Culturas de Inverno: produzidas agora no campo, elas estão na sua refeição todos os dias do ano

Chenpinlin/Gettyimages
Chenpinlin/Gettyimages

Além de serem opções resistentes ao frio, as culturas de inverno, como o trigo, são opções rentáveis e trazem benefícios para o plantio de verão

A aveia na mesa da manhã, o trigo do pão de todos os dias, a energética farinha de centeio, a cevada que pode tomar o lugar de um bom “cafezinho” e também servir de matéria-prima para a cerveja, além do leve óleo de canola e até o triticale, um cereal híbrido que é resultado da junção do trigo e do centeio – e que animais como galinhas, porcos e bovinos apreciam no cocho –, vêm de plantas que precisam ser plantadas agora, embora elas estejam nas prateleiras à disposição do consumidor o ano todo. Desde meados de junho, com a chegada do frio, os produtores rurais correm para colocar as sementes na terra e garantir a colheita da safra em alguns meses.

Essas são as chamadas culturas de inverno, que o Brasil, embora seja um país tropical em sua maior área, conta com as terras sulinas propícias a esses plantios especiais. Em qualquer viagem ou passeio ao Sul vale a pena visitar uma fazenda para conhecer a origem de grãos tão adorados. Eles fazem bem à saúde e garantem a renda dos agricultores que labutam contra o frio para colher a melhor safra possível.

LEIA TAMBÉM: Basf cria plataforma para se aproximar do produtor e faz pré-estreia com tecnologia de proteção de lavouras

Vale lembrar que as geadas podem colocar por terra a produtividade das fazendas, como ocorreu neste ano com as recentes baixíssimas temperaturas. Elas vêm ameaçando a colheita da safra e por ora é esperar o impacto, porque os produtores mantêm o trabalho em dia. Além de serem resistentes ao frio, as culturas de inverno são opções rentáveis e trazem benefícios para o plantio de verão, porque a palhada que fica nas áreas de lavouras protege o solo e o torna mais fértil durante a temporada de calor seguinte, num ciclo virtuoso de sustentabilidade.

No início deste mês, no mais recente levantamento de safra da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), empresa empresa vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a estimativa é que os produtores plantem até 3,2 milhões de hectares das culturas de inverno, ante 2,9 milhões na safra passada, o que equivale a um crescimento de 9,2%.

Caso a geada não atrapalhe muito, a produção pode alcançar 10 milhões de toneladas, um recorde no volume colhido. Na safra 2020/21, a estimativa para o total geral de culturas é de 68,8 milhões de hectares e 260,8 milhões de toneladas colhidas de cerca de 20 diferentes grãos e cereais\s.

Na galeria abaixo, conheça mais os detalhes de cada uma das culturas de inverno e confira as estimativas Conab para cada uma delas na safra 2020/21:

  • Trigo

    Com produção prevista em 8,48 milhões de toneladas para a safra 2020/21, a cultura do trigo foi a que mais cresceu desde a safra 2014/15, quando a produção foi de 7 milhões de toneladas. Dependente de muita importação, principalmente da Argentina, a Embrapa criou o projeto Trigo Tropical para implementar a produção desta cultura no Cerrado, além da região Sul. Segundo Osvaldo Vieira, analista da Embrapa Trigo, o objetivo é alcançar a marca de 323 mil hectares cultivados na região até 2023, o que diminuiria em R$ 450 milhões o déficit da balança comercial do grão.

    Wenderson Araujo/Trilux/CNA
  • Aveia

    Com produção prevista em 1.027,7 mil toneladas na safra 20/21, a aveia é a segunda cultura de inverno que mais cresceu no Brasil desde a safra 14/15, quando foram produzidas 448,2 mil toneladas. O aumento neste ano pode ser um reflexo do “Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grão” lançado pelo governo de Santa Catarina em maio deste ano. Com investimentos de R$ 5 milhões, a secretaria da agricultura do estado ajudou o produtor de cereais de inverno com subsídios que se aproximam a metade do valor atual da semente. O objetivo do programa é reduzir a dependência do milho na região.

    Luiz Magnante/Embrapa
  • Canola

    A canola, utilizada para produção de óleos comestíveis, possui uma produção estimada de 61,1 mil toneladas na safra 2020/21. Embora o Rio Grande do Sul seja o maior produtor do país, existem iniciativas para o plantio desta cultura de inverno em outras regiões. Uma delas é o projeto de teste no Distrito Federal, realizado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) com a secretaria de agricultura local. Oferecendo “orientações técnicas e assistência para o cultivo”, já foram testados 100 hectares no projeto “Pró-Canola” com resultados positivos. O rendimento médio foi de 2 toneladas por hectare na primeira colheita, no começo de julho. A previsão para esta safra nas áreas tradicionais de plantio está em 1,56 tonelada por hectare.

    Wenderson Araujo/Trilux/CNA
  • Triticale

    Cereal criado pelo homem, fruto da hibridação do trigo e do centeio, a previsão para a produção de triticale na safra 2020/21 é de 47,9 mil toneladas. Embora não ofereça tanta energia quanto o milho, o cereal pode ser utilizado na criação de rações para aves e suínos. Conforme estudos da Embrapa, é possível substituir o milho pelo triticale na ração de suínos em até 100% e para aves em até 85%. O cereal híbrido também traz os benefícios dos dois grão que o originam: é extremamente produtivo e ainda mais acessível para o bolso do produtor. A Embrapa também afirma que “a tendência para os próximos anos é de crescimento da área” do cereal no Brasil, incluindo os bovinos na demanda pelo grão.

    Alfredo do Nascimento Junior/Embrapa
  • Centeio

    Também impactado pelo “Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grão”, o centeio possui grande resistência ao frio em comparação aos outros cereais de inverno. Além de servir à alimentação, na fabricação de pães e biscoitos, diretamente ou em pré-misturas, o grão serve como forragem na alimentação animal, principalmente para o gado de leite. “Se a intenção de cultivo for para alimentação animal ou cobertura de solo através da produção de massa verde, a semeadura poderá ser realizada logo após a colheita da soja, no final do mês de março até abril/maio”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo, Alfredo do Nascimento Junior. Para a safra 2020/21, a produção é estimada para 9,5 mil toneladas (quase 6 toneladas a mais do que a safra 2014/15).

    Alfredo do Nascimento Junior/Embrapa
  • Cevada

    Resistente à seca e ao frio, a cevada é uma cultura extremamente versátil. Além de ser uma ótima forragem verde e ração para animais, pode ser utilizada na produção de uma bebida similar ao café e, claro, para a malteação no processo de produção de cervejas. Em 2020/21, a safra prevista é de 424,1 mil toneladas, volume que deve aumentar drasticamente em 2023, pois as cooperativas Agrária, Bom Jesus, Capal, Castrolanda, Coopagrícola e Frísia irão inaugurar uma maltaria que aumentará a produção em 50 mil hectares. Hoje, o Brasil conta com 105,6 mil hectares cultivados.

    Paulo Kurtz/Embrapa

Trigo

Com produção prevista em 8,48 milhões de toneladas para a safra 2020/21, a cultura do trigo foi a que mais cresceu desde a safra 2014/15, quando a produção foi de 7 milhões de toneladas. Dependente de muita importação, principalmente da Argentina, a Embrapa criou o projeto Trigo Tropical para implementar a produção desta cultura no Cerrado, além da região Sul. Segundo Osvaldo Vieira, analista da Embrapa Trigo, o objetivo é alcançar a marca de 323 mil hectares cultivados na região até 2023, o que diminuiria em R$ 450 milhões o déficit da balança comercial do grão.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).