Café brasileiro é exportado para o Japão com rastreabilidade blockchain pela primeira vez

Negócio foi fechado por meio do hub Cocriagro, que fez a conexão entre a marca de café Minamihara e a startup Arabyka

Redação
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Grãos de café torrado em um recipiente incolor
Artit_Wongpradu_Getty

Grãos de qualidade superior poderão ser rastreados

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A startup Arabyka, especializada em rastreabilidade via blockchain, é a responsável por implementar essa tecnologia em um lote de café orgânico da marca Minamihara, que está sendo exportado para o Japão. A intermediação entre o produtor e a startup faz parte do trabalho do Cocriagro, hub de inovação com sede em Londrina (PR), montado dentro do parque de exposições da SRP (Sociedade Rural do Paraná). O anúncio da venda foi feito hoje (17).

Minamihara é uma das mais antigas e remanescentes famílias de imigrantes japoneses, que continuam produzindo cafés de qualidade no país. De acordo com o cafeicultor Andeson Minamihara, a venda foi de um lote do grão que pode chegar a 90 pontos na classificação. Pela SCA (Specialty Coffee Association), que desenvolveu uma metodologia de avaliação de 11 atributos do grão, a nota pode variar de zero a 100. A partir de 80 pontos, o café é classificado como especial.

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“Esse primeiro lote, de 9 sacas, está utilizando 100% de tecnologia blockchain da Arabyka que vai apresentar informações como época e tipo de colheita, secagem, lote, variedade, tempo de descanso, dia e padrão de exportação. Os outros membros da cadeia, como torrefadores e cafeterias também podem inserir suas informações durante o processo de venda, até chegar ao consumidor final”, diz Minamihara. A produção do café Minamihara conta com manejo orgânico próprio e ocorre em 100 hectares sombreados por abacateiros, no município de Franca (SP).

O Japão, país em que o chá faz parte da tradição, também vem passando por um movimento de valorização das cafeterias, como ocorre com outros países asiáticos. E pagam mais pelo grão brasileiro. No ano passado, o Japão importou 156,6 toneladas de café do Brasil, a maior parte em grão, por US$ 441,7 milhões. O valor representa US$ 2.840 por tonelada, 6,5% superior à media mundial apurada pelo Brasil no ano passado.

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Para George Hiraiwa, CEO da Arabyka, com o avanço da digitalização, está havendo um empoderamento do consumidor que passa a ser o protagonista da cadeia. “Acredito que será uma grande oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo que produzimos alimentos seguros e sustentáveis.”

George Hiraiwa, CEO da Arabyka, segura sobre a mesas os manuais de blockchaim
Divulgação

George Hiraiwa, CEO da Arabyka, esteve à frente das negociações

A blockchain permite a imutabilidade, a descentralização e a transparência das informações, características fundamentais para a garantia de segurança alimentar. Também é essencial para estabelecer protocolos de compliance da produção agropecuária, nas áreas ambiental e trabalhista, cada vez mais necessários para acessar mercados internacionais.

Segundo a head de inovação do Cocriagro, Tatiana Fiuza, a conexão entre startups e produtores é um passo importante para que o agro brasileiro se fortaleça cada vez mais, principalmente, nos mercados internacionais. Toda a operação, até chegar às mãos da japonesa UCC (Ueshima Coffee Corporation), conta ainda com orientação e parceria da trading Cafebras, de Patrocínio (MG).

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