Mercado halal para povos islâmicos deve chegar a US$ 5,74 trilhões até 2024

Carnes, vegetais, grãos e qualquer outro alimento, além de insumos, produtos cosméticos e farmacêuticos têm potencial de aumento de exportações no Brasil.

Redação
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Staticnak1983_Guettyimages
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Povos islâmicos que consomem produtos halal representam quase 1/3 da população mundial

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O mercado halal, palavra árabe que significa lícito e permitido, na agroindústria remete à certificação de carnes, vegetais, grãos, e qualquer outro alimento, além de insumos, produtos cosméticos e farmacêuticos destinados aos povos muçulmanos que seguem o islamismo em todo o mundo. A estimativa é de que esse mercado deve movimentar em torno de US$ 5,74 trilhões até 2024, de acordo com dados do State of the Global Islamic Economy. Os povos que consomem esse tipo de produto representam quase 1/3 da população mundial. Hoje, 1,9 bilhão de pessoas são do Islã.

Para o diretor de operações da Cdial Halal, empresa certificadora no Brasil, Ahmad Mohamad Saifi, o mercado importador confia no país e no rigor da legislação de produção de itens halal. “Temos destaque na exportação de proteína animal, por exemplo, com a liderança na exportação de carne de frango halal”, afirma Saifi. “Porém, as indústrias brasileiras de diversos setores têm enorme potencial para explorar esse mercado em ascensão, como fármacos, cosméticos, dentre outras.” No ano passado, de acordo com o executivo, a quantidade de empresas que certificaram seus produtos por meio da companhia aumentou 53%.

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Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apontam que as exportações brasileiras para os países árabes em 2021 foram de 2021 US$ 14,42 bilhões, alta de 26,15% em relação a 2020. Foi o melhor resultado dos últimos oito anos.

Entre os principais produtos brasileiros exportados a esses países, destaque para minério de ferro, com vendas de US$ 3,83 bilhões, um acréscimo de 172% em relação a 2020. O frango vem em seguida. Entre carne e miudezas as vendas somaram US$ 2,42 bilhões, aumento de 21,59% em relação ao ano anterior. A soja, cujas exportações somaram US$ 638,13 milhões, a alta foi de 97,49%.

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“Importante ressaltar que o processo de certificação analisa toda a cadeia, como a matéria-prima, insumos, transporte e armazenamento, para garantir, dentre outras coisas, que não haja contaminação cruzada com produtos ilícitos, como a carne de porco”, diz Saifi. O Islã é uma religião que não permite a ingestão de carne de porco ou caça, por exemplo.

De acordo com Saifi, até 2017 as empresas do setor de proteína animal dominavam as certificações na empresa. Em 2019, depois de um período de diversificação crescente, os segmentos de produtos químicos e alimentos industrializados passaram a ser maioria. Mas desde 2020, as empresas no setor de proteína animal voltaram a liderar, com crescimento de 75% na quantidade de empresas certificadas. Este setor inclui todas as atividades após a criação de animais de abate, aves domésticas, ovos, laticínios e peixes. As certificações são aceitas em todo o mundo, inclusive nos países de maior população muçulmana como Malásia, Indonésia, Singapura e Golfo Pérsico (ou Golfo Árabe).

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