Dia Mundial das Abelhas: 4 projetos brasileiros pela preservação dos insetos

Iniciativas mostram que cuidar das polinizadoras é um processo que engloba educação

Erich Mafra
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Patrick Pleul/Getty
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A ONU (Organização das Nações Unidas) criou o Dia Mundial das Abelhas para valorizar o inseto polinizador

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Comemorado hoje (20), o Dia Mundial das Abelhas é uma data criada pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em dezembro de 2017. A escolha desse inseto não é à toa, dentre outras 800.000 espécies conhecidas no mundo. Segundo a ONU, o dia serve para “lembrar a importância da polinização no desenvolvimento sustentável”. Mas o que isso quer dizer?

As abelhas são responsáveis por um décimo do valor da agricultura, segundo um estudo da Ensfea (Escola Nacional de Formação Superior para Educação Agropecuária), na França. Considerando o agro brasileiro dentro da porteira, isso representaria aproximadamente R$ 94,35 bilhões, levando em conta a estimativa mais recente para o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) em 2022. 

Mas muito além do valor em espécie, o papel desses gigantes pequenos insetos é fundamental para a segurança alimentar do planeta. Cerca de 60% dos 191 cultivos destinados à produção de alimentos no Brasil são visitados por polinizadores, em sua maioria abelhas, afirma a BPBES (Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos), entidade ligada à SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Leia mais: Conheça a colmeia robótica que usa inteligência artificial para salvar abelhas

As polinizadoras também são o foco de 101,7 mil estabelecimentos no país. Eles atuam na cadeia da apicultura ou meliponicultura, produzindo importantes itens como mel, pólen, cera, própolis, geleia real e apitoxina, substância utilizada como tratamento de doenças reumáticas, analgésico e cicatrizante. 

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Associações, empresas e entes governamentais têm criado projetos destinados à preservação e criação de colmeias. Neste Dia Mundial das Abelhas, a Forbes separou alguns projetos que procuram conscientizar sobre a importância destes insetos. Conheça:

Bee or not to be

O piloto Paulo Garcia e Daniel Gonçalves, diretor da Bee or not to be, apresentam o avião customizado como abelha
Divulgação

O piloto Paulo Garcia e Daniel Gonçalves, diretor da Bee or not to be, apresentam o avião customizado como abelha

A ONG Bee or not to be, associação civil e sem fins lucrativos criada no Rio Grande do Norte, marcou para hoje, no interior de São Paulo, uma ação com os produtores rurais sobre práticas corretas de pulverização aérea.

Paulo Garcia, piloto de aviões agrícolas há mais de 40 anos, ficou com a missão de fazer um voo em um Air Tractor 402B caracterizado como uma abelha gigante. A aeronave sobrevoará os municípios paulistas de Ribeirão Preto, Sertãozinho e Dumont. 

Além de simbolizar a polinização, a ideia do evento “Deixe a Abelha Voar” é gerar um debate sobre a pulverização que não considera a localização de apiários e/ou colméias. Sem planejamento, as pulverizações podem vitimar centenas de insetos polinizadores, prejudicando a biodiversidade e o próprio agronegócio.

Ligadas às práticas da ONG, dois exemplos mostram que elas dão resultados. Os grupos sucroalcooleiros Pedra, de Serrana, e Balbo, de Sertãozinho, ambos municípios no interior paulista, já realizam a pulverização aérea levando em consideração as coordenadas geográficas de colmeias e apiários próximos de seus canaviais. 

“Estamos confiantes na repercussão positiva desta iniciativa simbólica em relação a algumas datas”, afirma Daniel Gonçalves, diretor da Bee or not to be, citando o aniversário de cinco anos da ONG e de quatro anos do primeiro Dia Mundial das Abelhas. 

Caixas para abelhas urbanas

Abelhas jataí em saída de caixa
André Matos/MBee

As abelhas jataí não possuem ferrão e produzem um mel com sabor e consistência diferentes, ideal para a alta gastronomia

Uma das grandes tendências na meliponicultura são as caixas para abrigar as abelhas sem ferrão destinadas aos espaços urbanos. Sem perigo às pessoas que estiverem próximas às colmeias, as caixas podem abrigar centenas ou até milhares de abelhas em pequenos espaços. Um desses projetos é da Mbee, uma fazenda de Atibaia (SP), que além de vender produtos da apicultura e meliponicultura, instala caixas em restaurantes na cidade de São Paulo (SP), como os badalados DOM e Evvai, para incluir o mel de abelhas nativas na alta gastronomia. 

Na ativa desde 2019, o projeto da fazenda já instalou cerca de 100 caixas de abelhas jataí em bairros como Barra Funda, Vila Madalena e Pinheiros. O mel produzido por este tipo de abelha possui características de sabor e consistência totalmente diferentes daquele produzido pelas abelhas com ferrão, abrindo o leque de possibilidades ao chef que utilizar o ingrediente. 

“As abelhas são muito pouco conhecidas no Brasil. As pessoas foram ensinadas de que elas são um bicho perigoso e não têm ideia de que o país tenha tantos tipos desse inseto”, explica Eugênio Basile, um dos fundadores da Mbee. “O mais importante a se fazer nesta comemoração das abelhas é valorizá-las e entender que a coisa mais importante que elas fazem não é o mel, mas sim a polinização.”

Hotel de abelhas

Caixa de madeira em forma de favo para abrigar abelhas
Divulgação/Bayer

Projeto da Bayer incentiva produtores a instalarem estruturas para abrigar abelhas solitárias

Desde 2019, a Bayer, empresa química e farmacêutica alemã, uma das maiores companhias globais que atua em agricultura e saúde humana, criou o projeto “Hotel de Abelhas”. A ideia é oferecer colmeias a produtores que fazem parte do Impulso, seu programa de benefícios. Há 5.000 caixas disponíveis aos produtores. Com o formato de favo de mel, fabricado em madeira, o objetivo com elas é que os produtores rurais abriguem abelhas solitárias que se desapegam dos enxames e costumam viver em árvores. 

As caixas podem ser instaladas em reservas legais ou nas áreas de preservação permanente da propriedade rural. O hotel ajuda a proteger as abelhas sem ferrão de outras espécies que podem atacá-las e impulsionar sua extinção. Nesses espaços elas ajudam a manter a biodiversidade da fazenda e garantem a polinização das lavouras. 

Jardins de mel  

Três caixas de abelhas sem ferrão em parque de Curitiba
Gilson Abreu/Divulgação/AEN

Caixas de abelhas sem ferrão serão instaladas em parques de 398 municípios do Paraná

A implantação de colméias para abelhas sem ferrão também atrai diversos governos como o do Paraná, o terceiro maior apicultor do país. Por meio do Poliniza Paraná, a Sedest (Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo) está instalando os “Jardins de Mel”, pequenos espaços floridos com cerca de três ou quatro caixas de abelhas sem ferrão,  em parques urbanos de 398 municípios no estado. Além de aumentar a presença das abelhas, responsáveis pela polinização de 90% das plantas brasileiras, o projeto se destina a educar a população. Em geral, as abelhas são temidas por seus ferrões, o que não é o caso das nativas. O projeto já foi iniciado na capital Curitiba, e deve seguir para o interior do estado. A Sedest doará as caixas para cada município, mas as prefeituras ficarão responsáveis pelo investimento da criação da área nos parques e pela manutenção das caixas.

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