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A lacuna do social no centro do ESG

O momento é propício e a direção dos investimentos estão escancarados para garantir futuro mais brilhante para todos.

Haroldo Rodrigues
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Nuthawut Somsuk/Getty Images
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O surto de Covid-19, agora seguido por manifestações globais pedindo ações contra a injustiça racial e a desigualdade social, impulsionaram o S do ESG ao topo das agendas de empresas e investidores

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Muitos questionam: por que a crise de Covid-19 tem acelerado o mundo? Porque houve uma nova e enorme perturbação econômica global. Em resposta, num espaço curtíssimo espaço de tempo, grandes multinacionais e governos de todo o mundo dedicaram poderosas quantias de dinheiro para contrabalançar os efeitos socioeconômicos da crise.

Isso está acontecendo exatamente quando uma ação urgente deve ser tomada para ajudar a evitar o bloqueio do mundo em mudanças climáticas catastróficas. A primeira prioridade para todos no contexto da Covid-19 deve ser saúde e proteção social, seguida por colocar a economia de volta nos trilhos – mas agora, as medidas devem ser tomadas de modo que sejam consistentes com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

À medida que o mercado financeiro atuou, e continua atuando, na emissão de títulos, observam-se que os grandes temas sociais atuais vêm afetando a qualidade do crédito e impulsionando a emissão de novos títulos sociais.

Ora, a forma como as empresas e os investidores respondem às tais demandas do mercado representa o nível de prioridade para investir, por exemplo, na saúde das pessoas e/ou na recuperação econômica.

Engajar-se para entender e valorizar os fatores sociais nas avaliações de crédito corporativo e investir diretamente em resultados positivos por meio da emissão de títulos sociais são dois caminhos pelos quais os investidores de renda fixa podem agir como parte de uma resposta global à crise atual.

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Mais uma vez, o surto de Covid-19, agora seguido por manifestações globais pedindo ações contra a injustiça racial e a desigualdade social, impulsionaram o S do ESG ao topo das agendas de empresas e investidores.

Vivemos, sem dúvida, o exemplo mais claro da maior crise de sustentabilidade do século 21, onde o mundo constatou a importância da interconexão e interdependência, e ao mesmo tempo, o quanto somos vulneráveis. Há uma exposição e exacerbação dos impactos da desigualdade em muitas regiões. No Brasil, 14 milhões moram em favelas, periferias, comunidades, tribos e territórios explorados por alguns setores explorados pela grande indústria econômica.

E, por que o “S” em ESG é importante? Os E e G dos investimentos ambientais, sociais e de governança costumam receber mais atenção, mas focar no S pode render recompensas e também causar impacto positivo relevante. Pode ser mais difícil de medir, mas é tão importante quanto.

Isso se tornou particularmente evidente no último ano. Veja o impacto que o movimento Black Lives Matter gerou no planeta, tudo aliado à pandemia. Os investidores estão começando a perceber o papel que o investimento deve desempenhar para acabar com o racismo sistêmico, bem como ajudar a promover a igualdade de remuneração, melhor tratamento dos funcionários e igualdade social.

Não à toa acontece um crescimento exponencial de fundos ESG. Dinheiro novo investido em empresas que estão trabalhando em soluções disruptivas para problemas sociais já existentes e que os anos de 2020 e 2021 desnudaram, isso tendo a tecnologia como ferramenta aceleradora de acesso e de desmaterialização.

O S do ESG pode nem sempre ser tão óbvio quanto os outros aspectos do investimento sustentável, mas as empresas cujos produtos e serviços permitem que nossas vidas continuem normais em tempos difíceis estão, é claro, tendo um impacto social positivo.

Mas a crise também destacou quanto trabalho muitas empresas ainda precisam fazer para ter um impacto social positivo. O pessoal da linha de frente, por exemplo, tem sido crucial para manter a economia viva nos últimos meses, mas muitos desses trabalhadores estão entre os mais mal pagos do país.

Ainda há uma lacuna muito grande na agenda social das empresas no Brasil. O senso é de urgência. Há pressa em elaborar um novo acordo social onde se garanta futuro mais brilhante para todos, nos seus territórios de atuação. O momento é propício e a direção dos investimentos estão escancarados.

Os valores éticos são caros e devem ser preservados para superar as forças que minam o ESG como lugar de uso comum – aliás, é intolerável. Sim, devem impulsionar a prosperidade e corrigir a desigualdade e assimetria social. O social no centro do ESG é a agenda.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa do Ceará.

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