Datagro prevê safra de cana melhor em 2022/23 , mas ainda abaixo do atual ciclo

Produção de açúcar no centro-sul deve ficar entre 31,6 milhões e 33,7 milhões de toneladas.

Redação
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Marcelo Teixeira/Reuters
Marcelo Teixeira/Reuters

Produção de açúcar no centro-sul deve ficar entre 31,6 milhões e 33,7 milhões de toneladas

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A próxima safra de cana do centro-sul (2022/23), a principal região produtora do mundo, deverá ter recuperação na comparação com o “desafiador” ciclo atual, afetado por seca, geadas e incêndios, mas ainda não atingirá o nível da temporada passada (2020/21), afirmou a consultoria Datagro em apresentação hoje (26).

A Datagro apontou potencial de produção entre 530 milhões e 565 milhões de toneladas de cana para 2022/23, ante 518,6 milhões de toneladas projetadas para a safra atual 2021/22, quando a consultoria viu perdas da ordem de 90 milhões de toneladas, principalmente por problemas climáticos.

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A safra atual, que está caminhando para o fim, compara-se a uma produção de 605,5 milhões de toneladas de 2020/21, segundo números da Datagro, em sua conferência internacional.

O presidente da Datagro, Plinio Nastari, reforçou que a perda de 2021/22 em volume “nunca foi vista”, citando uma temporada marcada por severa seca, que já foi seguida de anos de chuvas fracas, além de três geadas no último inverno.

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As questões que impactaram a produção na temporada atual, portanto, ainda continuarão tendo efeitos no ano-safra seguinte, de abril a março.

“O volume de cana deve voltar aos patamares de 20/21 somente em 23/24. Então ainda não é o ano que vem”, disse Nastari.

No curto prazo, comentou ele, o foco do setor deverá ser a retomada do plantio de cana de 12 meses e os tratos culturais, à medida que as chuvas estão voltando em maiores volumes às lavouras.

Ele disse que a originação e custos de insumos e maquinários também são desafios. “Hoje tem uma dificuldade enorme para encontrar trator e colhedoras, implementos em geral”, afirmou, sem detalhar. “O foco vai continuar sendo controle de custos.”

Apesar de considerar a safra atual como uma das “mais desafiadoras da historia”, os preços têm sido compensadores e indicam que o setor poderá ter quatro anos de boas receitas, afirmou o analista.

“Não me lembro de ter visto quatro anos consecutivos de preços bons”, disse ele, lembrando que em geral cotações mais altas duram no máximo um ano e meio.

Ele disse ainda que o preço do açúcar em Nova York deve gravitar entre a cotação de “oportunidade” do etanol hidratado no Brasil (em açúcar bruto equivalente FOB Santos) e a paridade de exportação de açúcar na Índia FOB.

AÇÚCAR

Já a produção de açúcar do centro-sul em 2022/23 foi estimada pela Datagro entre 31,6 milhões e 33,7 milhões de toneladas, podendo avançar na comparação com o volume estimado para 2021/22, de 31,9 milhões de toneladas.

A Datagro ainda estimou produção total de açúcar na safra atual no maior exportador global em 34,9 milhões de toneladas, considerando uma fabricação de 3 milhões de toneladas no Nordeste.

Na safra passada (2020/21), o Brasil produziu 41,5 milhões de toneladas de açúcar, segundo a Datagro.

A produção de etanol de cana do Brasil cairá de 29,9 bilhões de litros em 20/21 para 26 bilhões de litros em 21/22, segundo o analista da Datagro, que não comentou sobre a projeção para 2022/23. (Com Reuters)

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