Pegada de carbono do café arábica vai do pé à xícara

Estudo da Embrapa mostra que variedade plantada no Brasil ajuda a sequestrar mais gases de efeito estufa que em outros locais.

Redação
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Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Wenderson Araujo/Trilux/CNA

Segundo pesquisa da Embrapa, a pegada de carbono do café arábica é menor do que a de outras variedades

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Uma parceria entre a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), em Minas Gerais, a maior cooperativa de produtores do grão no mundo, com as equipes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) das unidades Meio Ambiente, de Jaguariúna, SP, e da Embrapa Café, em Brasília, DF, colocou de pé um estudo para analisar a pegada de carbono do café arábica, uma das duas variedades cultivadas. A outra é a conilon. 

O estudo leva em conta os principais sistemas de produção desse grão na Mogiana Paulista, do Cerrado Mineiro e Sul de Minas, regiões importantes no cultivo do café arábica. Com a construção de ICVs (Inventários do Ciclo de Vida), que demonstram quais materiais ou energias foram retiradas ou liberados no meio ambiente durante a produção, o estudo mostrou que o quilo de café arábica brasileiro emite menos gases de efeito estufa que um dos seus principais produtos concorrentes, o café produzido na Colômbia. Para isso analisou a quantidade de CO2eq (CO2 equivalente) por cada quilo do produto. O CO2eq significa a equivalência em dióxido de carbono de outros gases de efeito estufa (GEEs), como metano, óxido nitroso, CH4, clorofluorcarbonos, ozônio, entre outros. 

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Aprovado em 2018 no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o projeto constatou que a pegada de carbono do café em grãos brasileiro variou de 1,9 a 4,6 quilos de CO2eq  para cada quilo de café, dependendo da região e do sistema de produção adotado (irrigado ou não; mecanizado e semi-mecanizado), sendo muito mais favorável do que a pegada de carbono do café colombiano, de 6,5 quilos de CO2eq, para cada quilo de café, por exemplo.

Segundo Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do estudo, as informações geradas, “por um lado podem orientar melhorias nas práticas de campo para redução de emissões de GEEs e, por outro lado, podem embasar certificações ambientais, promovendo o acesso a mercados internacionais mais exigentes”.

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Os inventários dos processos agrícolas foram construídos na ferramenta ICVCalc, desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente, que incorpora os principais modelos internacionais para estudos de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida). “Métricas tropicalizadas, com credibilidade científica e padrões reconhecidos na comunidade internacional são elementos essenciais para as negociações internacionais, tanto para ressaltar a qualidade do nosso produto, quanto a sustentabilidade de sua produção”, explica Marcelo Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente e um dos participantes do estudo.

“A ACV nos permite ter essa base de comparação internacional, entretanto preservando e ressaltando as características próprias de nossos sistemas de produção, uma vez que também no mercado internacional o arábica tem destaque, sendo um importante produto nas exportações brasileiras.”

Na safra 2020/21, as vendas do grão ao exterior bateram recorde histórico, de acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Foram 45,6 milhões de sacas, alta de 13,3% em relação à temporada anterior e de 10,1% sobre os 41,426 milhões vistos na última máxima histórica, em 2018/19. Do total embarcado, 36,91 milhões de sacas foram de arábica,  81% do comercializado na safra 2020/2. Foi, também, o melhor resultado de todos os tempos.

 

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