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Pegada limpa: 6 fashiontechs que oferecem calçados sustentáveis, recicláveis e sem crueldade animal

Negócios reforçam que estilo e ética podem - e devem - andar lado a lado.

Gabriela Del Carmen
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 Andriy Onufriyenko/Getty Images
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Empresas nacionais e internacionais estão se aliando aos pilares ESG para repensar e reformular a cadeia

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Em 2019, a indústria da moda era avaliada em cerca de US$ 2,4 trilhões e empregava mais de 75 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da ONU Meio Ambiente. No entanto, US$ 500 bilhões eram perdidos todos os anos com o descarte de peças em aterros e lixões sem nenhum tipo de reciclagem.

“A moda é responsável por um enorme impacto socioambiental negativo. Por isso, é urgente olharmos de forma mais consciente para a rede produtiva e seus processos”, argumenta Barbara Mattivy, fundadora e CEO da Insecta Shoes.

LEIA TAMBÉM: Moda e sustentabilidade: um encontro inevitável

Para reverter este cenário, empresas nacionais e internacionais estão se aliando aos pilares ESG (social, ambiental e governança) para repensar e reformular a cadeia, desde a extração da matéria-prima e condições de trabalho ao aumento da reciclagem, transparência e reaproveitamento dos materiais.

Os consumidores já começaram a se manifestar. No Brasil, 93% deles consideram marcas com embalagens ambientalmente responsáveis no momento da compra e 73% acreditam que a mudança de hábito se dá pensando nas futuras gerações. Os dados são da pesquisa “Environment Research 2019”, realizada pela Tetra Pak. Apesar da crescente preocupação com as questões ambientais, o levantamento indica que 42% dos consumidores consideram a falta de informação como dificuldade para transformar seus hábitos diários baseados na sustentabilidade.

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Nesse contexto, algumas marcas estão empenhadas em conscientizar a população sobre seus hábitos de consumo e mostrar que estilo e sustentabilidade podem – e devem – andar de mãos dadas. Confira, a seguir, seis negócios nacionais que fabricam calçados ecológicos:

  • Yuool

    “Acreditamos que a sustentabilidade e o ESG não são um diferencial, mas uma obrigação”, diz Eduardo Mendes Rocha, sócio-fundador da Yuool. A empresa foi criada no final de 2017 e oferece calçados com design genderless (moda sem gênero) e minimalista para todo o Brasil. Conhecida como a “queridinha dos faria limers”, a marca atrai profissionais do mercado financeiro, advogados e empreendedores, por seus sapatos tecnológicos feitos de lã merino, que promete estilo e isolamento térmico.

    De acordo com Rocha, os moldes dos tênis são feitos com bagaço da cana-de-açúcar e as caixas de entrega com papelão reciclado. Além disso, a Yuool possui o selo Nativa Precious Fiber, certificado mundial para produtores de lã baseado nos pilares de rastreabilidade, sustentabilidade, bem-estar animal e responsabilidade social corporativa. “Conseguimos criar peças que podem ser usadas por mais tempo e nas mais diversas situações. Ao aumentar o tempo e as ocasiões de uso do produto, geramos menos lixo desnecessário.”

    Em 2019, a Loft, plataforma brasileira de venda, reforma e aluguel de imóveis, encomendou 400 pares de tênis personalizados com o logo e as cores da empresa para seus funcionários. No ano seguinte, foram mais de 5.000 pares encomendados, vendidos para empresas como Nubank, XP Investimentos e Banco Inter.

    Em 2021, a empresa investiu mais de R$ 1 milhão no desenvolvimento de novos produtos. A linha Home Office, por exemplo, oferece chinelos estilosos e, ao mesmo tempo, confortáveis, para quem trabalha em casa e deseja continuar bem-vestido, até mesmo para fazer pequenos trajetos na rua, como pegar o delivery ou ir ao supermercado.

    Com exclusividade à Forbes, a Yuool revelou que, em apenas 24 horas após a apresentação dos calçados, a linha gerou um faturamento acima de R$ 100 mil. A coleção Home Office rendeu à empresa a melhor semana de vendas de sua história, com R$ 279 mil de faturamento e mais de 1.000 pares vendidos. Até o final do ano, a marca tem a expectativa de dobrar o faturamento do ano passado, de R$ 7 milhões para R$ 14 milhões.

    Divulgação
  • Insecta Shoes

    Idealizada por Barbara Mattivy, a marca surgiu em 2014 do desejo de fazer o upcycling de roupas vintage para criar sapatos veganos coloridos, criativos e ecológicos. O conceito caracteriza a prática de reutilizar, de forma criativa, produtos que seriam descartados, dando-lhes uma nova função, diferente daquela para a qual haviam sido inicialmente projetados, sem prejudicar sua qualidade. “Queremos desmistificar a ideia de que um produto ecológico não pode ser bonito. Ecosexy é o termo que criamos para descrever a união da ética e da estética. Fazemos produtos com impacto visual, social e ambiental”, diz Barbara.

    Os calçados são todos fabricados no Brasil, feitos com materiais reutilizados ou reciclados, como garrafas PET, retalhos de tecido, borrachas reaproveitadas e excedentes da indústria calçadista, sem nenhuma matéria-prima de origem animal. Segundo a empresa, a técnica para estampar o tecido dos sapatos é a da sublimação, que prevê pouca quantidade de água durante o procedimento e utiliza tintas à base d’água, sem solventes químicos.

    Nos primeiros cinco anos de operação, a Insecta registrou 28.134 pares produzidos, mais de 20 mil garrafas pet recicladas e 2.194 metros de tecidos reaproveitados. A marca realiza entregas para todas as regiões do Brasil, possui lojas em São Paulo e Porto Alegre e pontos de venda em Minas Gerais, Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Espanha. Os modelos disponíveis variam entre botas, sandálias, chinelos, sapatilhas, pantufas e tênis, com estampas exclusivas e numerações do 33 ao 45.

    Divulgação
  • Linus

    Em 2018, após um diagnóstico de frouxidão ligamentar, Isabela Chusid foi orientada a usar calçados com curvas de apoio para os pés, que dessem melhor sustentação às pisadas. No entanto, a empreendedora não encontrava sandálias versáteis, bonitas e, ao mesmo tempo, ortopedicamente adequadas.

    Assim surgiu a Linus. Uma marca de lifestyle criada a partir de três pilares: conforto, atemporalidade e sustentabilidade. A marca desenvolve sandálias veganas de plástico, projetadas por designers, engenheiros de material, ortopedistas e especialistas em palmilhas. Os calçados são minimalistas, livres de metais pesados, feitos com materiais recicláveis e 100% de origem vegetal.

    No último ano, o faturamento da empresa saltou 700%. Isabela enxerga o crescimento como resultado do estímulo ao consumo consciente e sustentável durante a pandemia e o aumento de vendas online em busca de calçados bonitos e confortáveis para ficar em casa. O sucesso nas vendas fez com que a marca – que já conta com uma loja física em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, e realiza entregas via e-commerce para todo o Brasil – exportasse também para Portugal e Estados Unidos.

    Para a empreendedora, os próximos passos são expandir as vendas internacionais, manter o ritmo de crescimento em solo nacional e tornar a Linus reconhecida não só como uma marca de calçados, mas de lifestyle sustentável. “Queremos facilitar escolhas conscientes e tornar a caminhada das pessoas mais responsável, sem comprometer o futuro de quem está por vir”, conclui.

    Divulgação
  • Ahimsa

    Fundada em 2013 por Gabriel Silva, a Ahimsa oferece calçados artesanais sustentáveis e livres de crueldade animal. Com opções femininas, masculinas e unissex, a marca oferece botas, tênis, sandálias, mocassim e calçados sociais, todos produzidos em sua própria fábrica, localizada na cidade de Franca (SP).

    Além de algodão e garrafas PET reciclados, os calçados são produzidos com o vegan leather (couro vegano, em português). Também conhecido como couro sintético, o material é feito à base de poliuretano (PU) e não utiliza pele animal. “Queremos provar que o uso de couro animal é totalmente desnecessário, inclusive no seu visual”, diz a marca, em seu site oficial. Com o vegan leather, a Ahimsa desenvolveu calçados formais visualmente atraentes, ideais para o ambiente corporativo.

    As vendas são feitas via e-commerce, com entregas para todo o Brasil. Internacionalmente, é possível encontrar os calçados da marca em lojas na Alemanha, Austrália, Áustria, Inglaterra, Portugal, Itália, Bélgica, Canadá, Uruguai e Estados Unidos.

    Reprodução/Instagram
  • Urban Flowers

    Sediada em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, a marca se posiciona contra qualquer forma de exploração animal. Os calçados são fabricados à mão, com solado de borracha reciclada, cadarço de algodão, palmilha seca com óleo essencial de bétula doce e melaleuca e tecido de garrafa PET e algodão reciclado ou excedente da indústria.

    Criada no modelo slow fashion, a empresa preza pela diversidade, promove a consciência socioambiental e mantém a produção entre pequena e média escalas. Para evitar o desperdício com o estoque, a produção é feita sob demanda, em ambiente familiar. A marca possui os selos da PETA, ONG internacional que luta pelo direito dos animais, e EuReciclo, que faz a compensação ambiental das embalagens, remunerando as instituições que têm como ofício a reciclagem. As entregas são feitas para todo o Brasil.

    Reprodução/Instagram
  • Misci

    O Under 30 Airon Martin é o fundador da Misci, que desenvolve roupas, acessórios, cachaça e itens mobiliários. Embora não esteja exclusivamente focada em calçados, a marca de design acaba de lançar uma coleção de olho nos modelos sustentáveis.

    A aposta mais recente é uma sandália biorenovável, desenvolvida com termoplástico à base de borracha natural. Para o produto, criado em colaboração com a indústria química Therpol, Martin buscou o tom natural da borracha da seringueira com pó de serra das madeiras de reflorestamento.

    A coleção foi apresentada na 51a edição do SPFW (São Paulo Fashion Week), em junho. Para a semana da moda, a proposta da Misci era materializar, através do design, as aspirações e perspectivas de quem sai de casa em busca dos sonhos. Segundo o designer, a apresentação fazia uma leitura do Brasil e de uma indústria decadente de governos que não reconhece o potencial da indústria criativa brasileira.

    Divulgação

Yuool

“Acreditamos que a sustentabilidade e o ESG não são um diferencial, mas uma obrigação”, diz Eduardo Mendes Rocha, sócio-fundador da Yuool. A empresa foi criada no final de 2017 e oferece calçados com design genderless (moda sem gênero) e minimalista para todo o Brasil. Conhecida como a “queridinha dos faria limers”, a marca atrai profissionais do mercado financeiro, advogados e empreendedores, por seus sapatos tecnológicos feitos de lã merino, que promete estilo e isolamento térmico.

De acordo com Rocha, os moldes dos tênis são feitos com bagaço da cana-de-açúcar e as caixas de entrega com papelão reciclado. Além disso, a Yuool possui o selo Nativa Precious Fiber, certificado mundial para produtores de lã baseado nos pilares de rastreabilidade, sustentabilidade, bem-estar animal e responsabilidade social corporativa. “Conseguimos criar peças que podem ser usadas por mais tempo e nas mais diversas situações. Ao aumentar o tempo e as ocasiões de uso do produto, geramos menos lixo desnecessário.”

Em 2019, a Loft, plataforma brasileira de venda, reforma e aluguel de imóveis, encomendou 400 pares de tênis personalizados com o logo e as cores da empresa para seus funcionários. No ano seguinte, foram mais de 5.000 pares encomendados, vendidos para empresas como Nubank, XP Investimentos e Banco Inter.

Em 2021, a empresa investiu mais de R$ 1 milhão no desenvolvimento de novos produtos. A linha Home Office, por exemplo, oferece chinelos estilosos e, ao mesmo tempo, confortáveis, para quem trabalha em casa e deseja continuar bem-vestido, até mesmo para fazer pequenos trajetos na rua, como pegar o delivery ou ir ao supermercado.

Com exclusividade à Forbes, a Yuool revelou que, em apenas 24 horas após a apresentação dos calçados, a linha gerou um faturamento acima de R$ 100 mil. A coleção Home Office rendeu à empresa a melhor semana de vendas de sua história, com R$ 279 mil de faturamento e mais de 1.000 pares vendidos. Até o final do ano, a marca tem a expectativa de dobrar o faturamento do ano passado, de R$ 7 milhões para R$ 14 milhões.

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