileiros em patamares elevados é a perspectiva de recuperação do consumo de café fora de casa à medida que o controle da pandemia do Covid-19 avança em muitos países, afirmou a estatal.

Avaliação nos estados

A Conab estima uma queda de 32,6% na produção de Minas Gerais, maior produtor brasileiro, para 23,3 milhões de sacas.

“As operações de colheita já começaram em algumas regiões do Estado, e a perspectiva geral é de diminuição na destinação de área para produção neste ciclo, além de decréscimo no rendimento médio da cultura, tanto pelos efeitos da bienalidade negativa bem como pela escassez e irregularidade das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras”, disse a Conab, sobre o maior produtor de café arábica.

No Espírito Santo, líder em produção de café conilon, a estimativa de produção total (incluindo arábica) é de 13,63 milhões de sacas, queda anual de 2,4%. Os capixabas deverão produzir 3,2 milhões de sacas de café arábica (ante 4,8 milhões em 2020) e mais de 10 milhões de conilon, com alta de cerca de 1 milhão de sacas na comparação anual.

São Paulo, terceiro produtor de café no Brasil, deve alcançar a produção de 4 milhões de sacas, indicando redução de 35% em comparação ao resultado de 2020. (com Reuters)

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