Petrobras avança em negociação para a venda de projeto de fertilizantes em MS

A construção da fábrica, iniciada em 2011, está paralisada desde o final de 2014, quando a Petrobras suspendeu o contrato com o consórcio responsável pela obra..

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Jorge Adorno/ Reuters
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Obra do Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), estava parada desde 2014

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A Petrobras chegou a um acordo com o grupo russo Acron sobre minutas contratuais para a venda de 100% de sua Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), cuja obra está parada desde 2014, segundo comunicado ao mercado nesta sexta-feira.

A publicação ocorreu após a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ter afirmado mais cedo em evento público na cidade de Mato Grosso do Sul que a compra havia sido concluída.

“Hoje, quando cheguei pela manhã, recebi a notícia do presidente da Petrobras (Joaquim Silva e Luna) e do ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia), de que a Petrobras tinha concluído a venda com a empresa Acron”, afirmou, conforme áudio da fala da ministra.

“Nós estávamos negociando isso há muito tempo”, disse a ministra, em referência à UFN-III.

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Em seu comunicado, no entanto, a Petrobras frisou que a assinatura do contrato de venda depende ainda de tramitação na governança da companhia, após as devidas aprovações governamentais.

O anúncio da ministra foi feito antes da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia, neste mês.

“O presidente acabou de me ligar, feliz da vida, desejando muito sucesso a Três Lagoas e à agricultura brasileira, que vai ganhar muito com a implantação dessa fábrica, que produz produtos nitrogenados, ureia, que é imprescindível para que nossa agricultura seja cada vez menos dependente de importação desses nutrientes.”

A construção da fábrica foi iniciada em 2011 por um consórcio composto pela empreiteira Galvão Engenharia e um grupo chinês. No final de 2014, a Petrobras suspendeu o contrato. Até ali, o investimento estimado era de cerca de R$ 3 bilhões.

Em 2017, já no governo de Michel Temer, a estatal pôs a planta à venda, com a intenção de sair definitivamente do setor de fertilizantes.

A empresa chegou a negociar com a própria Acron no passado, mas encerrou as tratativas sem acordo no final de 2019.

De acordo com dados da Petrobras, a fábrica está 81% concluída e, quando finalizada, terá capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 toneladas/dia e 2.200 toneladas/dia, respectivamente.

Nem a ministra nem a Petrobras detalharam os valores envolvidos ou os planos para a retomada das obras.

Segundo Tereza Cristina, esse deve ser um dos temas da viagem de Bolsonaro à Rússia, que responde por cerca de 20% do total de fertilizantes importados pelo Brasil, país que importa grande parte de sua necessidade deste insumo.

“Acabou de passar no Conselho (da Petrobras). Na Rússia, temos uma reunião marcada com vários produtores de fertilizantes. Eles (Acron) estão nessa lista e lá teremos notícias bem frescas de quando eles vão chegar aqui”, disse Tereza Cristina.

Em meio a uma crise internacional de escassez de fertilizantes, notadamente potássio, causada pelas sanções internacionais impostas a Belarus, um dos maiores produtores do insumo no mundo, o governo brasileiro tem buscado ajudar o setor a garantir o fornecimento.

No ano passado, a ministra foi à Rússia em busca de fornecedores, e agora acompanhará Bolsonaro em sua viagem.

Depois da Rússia, a ministra também deve ir ao Irã para participar de negociações relacionadas a insumos agrícolas, segundo o ministério.

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