Consumo de café no Brasil cresce 1,7% em 2021

O Brasil, segundo consumidor global de café, consumiu 21,5 milhões de sacas de 60 kg no último ano.

Reuters
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Guido Mieth_Guettyimages
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O consumo de café cresceu mesmo com alta de custos, baixa oferta e economia ainda afetada pela pandemia

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A safra de café do Brasil em 2022 deverá superar as expectativas iniciais, após chuvas em momentos importantes no desenvolvimento dos cafezais, avaliou hoje (6) o presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), o que deve trazer alívio ao setor após um longo período de restrição da oferta e alta de custo.

Segundo Ricardo Silveira, falava-se que a safra de 2022 no maior produtor e exportador global não chegaria a 50 milhões de sacas de 60 kg. Mas agora, a poucas semanas do início da colheita, várias instituições e analistas indicam produção de mais de 60 milhões de sacas, comentou ele.

“A expectativa do mercado foi desfeita, e isso resulta em preço. O café não alavancou como muitos imaginavam, o preço caiu razoavelmente, as chuvas ajudaram em muito, tivemos chuvas na hora certa, no momento exato, o que beneficiou muito as lavouras”, disse Silveira a jornalistas, em teleconferência.

VEJA TAMBÉM: Produção de café do Brasil deve crescer 8% em 2022/23 para 61 mi de sacas, diz Safras

Os preços do café na bolsa de Nova York atingiram os maiores níveis em mais de dez anos em fevereiro, perto de 2,60 dólares por libra-peso, mas recuaram cerca de 12% desde então. No mercado interno, os valores caíram cerca de 20% ante as máximas do ano, com o arábica cotado em São Paulo a cerca de R$ 1250 por saca, segundo acompanhamento do Cepea.

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Ele disse que o Brasil terá uma safra “bem razoável” e citou a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que projetou em janeiro a colheita brasileira em 2022 em 55,7 milhões de sacas de 60 kg, um acréscimo de 16,8% em relação ao ano passado.

A produção, contudo, ficará abaixo do recorde de 2020, quando superou 63 milhões de sacas, segundo os números da Conab.

“Tem bancos trabalhando com mais de 60 milhões de sacas, o cenário para o industrial no momento é um pouco melhor, ele consegue ver um horizonte melhor, porque há seis meses o cenário estava ruim, com o mercado dizendo que faltaria café”, acrescentou Silveira.

“Acredito que teremos menos dificuldades até o final do ano”, disse.

Desde novembro de 2020, segundo o IOCI (Índice de Oferta de Café para a Indústria), a situação “se mantém abaixo da normalidade, indicando que as empresas, de todos os portes, não têm a oferta regular de café em grão, com o abastecimento sendo gradual e seletivo”, disse a Abic.

Essa situação foi refletida nos preços do café verde, que ficaram 155% mais altos para a indústria torrefadora no período de dezembro de 2020 a dezembro de 2021, enquanto reajuste no varejo foi de 52%.

Mas isso tende mudar, reiterou Silveira. “O cenário é de oferta dentro de 60 dias, já teremos cafés novos no mercado, e as indústrias já começam a talvez fazer promoções junto com o varejo para beneficiar o consumidor e alavancar o consumo”, disse.

Consumo de café em alta em 2021

O presidente da Abic destacou que, diante de todas as dificuldades em 2021, com alta de custos, baixa oferta e economia ainda afetada pela pandemia, o crescimento de 1,7% no consumo anual de café no Brasil é “algo para ser comemorado”.

O Brasil, segundo consumidor global de café, consumiu 21,5 milhões de sacas de 60 kg no último ano, segundo pesquisa divulgada pela Abic hoje (6).

A pesquisa anual mediu o consumo entre novembro de 2020 e outubro de 2021, apontando ainda que o Brasil está 4,5 milhões de sacas atrás dos Estados Unidos, o maior consumidor global.

Apesar do crescimento, o Brasil (maior produtor e exportador global de café) ainda está 500 mil sacas distante do recorde de 2017, de 22 milhões de sacas. Em dez anos, o consumo no país cresceu mais de 1 milhão de sacas, segundo dados da Abic.

Quando analisado o indicador per capita em 2021, o consumo atingiu 6,06 kg/ano de café cru e 4,84 kg/ano de café torrado.

“O bom desempenho na mesa do consumidor teve impacto direto na indústria: as empresas associadas à Abic registraram um crescimento de 2,77% no período”, afirmou a entidade, cujas indústrias filiadas respondem por 72,9% da produção do café torrado em grão e/ou moído e 85,4% de participação no mercado nacional.

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