Grifes buscam sustentabilidade

Novo perfil de consumidor reconfigura o mercado de luxo.

Giulianna Iodice
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Desfile da Burberry na semana de moda de Londres, em setembro

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Quando a estilista Stella McCartney fundou sua marca, em 2001, não imaginou que um de seus principais pilares – não usar nenhum material de origem animal e se importar com a preservação do meio ambiente – viria a ser mandatório para toda a indústria da moda. Hoje as principais grifes de luxo correm para promover soluções mais sustentáveis em suas cadeias produtivas. A moda, afinal, é a segunda indústria mais poluente do mundo, atrás apenas do petróleo (o poliéster, por exemplo, consome milhões de barris de petróleo e leva séculos para se decompor).

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Os atuais consumidores (como os millennials e a geração Z) querem saber tudo sobre o que lhes é oferecido: a procedência, a forma de produção e como as empresas trabalham para um mundo melhor. Por isso, na metade deste ano, a inglesa Burberry ganhou negativamente os holofotes por suas queimas (literais) de estoques de coleções passadas, para não baixar os preços em eventuais liquidações. A resposta da grife foi um anúncio garantindo que as polêmicas fogueiras de itens caríssimos não vão mais ocorrer – ainda não disseram, no entanto, o que farão com os produtos não vendidos. A francesa Hermès, por exemplo, desde 2013 transforma parte dos restos de tecidos e couros em novos acessórios, identificados pela etiqueta Petit H.

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Bolsa de “vegetarian leather” da Stella McCartney

Outra polêmica que vem mudando a indústria do luxo é o uso de pele animal. Em 2018, várias grifes, como Versace, Gucci, Michael Kors, Burberry, Coach e Tom Ford, anunciaram o fim da prática. O movimento impulsionou grandes e-commerces como Farfetch, Asos e Yoox Net-a-Porter a não incluírem mais itens de pele em suas curadorias. A temporada mais recente da semana de moda de Londres, em setembro, foi totalmente fur-free.

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Grandes grupos, donos das marcas mais conhecidas, mostram aos consumidores o que estão fazendo para mudar. A LVMH lançou em 2016 o projeto Life 2020, que visa reduzir sua pegada de carbono em até 25% em comparação a 2013 (em 2017 havia reduzido em 12%). Para atingir a meta, criou lojas mais sustentáveis, com uso de energia renovável, e passou a fazer entregas sem emissões de gases, com carros elétricos. A Kering, apesar de no início de 2018 ter vendido sua participação de 50% na Stella McCartney para a fundadora, também vem aplicando mudanças nas outras grifes. Desde 2012, o grupo do bilionário François Henri-Pinault disponibiliza o relatório EP&L (Environmental Profit & Loss), que mensura os impactos positivos e negativos de sua produção no meio ambiente. São novos tempos na moda. Melhor assim.

Reportagem publicada na edição 63, lançada em novembro de 2018

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