RenovaCalc vai incorporar o óleo de palma na rota de biodiesel

Biocombustível pode ter papel estratégico matriz energética brasileira, assim como o etanol, biodiesel, biometano e bioquerosene

Redação
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Afriadi Hikmal_Getty
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Planta vem sendo estudada pela Embrapa há décadas

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A Embrapa Meio Ambiente, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária localizada em Jaguariúna (SP)e seus parceiros, por demanda da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e do setor produtivo de biocombustíveis, anunciaram suas contribuições para a atualização da calculadora que estima a intensidade de carbono de biocombustíveis, chamada RenovaCalc, para expressar de forma adequada a nota de eficiência energético-ambiental (NEEA) do biodiesel de palma no Brasil, no âmbito do programa RenovaBio, política de estado que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano, bioquerosene, segunda geração, entre outros) na matriz energética brasileira.

A pesquisadora Cristina Moore, bolsista de inovação na unidade da Embrapa, desenvolveu o modelo para a obtenção do IP (Inventário de Produção) médio de palma de óleo, usado como base para a definição do IP padrão utilizado na composição da rota do biodiesel de palma na RenovaCalc.

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O projeto foi coordenado pela equipe de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida) da Embrapa. Segundo Cristina, o IP médio foi elaborado a partir da identificação dos principais insumos (sementes pré-germinadas, corretivos de solo, fertilizantes minerais, pesticidas) e operações agrícolas (preparo da área, coveamento, transporte de mudas, entre outras) usadas na produção de palma. Adicionalmente, o consumo de combustíveis e eletricidade na produção do óleo de palma e derivados foram incluídos nos IP da fase industrial. O IP padrão, que representa uma condição de produção de palma de óleo de baixo desempenho, foi definido a partir da penalização dos valores apresentados no IP médio.

Dados médios ou típicos de consumo de insumos agrícolas combustíveis e eletricidade foram obtidos da literatura técnica e científica especializada e da consulta a especialistas da cadeia de produção de palma no Brasil, reunidos no “Workshop para consolidação do inventário do processo de produção de palma de óleo, para inclusão na RenovaCalc”, organizado pela Embrapa Meio Ambiente em 8 de junho de 2021. Os mesmos especialistas orientaram a definição dos fatores e critérios de penalização dos valores típicos para a construção do IP padrão.

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Essa ação de pesquisa faz parte do projeto “Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias para o aprimoramento da RenovaCalc e o fortalecimento do RenovaBio”, financiado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e executado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR/CNPEM). O projeto teve como objetivo identificar, selecionar e priorizar potenciais matérias-primas usadas na produção de biocombustíveis para futura inclusão na RenovaCalc. Nesse contexto, a palma de óleo ou dendê foi indicada como uma biomassa prioritária a ser incluída na calculadora, segundo o estudo “Matérias-primas para produção de biocombustíveis e seu potencial uso na RenovaCalc”, conduzido pela pesquisadora Nilza Ramos.

A cana-energia e o óleo de milho também foram identificados como prioridades num conjunto de 26 matérias-primas pré-selecionadas, tendo seus IP já caraterizados e disponíveis para a inserção na RenovaCalc, tão logo seja oportuno. Segundo a pesquisadora, o setor produtivo sinalizou o interesse de ampliar as matérias-primas cujo perfil de produção é representado na RenovaCalc, o que estimulou a presente pesquisa, que contou com a participação de mais de 123 interessados (certificadoras, consultores, pesquisadores, economistas, docentes, produtores, entre outros).

A analista Anna Leticia Pighinelli relata o quanto o uso de dados específicos da produção de palma e de biodiesel leva a um ganho de qualidade no âmbito do RenovaBio. “Atualmente, na RenovaCalc, quando o produtor informa o uso de óleo de palma para a produção de biodiesel, a pegada de carbono deste óleo considerada para os cálculos é pré-estabelecida por um valor existente na base de dados do Ecoinvent. Não é um valor para o Brasil e pode não refletir corretamente a produção da palma no País. Ao permitirmos que o produtor informe seus dados de produção e de extração do óleo de palma, iremos calcular a pegada de carbono com dados nacionais e mais próximos da realidade dos produtores brasileiros”, explica ela.

Marília Folegatti, também pesquisadora da Embrapa e coordenadora do projeto, comenta que a ANP está empenhando esforços para a inclusão da nova versão da rota de biodiesel no sistema informatizado que abrange a RenovaCalc. “Quando essa solução estiver disponível, será possível expressar o perfil de produção específico da palma de óleo e seus derivados, permitindo ao produtor a orientação de melhorias de processo e a valorização do seu investimento na melhoria do desempenho ambiental”, afirma. (Com Embrapa)

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