Na mira dos family offices, finanças sustentáveis devem captar 90% dos portfólios até 2030

Lucky7trader/GettyImages
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Mito de retorno inferior às finanças tradicionais ainda é barreira no Brasil

Os fundos de investimentos com impacto social positivo estão na mira dos family offices e dos investidores de alta renda. Segundo análise da XP Private, 51% deste público está disposto a alocar até metade de suas aplicações em fundos voltados às finanças sustentáveis, que incluem ativos ESG e investimentos de impacto.

Uma das barreiras, no entanto, ainda é a percepção de que impacto positivo anda na contramão do retorno financeiro, o que não é verdade: apenas nos últimos dozes meses, por exemplo, o ETF da FlexShares que segue o Stoxx ESG Impact Index Fund teve rentabilidade de 15,78%, contra 13,99% de performance acumulada do S&P 500 no mesmo período.

De acordo com a head de Sustainable Wealth da XP Private, Marina Cançado, no Brasil, além do mito de que investir com impacto é sinônimo de menor rentabilidade, há ainda outros desafios ao avanço das finanças sustentáveis, como a pouca oferta de fundos e produtos na categoria, bem como a necessidade de mais transparência na classificação dos ativos.

“A agenda ESG está no mercado há quase 20 anos, mas no Brasil é algo ainda bastante novo. Apenas nos últimos meses vimos uma compreensão de que esse é, de fato, o novo normal do mercado financeiro, seja por pressão do capital estrangeiro ou por uma nova geração de investidores que têm essas preocupações e passam a demandar melhores práticas das instituições”, avalia.

Para a especialista, muito além de ativismo, o alinhamento do mercado à agenda ESG é, antes de mais nada, uma prática de gerenciamento de riscos num ambiente em que as ameaças ambientais e sociais são tão ou mais relevantes que os riscos macroeconômicos na gestão de portfólios.

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O desafio de identificar ativos e fundos que realmente tenham impacto no mundo coloca em evidência a figura do gestor. Isso porque a incorporação dos fatores ESG na análise financeira irá acompanhar a filosofia, metodologia e métricas proprietárias de cada fundo ou instituição, ou seja, entender qual o método de escolha dos ativos, qual a cultura do gestor ou instituição financeira são elementos fundamentais para saber se os recursos aplicados estão realmente alinhados a práticas sustentáveis.

Segundo Marina, atualmente 40% dos family offices globais destinam cerca de 30% dos seus patrimônios para as finanças sustentáveis. Para os próximos dez anos, no entanto, a perspectiva é de que 90% destes portfólios esteja alocado no segmento.

Melhor gerenciamento de riscos, maior retorno em longo prazo e o capital a serviço de uma agenda sustentável são, na visão de Marina, um caminho sem volta para o mercado. “O ESG é a rota da transição com impacto positivo. O maior trabalho como sociedade é mudar mindset do ‘ou’ para o mindset ‘e’, em que as duas coisas (rentabilidade e sustentabilidade) são possíveis e oferecem uma vantagem competitiva para as empresas”, avalia.

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