Embrapa cria bioinseticida à base de vírus que ataca lagartas nas lavouras

Produto que pode ser utilizado por orgânicos e lavouras convencionais foi desenvolvido em parceria com a iniciativa privada.

Redação
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_Maurien Trabbold_Embrapa
_Maurien Trabbold_Embrapa

Bioinseticida criado pela Embrapa não deixa resíduos na cultura e não causa desequilíbrio ambiental

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A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Promip, empresa especializada em manejo integrado de pragas, com sede em Limeira (SP), fizeram uma parceria e apresentaram ontem (19) , um novo bioinseticida à base de um vírus.

Chamado de BaculoMip SF, o bioinseticida é capaz de apresentar alta eficiência no controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), sendo indicado para todas as culturas atacadas por esse inseto. A lagarta-do-cartucho ataca mais de 100 espécies, entre cereais, hortaliças e frutas. No milho, ela é uma das principais pragas.

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Fernando Hercos Valicente, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, unidade de Sete Lagoas (MG), conta que o BaculoMip SF é um inseticida microbiológico composto pelo vírus de nome longuíssimo: entomopatogênico Baculovirus spodoptera multiple nucleopolyhedrovirus. E que o produtor nunca deve tratar um produto biológico como maneja um defensivo químico.

“O baculovírus age após a lagarta ingeri-lo, quando é pulverizado sobre as folhas. O inseto tem de raspar a planta para se tornar infectado, e, quando isso ocorre, a lagarta reduz sua alimentação em até 93%”, detalha o pesquisador, completando que, após ingerir o baculovírus, a lagarta demora em torno de cinco dias para morrer, porém, a partir de 48 horas, ela diminui a alimentação. Uma inovação importante do novo produto é o fato de o baculovírus empregado romper o tegumento da lagarta, o que faz com que o inseto morto propague o vírus para outras Spodoptera frugiperda presentes na lavoura. O cientista liderou o desenvolvimento do BaculoMip na Embrapa.

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Segundo a Promip, o BaculoMip SF é altamente eficaz no controle da lagarta-do-cartucho, não afetando outros insetos predadores naturais da praga presentes na lavoura, o que também contribui para o seu controle, podendo ser usado também na agricultura orgânica. Também não deixa resíduos na cultura, não causa danos ao meio ambiente e ao aplicador e ainda contribui para a redução da aplicação de defensivos químicos quando utilizado em alternância nas lavouras. “Trata-se de uma evolução no controle da lagarta-do-cartucho”, afirma Marcelo Poletti, CEO da Promip.

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