Agricultura Regenerativa: a próxima grande tendência no varejo de alimentos

Saiba como grandes empresas do setor estão adaptando suas produções de olho em consumidores que desejam sistemas de produção que cuidam da saúde das pessoas e do planeta.

Jack Uldrich
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Práticas de agricultura regenerativa deverão ser, cada vez mais, uma exigência do consumidor

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Em 2019, a General Mills, fabricante de Cheerios, Yoplait e Annie’s Mac e Cheese (entre outros produtos), anunciou que começaria a comprar uma parte de seu milho, trigo, laticínios e açúcar de agricultores que estão engajados e comprometidos no avanço da prática da agricultura regenerativa em um milhão de acres (404,6 mil hectares) de terra até 2030. No início de 2020, a Whole Foods anunciou que a agricultura regenerativa seria a tendência alimentar nº 1 e, apesar da pandemia e do rápido crescimento das compras online ofuscando a tendência, o interesse por esse tipo de produto ainda assim aumentou em 138%.

Mais recentemente, a PepsiCo anunciou que estava adotando práticas de agricultura regenerativa em 7 milhões de acres (2,83 milhões de hectares) de suas terras agrícolas. A Cargill declarou que pretende fazer o mesmo em 10 milhões de acres (4,04 milhões de hectares) até 2030, e o Walmart se comprometeu a promover a prática em 50 milhões de acres (20,2 milhões de hectares). Outras empresas que buscam a agricultura regenerativa são Danone, Unilever, Hormel, Target e Land O’Lakes.

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Para aqueles que pensam que esses números são modestos, entenda que apenas 5 milhões de acres (2,02 milhões de hectares) de terras agrícolas são atualmente dedicados às práticas de agricultura orgânica. Como futurista profissional que tem aconselhado agricultores e agronegócios nos últimos anos, percebi que a agricultura regenerativa é uma grande tendência e incentiva os empresários a começarem a prestar mais atenção em como isso afetará seus negócios.

Indo além do orgânico
Em seu nível mais básico, a agricultura regenerativa é uma forma de agricultura mais amiga da natureza. Pode ser considerado o próximo passo além do orgânico e da sustentabilidade. Embora ainda não haja uma definição oficialmente aceita, a agricultura regenerativa emprega práticas agrícolas e de pastagem que restauram o solo degradado, melhoram a biodiversidade entre os polinizadores (especialmente abelhas e borboletas) e aumentam a captura de carbono no solo para criar benefícios ambientais duradouros.

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Se a comida “orgânica” é melhor para a saúde das pessoas, pense na agricultura regenerativa como sendo melhor para a saúde das pessoas e do planeta. Mais especificamente, a agricultura regenerativa busca se afastar dos fertilizantes sintéticos, monoculturas e métodos de produção industrial para técnicas que minimizem o uso de produtos químicos e melhorem a saúde da água e do solo. O resultado final é que a agricultura regenerativa produz alimentos mais saudáveis, ao mesmo tempo que serve para aumentar a produtividade e os lucros do agricultor.

Consumidor que demanda cada vez mais
De acordo com a Nielsen, 75% dos millennials estão mudando seus hábitos de compra pensando no meio ambiente. Esse sentimento, é claro, nem sempre se materializa em ações tangíveis em nome de cada consumidor. No entanto, fica claro, a partir das ações da PepsiCo, General Mills, Walmart, Unilever e outros, que eles acreditam que as expectativas dos consumidores sobre o que é ecologicamente correto estão mudando e que em breve eles irão comprar alimentos produzidos de forma regenerativa por causa dos muitos benefícios que produzem.

Em um futuro próximo, por causa dos avanços tecnológicos em satélites, sensores inteligentes e blockchain (uma plataforma tecnológica complexa que irá melhorar significativamente a rastreabilidade), os consumidores terão as ferramentas para monitorar o desempenho de seus produtores de alimentos, monitorando tudo, desde as emissões de dióxido de carbono e o sequestro de carbono no solo, até o uso da água e a biodiversidade.

Se você quiser uma dica sobre esse futuro, dê uma olhada no “Real Foodprint” da Chipotle, rede de restaurantes com sede em Delaware, que documenta para os seus consumidores o desempenho em cada uma das categorias mencionadas. Claro que nem todo consumidor se preocupará com essas ações, mas está claro que os millennials e os membros da Geração Z estão cada vez mais comprometidos com a compra de alimentos “ecologicamente corretos” que a agricultura regenerativa está produzindo e em breve buscarão produtos regenerativos nos corredores de suas lojas.

Tornando-se certificado
O próximo passo na transição para a agricultura regenerativa é a certificação. O objetivo é criar uma etiquetagem que permita ao consumidor se conectar com o conjunto completo de valores da agricultura regenerativa. Em 2020, o Savory Institute concedeu seu primeiro selo EOV (Verificação de Resultado Ecológico) às barras de proteína da marca Epic, certificando que a carne bovina utilizada é proveniente de animais criados com práticas de agricultura regenerativa.

Mais recentemente, a Regenerative Organic Alliance criou seu próprio rótulo “Regenerative Organic” e estabeleceu uma certificação de três níveis para produtores, incluindo certificação de bronze, prata e ouro. A certificação de três níveis permite que as organizações não fechem questão sobre a definição do que seja agricultura regenerativa, ao mesmo tempo que dá aos produtores o tempo e a flexibilidade necessários para atualizar suas práticas e processos para atingirem um nível cada vez mais alto de certificação. Com o tempo, os donos de mercearias perceberão que a certificação de terceiros e a rotulagem terão mais influência nas compras e nos hábitos de compra dos consumidores.

Empresários prudentes, portanto, devem começar a se educar sobre a agricultura regenerativa e entender como ela difere dos produtos orgânicos de hoje. Em seguida, os comerciantes podem começar a trabalhar com as empresas e fornecedores envolvidos na agricultura regenerativa para melhorar a certificação e a rotulagem. Terceiro, deve haver incentivo para que os comerciantes possam tomar medidas tangíveis para criar o espaço e as sinalizações necessárias em suas lojas para exibir produtos provenientes de fazendas e agronegócios que empregam práticas agrícolas regenerativas. Finalmente, esse comerciante estará disposto a divulgar seu apoio à agricultura regenerativa. Acredito que este seja um investimento sábio de longo prazo porque ajudará a garantir que seus fornecedores de alimentos estejam engajados em práticas verdadeiramente sustentáveis ​​e forneça a seus clientes o acesso a alimentos saudáveis ​​e acessíveis que também são benéficos para a saúde do planeta a longo prazo.

Conclusão do processo
A agricultura regenerativa está posicionada para se tornar popular mais rápido do que muitas pessoas esperam, em minha opinião. É uma situação clássica de triplo ganho. Os consumidores podem receber alimentos mais saudáveis, os agricultores podem ter um futuro mais seguro e próspero e o planeta se beneficiará porque a agricultura regenerativa oferece uma chance melhor de se curar e se restaurar. Na confluência dessas forças estará o empresário do varejo que serve de canal entre os três.

*Jack Uldrich é um dos principais futuristas do mundo, autor de best-sellers e palestrante principal. Ele também é o fundador/CEO da The School of Unlearning.

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