Unica reporta queda de 11,8% produção de açúcar, com preços disparados em Nova York

Os participantes do mercado já esperavam números menores para a segunda quinzena de julho devido às geadas, mas os dados da Unica ficaram abaixo das estimativas.

Redação
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Marcelo Teixeira/Reuters
Marcelo Teixeira/Reuters

Campo de cana-de-açúcar em Ribeirão Preto, Brasil

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A produção de açúcar do centro-sul do Brasil caiu 11,81% na segunda quinzena de julho, para 3 milhões de toneladas, informou a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), apontando ainda efeitos das geadas para os canaviais em julho.

A entidade que representa as usinas da principal região produtora do Brasil reportou uma queda na produção de açúcar superior à da moagem de cana, que recuou 8,16% na mesma comparação, para 46,7 milhões de toneladas.

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A Unica destacou que tanto a produtividade do canavial quanto a qualidade da matéria-prima cultivada sofreram com as geadas, impulsionando os preços do açúcar em Nova York em mais de 5%, para os maiores valores em quatro anos e meio, enquanto analistas continuam reduzindo as projeções de safra no maior produtor global da commodity.

Os participantes do mercado já esperavam números menores para a segunda quinzena de julho devido às geadas, mas os dados da Unica ficaram abaixo das estimativas.

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Os analistas esperavam que a produção de açúcar caísse 10%, para 3,08 milhões de toneladas, de acordo com pesquisa da empresa de serviços de informação S&P Global Platts.

Segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, a necessidade de colher as áreas atingidas pela geada exigiu alterações significativas no cronograma de colheita em várias unidades produtoras, com impacto estimado na produtividade de julho superior a 5 toneladas por hectares.

“Nas próximas quinzenas teremos evidências mais claras sobre o impacto da geada na lavoura a ser colhida”, acrescentou Padua.

Dados apurados pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) para o mês de julho, considerando uma amostra de 68 unidades, registraram produtividade de 73,7 toneladas por hectare colhido no mês, queda de 17,9% no rendimento agrícola.

Já a produção de etanol do centro-sul do Brasil teve redução de 5,75% no período, para 2,28 bilhões de litros, em momento em que as usinas reduziram o “mix” de cana para açúcar para 46,43%, ante 47,93% no mesmo período do ano passado.

Anidro priorizado

O setor está priorizando a produção de etanol anidro (misturado à gasolina), cujo volume fabricado atingiu 970 milhões de litros, alta de 31,01%.

Por outro lado, a produção de etanol hidratado (usado nos carros flex) somou 1,31 bilhão de litros, queda de 21,98%.

Do total produzido de biocombustível, 127,52 milhões de litros foram fabricados a partir do milho.

“Esses números mostram que empresas estão priorizando a produção de etanol anidro para atendimento do nível atual de mistura do biocombustível na gasolina”, disse Padua.

As venda de anidro aumentaram 24,93% na quinzena, para 960,85 milhões de litros, enquanto a comercialização do hidratado recuou 11,86%.

A fabricação acumulada de etanol desde o início da safra 2021/22 do centro-sul totalizou 14,11 bilhões de litros (-3,41%), sendo 5,28 bilhões de litros de etanol anidro (+24,6%) e 8,83 bilhões de litros de etanol hidratado (-14,86%).

Do total fabricado, 981,16 milhões de litros do biocombustível foram produzidos a partir do milho.

“As unidades produtoras permanecem priorizando a produção do etanol utilizado como aditivo à gasolina. Mesmo em um cenário de queda na produção agrícola, a fabricação do biocombustível acumula alta de 24,6% na safra 2021/2022”, disse Padua.

Já o açúcar, no acumulado desde o início da safra 2021/2022 até 01 de agosto, teve produção de 18,29 milhões de toneladas, contra 19,82 milhões de toneladas verificadas na mesma data do ciclo 2020/2021. (Com Reuters)

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