Brasil confirma 2 casos atípicos de vaca louca e suspende vendas de carne bovina para China

País asiático é o maior cliente da carne brasileira, com compras da ordem de 1,18 milhão de toneladas no ano passado, por US$ 5,1 bilhões.

Redação
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Jung-Getty_GettyImages
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O governo federal vem investigando a suspeita da doença da “Vaca Louca” desde o início da semana

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O Mapa ( Ministério da Agricultura e Pecuária) confirmou hoje (4) a ocorrência no Brasil de dois casos atípicos da doença EEB (Encefalopatia Espongiforme Bovina), conhecida como “vaca louca”. O governo federal vinha investigando a suspeita da doença desde quarta-feira.

De acordo com nota do ministério, um dos casos foi identificado em um frigorífico de Nova Canaã do Norte (MT) e o outro em Belo Horizonte (MG). Os animais, de acordo com a Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, eram “vacas de descarte que apresentavam idade avançada e que estavam em decúbito nos currais”.  Os animais foram identificados pelo Serviço de Inspeção Oficial antes do abate, sendo destinados ao abate sanitário isolado, como manda o protocolo.  Em seguida, o Brasil notificou oficialmente o caso à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal).

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A confirmação dos casos levou o governo a suspender temporariamente as exportações de carne bovina para a China a partir de hoje. O país asiático é o maior importador de carne bovina brasileira, com forte crescimento a partir de 2019 por causa da PSA (peste suína africana) que fez o rebanho chinês cair à metade. A carne bovina, que já vinha em crescimento, ganhou escala. Em 2020, o país importou 2,75 milhões de toneladas, das quais 31,5% do Brasil. China e Hong Kong compraram 1,18 milhão de toneladas, volume que equivale a 58,6% das exportações brasileiras, por US$ 5,1 bilhões, 60,7% da receita total. De acordo com o Rabobank, com uma participação de 25% das compras globais de carne bovina em 2020, a China se tornou a maior importadora dessa proteína no mundo, seguido pelos EUA (12,5%) e Japão (8%).  A suspensão das exportações para a China se estenderá até que as autoridades do país concluam a avaliação das informações já repassadas pelo governo brasileiro.

Vale registrar que os casos registrados no Brasil são atípicos, ou seja, não foi detectado nenhum caso da doença transmitida de um animal para outro e também não ocorreu pela ingestão de alimento contaminado. Nesse caso, a OIE exclui a ocorrência de casos de EEB atípica para efeitos de reconhecimento do status oficial de risco do país, mantendo o Brasil como de risco insignificante para a doença.  A EEB é considerada atípica quando originada dentro do próprio organismo do bovino, geralmente em animais velhos.  Os dois casos atípicos são o quarto e o quinto no Brasil, desde que a doença reapareceu na Europa. Casos clássicos nunca foram registrados.

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O primeiro caso de EEB clássica foi detectado em vacas e bois britânicos, em 1986, contaminados depois de ingerir rações compostas por partes de carcaças de carneiros infectados. Mais dois surtos aconteceram: em 1996 e 2000, com milhares de bovinos sacrificados em toda a Europa e Japão, levando o setor a perdas econômicas gigantescas. Ela é degenerativa, causada pelo acúmulo de um príon (pequena e resistente proteína) no cérebro. Quando a proteína atinge o sistema nervoso central do gado adulto, é transmissível e progride lentamente, levando à perda de equilíbrio e agressividade, daí o termo “vaca louca”. A doença não é transmitida a humanos, embora haja uma similar, conhecida cientificamente como DCJv (Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob), que é neurodegenerativa causada por príons. (Com Reuters)

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