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Empreendedores negros têm mais crédito negado, apesar de serem os que mais pedem empréstimos

Estudo feito pelo Sebrae aponta que os afrodescendentes estão mais endividados do que os brancos e registraram as piores perdas de faturamento na pandemia

Mateus Omena
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fizkes/Getty Images
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Pesquisa do Sebrae detectou também que a perda de faturamento foi maior entre empreendedores negros na pandemia

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O Sebrae divulgou recentemente a 11ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nas Micro e Pequenas Empresas, realizada em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), que aponta que os empreendedores negros têm mais crédito negado pelos bancos do que os brancos. 

Enquanto 57% dos brancos que recorrem a um empréstimo conseguem ter uma resposta positiva das instituições financeiras, entre os negros essa proporção cai para 44%. Apesar disso, o número de gestores negros que pediram empréstimos se manteve superior ao de brancos.

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O presidente do Sebrae, Carlos Melles, destaca ainda que os empreendedores negros também estão um pouco mais endividados do que os brancos e que suas perdas de faturamento foram piores. “Enquanto 43% dos negros que são donos de pequenos negócios estão com dívidas e empréstimos atrasados, entre os brancos esse percentual cai para 32%. Essa pode ser uma das justificativas para uma maior recusa de crédito para esse público”, diz.

De acordo com a pesquisa, 81% dos empreendedores negros alegam ter tido perda de faturamento. Já entre os brancos, essa proporção cai para 77%, apesar de ambos os grupos terem tido um valor de redução de vendas muito próximo a 50%. “Os empreendedores negros têm uma menor escolaridade, estão há menos tempo no empreendedorismo, atuam em atividades que não exigem muita qualificação e preparo e 70% são microempreendedores individuais, o que acaba afetando mais fortemente o desempenho desses pequenos negócios”, observa Melles.

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Outro fator que preocupa ainda mais a sobrevivência desse perfil de empreendedores é que 77% dos negros dependem da empresa para sobreviver. Além disso, o rendimento dos últimos 12 meses não foi suficiente para manter os gastos da família para 69% dos entrevistados afrodescendentes. Entre os brancos, os números são um pouco melhores: 65% estão conseguindo se manter apenas com os recursos recebidos da empresa que possuem. Esse dado explica o fato de que 58% dos empreendedores negros estão aflitos com o futuro da empresa, contra 55% dos brancos.

 

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