Brasil deve produzir menos soja e StoneX faz corte maior na exportação

Comparado à previsão de fevereiro, a produção foi rebaixada em 4,2%, o que resultou em revisões de mais de 6% para baixo nas exportações..

Reuters
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REUTERS/Jose Roberto Gomes
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De outro lado, as expectativas de processamento de soja no Brasil neste ano estão mais firmes, diante de boas margens de esmagamento e forte demanda externa para o óleo de soja.

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A estimativa da safra de soja do Brasil em 2021/2022 sofreu um novo corte hoje (2), com 121,17 milhões de toneladas a menos. O novo valor reflete os efeitos da seca que atinge algumas regiões produtoras do Sul, de acordo com levantamento da consultoria StoneX.

Na comparação com a previsão de fevereiro, a StoneX rebaixou a produção em 4,2%. Isso também resultou em revisões de mais de 6% para baixo nas previsões de exportação do grão: de 80 milhões para 75 milhões de toneladas.

Neste levantamento, a produção do Rio Grande do Sul foi rebaixada para 8,9 milhões de toneladas, 60% a menos que o alcançado no ciclo 2020/21. Minas Gerais também teve uma perda de potencial produtivo nesta revisão.

“Nem mesmo os ajustes positivos, em Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Estados do Nordeste e do Norte conseguiram compensar significativamente as fortes perdas esperadas”, disse a especialista de Inteligência de Mercado do grupo, Ana Luiza Lodi.

Diante da quebra de safra, as exportações do grão têm sido mais penalizadas do que o processamento, enquanto a China tem buscado mais soja nos Estados Unidos, em plena colheita no Brasil.

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De outro lado, as expectativas de processamento de soja no Brasil neste ano estão mais firmes, diante de boas margens de esmagamento e forte demanda externa para o óleo de soja, de acordo com a associação Abiove.

As perspectivas apontam ainda para um balanço de oferta e demanda “restrito”, com os estoques finais estimados em 2,3 milhões de toneladas, disse a StoneX.

Milho: produção afetada pelo clima

Pelo quarto mês consecutivo, a StoneX reduziu sua estimativa de produção para a primeira safra 2021/22 de milho, para 25 milhões de toneladas, um corte de 1,1%, ou 286 mil toneladas, em comparação com o relatório anterior.

A redução no número refletiu também a menor expectativa para a safra de verão no Rio Grande do Sul.

“A irregularidade climática ao longo do último mês prejudicou significativamente a produtividade em regiões de desenvolvimento mais tardio do Estado”, disse o analista de inteligência de mercado do grupo, João Pedro Lopes.

Em relação à segunda safra de milho 2021/22 do Brasil, o número da StoneX foi levemente elevado, em 263 mil toneladas em comparação com a última divulgação, para acomodar as perspectivas mais positivas para a produção no Norte/Nordeste.

“O bom ritmo de colheita da soja e de plantio do milho safrinha seguem dando suporte à expectativa de produção recorde [de milho] no país”, disse.

“Por outro lado, será preciso acompanhar de perto as condições climáticas nos próximos meses, visto que um quadro de déficit hídrico poderia resultar em uma produção significativamente inferior à estimada atualmente”, comentou.

Somando as três safras do cereal, a produção total está prevista em 116,1 milhões de toneladas, praticamente inalterada em comparação com o relatório de fevereiro.

As exportações de milho do Brasil em 2021/22 seguem estimadas pela StoneX em 40 milhões de toneladas, contra 20,9 milhões na safra anterior, e o consumo doméstico em 75,5 milhões, contra 71,5 milhões em 2020/21.

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