Seca e geada levam o centro-sul a paralizar moagem de cana e produção de açúcar

A última vez que a Unica não registrou produção de açúcar em uma quinzena foi na segunda parte de fevereiro da safra 2019/20.

Reuters
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Marcelo Teixeira/Reuters
Marcelo Teixeira/Reuters

Plantação de cana em Ribeirão Preto

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O centro-sul do Brasil, maior região produtora de cana do mundo, não registrou moagem da matéria-prima de açúcar e etanol na segunda quinzena de dezembro, informou nesta quarta-feira a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), evidenciando os efeitos da severa quebra de safra pela seca e geadas ao longo de 2021.

“A despeito da existência de unidades em operação com capacidade para o processamento de cana-de-açúcar, não foi registrada moagem da matéria-prima na segunda quinzena de dezembro”, disse a Unica em nota.

Como consequência, a quantidade de cana-de-açúcar processada na safra 2021/2022 (abril/março) permaneceu em 521,67 milhões de toneladas, com queda de 12,67% em relação ao mesmo período no ciclo anterior.

A associação também não registrou produção de açúcar no principal polo global, com a fabricação do adoçante até o final do ano passado ficando no acumulado da safra em 32 milhões de toneladas, recuo de 16,14%.

A última vez que a Unica não registrou produção de açúcar em uma quinzena foi na segunda parte de fevereiro da safra 2019/20, segundo dados da associação.

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Na segunda quinzena de dezembro, a fabricação de etanol foi também residual, somando 157 milhões de litros (anidro e hidratado).

No último mês completo do ano, a produção de etanol anidro foi de 174 milhões de litros (-4,29%), sendo 82,7 milhões fabricados a partir do processamento de milho e, uma outra parte, fruto do reprocessamento de etanol hidratado.

No acumulado do ano-safra, a fabricação de etanol anidro totalizou 10,8 bilhões de litros (+12,75%), com o setor atendendo a uma maior demanda para mistura na gasolina, mais competitiva que o etanol hidratado.

A produção de etanol hidratado no acumulado da safra até dezembro somou 15,75 bilhões de litros, queda de 20% ante o ciclo anterior.

A Unica informou ainda que, de abril a dezembro de 2021, as unidades produtoras de etanol a partir de milho fabricaram 2,57 bilhões de litros de litros, o que representa um avanço de 38,12%.

Considerando os efeito da quebra de safra, a entidade avalia que poderá haver alguma moagem de cana em março, quando algumas usinas já iniciam os trabalhos com vistas à nova temporada.

“Mas a quantidade a ser moída (em março) deve ser muito inferior àquela observada em anos anteriores”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, sinalizando uma entressafra mais longa.

VENDAS

No último mês de 2021, as unidades produtoras do centro-Sul comercializaram um total de 2,15 bilhões de litros de etanol, retração de 22,7% em relação ao mesmo período da safra 2020/2021.

Do total comercializado no período, 155,38 milhões de litros foram destinados para o mercado externo e 1,99 bilhão de litros vendidos domesticamente.

No mercado interno, as vendas de etanol hidratado mantiveram a trajetória de retração e alcançaram 1,12 bilhão de litros, registrando queda de 36,31%.

A quantidade comercializada de etanol anidro em dezembro de 2021 registrou avanço de 2,32% em relação ao mesmo período no ano anterior, a 877,72 milhões de litros, segundo dados da Unica.

O diretor técnico disse que, “a despeito da retração na oferta de cana-de-açúcar, os atuais níveis de estoque de etanol oferecem conforto para o pleno abastecimento do mercado nos próximos meses de entressafra”.

Ele acrescentou que as saídas de etanol hidratado dos produtores para o mês de dezembro ficaram aquém do esperado.

“A trajetória de mais intensa retração do consumo do biocombustível desde setembro reflete os sinais da desaceleração econômica“, destacou.

Desde o início da safra até a segunda quinzena de dezembro, o volume acumulado de etanol comercializado pelas empresas do centro-sul teve retração de 9,32%, com cerca de 21,14 bilhões de litros vendidos.

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