Como a seca e o calor extremo deste ano estão afetando as colheitas nos Estados Unidos

Produtores de milho e trigo também sentem os efeitos da longa estiagem, com perda de produtividade que pode se estender para os próximos anos

Jim Foerster
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Pés de milho mal desenvolvidos mostram os efeitos do clima quente e seco prolongado em uma fazenda no sul de Wisconsin

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Depois de sair do segundo ano mais chuvoso já registrado nos Estados Unidos, grande parte das Planícies do Norte e região oeste do país tem passado por uma seca severa naquele que pode ser o ano mais seco já observado. A seca tem muitos impactos no ecossistema, nos sistemas de água e no gerenciamento hídrico, na economia geral, no gerenciamento do fogo e, talvez mais notavelmente, na agricultura. Embora os impactos da seca variem de acordo com sua duração e a intensidade, a seca deste ano terá impactos de longo prazo na atividade agrícola.

O Monitor de Secas dos EUA, que analisa e atualiza a situação a cada semana, tem mostrado todas as áreas a oeste das Montanhas Rochosas e os estados de Dakota do Norte e do Sul e Minnesota em alguma categoria de seca desde meados de 2020, e que vem tendo um impacto nas atuais colheitas. Embora a maioria das safras anuais seja plantada na primavera, há um grupo seleto de cultivos — incluindo um tipo de trigo — que são plantados no outono, ficam dormentes no inverno e surgem na primavera. Culturas como essa podem tirar proveito de um inverno mais úmido ou início da primavera e podem enfrentar climas mais adversos no verão que prejudicariam sua produtividade. No entanto, devido à seca do ano passado, o plantio de outono não ofereceu o melhor começo para muitos produtores de trigo, já que as condições de seca dificultaram o desenvolvimento de um bom sistema radicular das plantas jovens antes de adormecerem durante o inverno. O plantio de trigo na primavera não está se saindo melhor, já que a seca contínua durante a primavera e o verão está causando problemas.

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Em particular, as temperaturas extremas que subiram acima de 100 graus Fahrenheit (38,7 graus celsius) em algumas áreas do noroeste do Pacífico e das planícies do norte exacerbaram a seca e forçaram as safras de trigo a usar mais umidade do solo para evitar que murchassem. De acordo com John Baranick, meteorologista agrícola com DTN, a maior organização meteorológica business-to-business do mundo, em alguns casos, os agricultores descobriram que o custo de colheita da safra era maior do que o preço que obteriam pelo grão e abandonaram esses campos ou começaram a cortá-los mais cedo para alimentação animal. Especialmente porque as pastagens para o gado estão com baixo desempenho devido à seca e há uma necessidade crescente de encontrar alimentos ou descartar o gado.

O trigo não é a única cultura prejudicada neste ano. Os estados do cinturão do milho em Minnesota, Dakota do Sul e, especialmente, Dakota do Norte, têm visto eventos de chuva pequenos e isolados, em vez de grandes movimentos de chuvas torrenciais, conhecidos como MCSs (sistemas convectivos de mesoescala). Esta área do país depende de MCSs para fornecer grande parte da precipitação durante os meses de verão, uma vez que grandes sistemas climáticos que produzem precipitação generalizada de leve a moderada são raros em comparação com as outras estações. Com os padrões climáticos até agora neste verão, esses eventos de MCS têm sido raros e, portanto, a região continuou a enfrentar seca neste verão.

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Reprodução/ForbesUSA

Embora os impactos da seca variem de acordo com a duração e a intensidade da seca, a seca deste ano terá impactos de longa data na indústria agrícola. Fonte/Mapa: Centro Nacional de Mitigação de Seca

Baranick diz que a janela de umidade mais importante para o milho é durante seus estágios reprodutivos, que normalmente vai de meados de julho até o início de agosto. Este ano, a seca persistiu durante todo esse período e as condições do milho em Minnesota, Dakota do Sul e Dakota do Norte continuaram caindo, afirma Baranick. Em 3 de agosto, esses estados estavam quase 100% tomados por alguma forma de seca, e Dakota do Norte estava quase completamente tomado por uma seca severa no Monitor de Secas dos EUA.

Isso teve um grande impacto no milho até agora, provavelmente resultando em quedas de produtividade. No entanto, esse não é o único impacto, já que as plantas passaram por um crescimento desigual e atrofiado, problemas com ervas daninhas, com insetos, deficiências de nutrientes e uma dependência de maior irrigação para alguns. Todos esses impactos adicionais aumentam os custos dos insumos para os agricultores e, quando combinados com a diminuição da produção, é um golpe duplo de efeitos negativos, disse Baranick.

Os efeitos da seca ainda não acabaram. Com a previsão do Oceano Pacífico em direção a La Niña novamente, o potencial para chuvas ainda mais limitadas nas planícies do oeste e do norte está causando preocupação para os agricultores, não apenas neste ano, mas também na próxima temporada. Anos consecutivos de seca e safras pobres: há evidências recentes de que isso pode ocorrer novamente e será monitorado de perto.

* Jim Foerster é um dos 239 CMM (Meteorologistas Consultores Certificados) do mundo. Os CCMs são especialistas na aplicação de informações meteorológicas a uma série de desafios práticos. Ele atua como meteorologista chefe da DTN onde, com sua  equipe, fornece previsões meteorológicas acionáveis ​​e serviços de consultoria nos mercados de aviação, transporte, marítimo, energia, agricultura e segurança.

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