10 tecnologias digitais que estão transformando a agricultura

Drones, inteligência artificial e até blockchain têm conquistado mais espaço no campo.

Aidan Connolly
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Kitsadakron Pongha/Getty Images
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Drones, inteligência artificial e até blockchain têm conquistado mais espaço no campo

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Descrita como a indústria menos digitalizada do mundo pelos analistas da McKinsey (de acordo com as últimas análises da consultoria), os produtores de alimentos do mundo podem concordar que a agropecuária tem lutado para aproveitar os avanços tecnológicos que transformaram outras indústrias. 

Uber revolucionou o transporte, Netflix os filmes, Airbnb o negócio de hotéis, movimentadores de dinheiro online que não possuem dinheiro agora dominam os bancos e compramos aplicativos de empresas que não os fabricam. No entanto, a agropecuária parece ter mudado pouco nos 10 mil anos desde que os primeiros animais foram domesticados e muitos acreditam que isso mudará pouco nas próximas décadas.

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No entanto, essa visão é míope e não reconhece o grau de disrupção que já está ocorrendo na agricultura. Sean Moffitt, diretor administrativo da Futureproofing, listou as 30 novas tecnologias que atualmente estão recebendo os maiores investimentos em dólares e que as indústrias precisarão para se preparar para o futuro na próxima década. Aqui estão as 10 tecnologias digitais dessa lista, entre as mais relevantes para agricultura e pecuária.

1 – Robótica

Aqueles que associam a agropecuária com a vida bucólica no campo podem não perceber que a nova geração de trabalhadores rurais não quer colher frutas, pegar animais ou fazer muitas das tarefas árduas comuns associadas à lida no campo.

Robôs agora ordenham vacas, colhem morangos e desmontam carcaças em unidades de processamento de proteína animal. A robótica na agropecuária representa um mercado global de mais de US$ 5 bilhões (R$ 24,86 bilhões) e deve dobrar nos próximos cinco anos.

2 – Internet das coisas (IoT) e sensores

A capacidade de rastrear produtos e animais vivos, detectar problemas de saúde e avaliar o ambiente dentro da fazenda ou a absorção de umidade do solo em tempo real é de grande valor para enfrentar os principais desafios de clima/sustentabilidade, bem-estar animal e rastreamento na cadeia de abastecimento alimentar.

A explosão de dispositivos IoT em outros setores (46 bilhões de dispositivos conectados) pode ser insignificante em comparação com as oportunidades representadas na agricultura, que já é um mercado de US$ 11,4 bilhões (R$ 56,69 bilhões).

3 – Inteligência Artificial (IA)

 Muitas carreiras em alimentos e agricultura dependem de aprender fazendo, em vez de transferência explícita de conhecimento. Isso cria desafios reais, como evitar erros humanos, mal-entendidos e vieses cognitivos.

A IA pode parecer uma sentença de morte para extensionistas, consultores e especialistas profissionais, mas, mais provavelmente, mudará a função dessas profissões.

Dados mais precisos estarão disponíveis mais rapidamente, mas ainda precisarão de interpretação. Como exemplo, considere como a IA mudou o setor de saúde: os empregos foram alterados, mas não substituídos.

4 – Impressoras 3D

 A capacidade das impressoras 3D de consertar máquinas, imprimir alimentos ou até mesmo fazer uma prótese para um animal de genética melhoradora oferece uma clara vantagem para fazendas em todo o mundo.

É ainda mais claro em tempos de cadeias de suprimentos interrompidas (por exemplo, por causa da Covid-19) ou em regiões do mundo com seus próprios desafios de distribuição (por exemplo, a África). A impressão 3D na fazenda e na cadeia de suprimentos de alimentos cria eficiências e economias reais.

5 – Drones

Já monitorando 20 milhões de hectares de plantações de algodão na China, a capacidade dos drones de ir onde os humanos não podem e ver coisas que não são facilmente observadas do chão cria insights reais sobre proteção contra pragas, aplicação de fertilizantes e herbicidas, irrigação e época de colheita.

6 – Realidade estendida e o metaverso

 A XR (realidade estendida) tem potencial, pois a visão humana é limitada à luz visível, e o XR pode nos permitir ver um espectro mais amplo. Isso pode ser valioso no manejo de culturas, animais e produção de alimentos e tem potencial para melhorar as práticas de saúde e segurança alimentar.

7 – Realidade Virtual (RV)

A capacidade da RV de ensinar os alunos de ciências agrárias sobre o funcionamento interno dos animais (sem vivissecção) e como as plantas crescem – ou simplesmente poder visitar fazendas – é uma oportunidade extraordinária para estudantes e consumidores se envolverem com criações e também lavouras.

Exemplos de sucesso incluem o uso de VR na Universidade de Glasgow para vacas, a indústria avícola australiana, suinocultores da Carolina do Norte e até mesmo consumidores do McDonald’s no Reino Unido.

8 – Blockchain

 Tanto a tecnologia mais empolgante quanto a mais incompreendida (usando a mesma tecnologia do Bitcoin), o blockchain pode criar transparência em um setor que muitas vezes não consegue capturar a confiança do consumidor.

Blockchain representa uma oportunidade para a indústria de alimentos recuperar terreno. Por exemplo, as empresas canadenses da cadeia de suprimentos de cerveja, a cadeia global de alimentos do Walmart e a FDA ( Food and Drug Administration), a agência de saúde dos EUA, veem o blockchain como uma ferramenta para abordar as preocupações dos consumidores sobre origem e segurança alimentar.

9 – Análise de dados

O mundo armazenará 175 zettabytes de dados até 2025. Os dados são frequentemente descritos como o “novo petróleo”, o que é irônico, pois muitos países ricos em petróleo não necessariamente se tornaram ricos como resultado.

Supõe-se que a futura captura, controle (ou proteção) e processamento de dados justificará as altas avaliações das agtechs. Acreditar que os dados serão os salvadores da agropecuária é um sonho, mas o poder da análise de dados pode liberar novos insights significativos para agricultores e pecuaristas.

10 – Conectividade em nuvem

Os serviços de computação baseados em nuvem usam conexões em tempo real com a internet para oferecer recursos mais flexíveis e economia do que os disponíveis com opções convencionais baseadas em servidor ou até mesmo de computação de borda.

O requisito de conectividade – especialmente o 5G – representa um desafio genuíno quando muitas fazendas ainda não possuem qualquer conexão. Os governos entendem que, para revolucionar a agropecuária, é essencial abordar a conectividade. Sem ela, a divisão rural-urbana será exacerbada.

As consequências de deixar a agropecuária não digitalizada são gritantes. Se o mundo precisa enfrentar realisticamente uma cadeia alimentar transformada, entregando o que os consumidores dizem que querem (sustentabilidade e alimentos favoráveis ​​ao bem-estar, abundantes e acessíveis), isso não poderá ser alcançado sem a disrupção digital.

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A fazenda imaginária de nossos livros de histórias infantis mascarava os muitos problemas da vida no campo, desde o trabalho fisicamente exaustivo até o controle e a compreensão limitados dos processos naturais da saúde animal e do clima, bem como o isolamento da atividade. A transformação tecnológica oferece a possibilidade de que aqueles que atuam nos setores agrícola e pecuário possam ter bolo, pão, carne e leite – e comê-los também!

Aidan Connolly faz parte da Forbes Technology Council, comunidade de convidados para CIOs, CTOs e executivos de tecnologia de classe mundial. É presidente da AgriTech Capital, futurologista de alimentos/fazendas e autor de “2-1-4-3, Plan your Explosive Business Growth”.

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