Especial ESG: Magalu

Diversidade e inclusão são metas prioritárias na empresa, que em 2020 lançou um programa de trainee exclusivo para negros.

Mariana Weber
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Fred Trajano, CEO Magalu

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Fred Trajano, CEO do Magalu, compara as empresas hoje a restaurantes de cozinha aberta. “Não basta servir uma comida gostosa, porque as pessoas conseguem saber como essa comida é feita, se quem trabalha nela está feliz”, diz. “Deixar de fazer o errado ou mitigar os impactos não basta: temos que ser intencionais, vocais na nossa determinação de fazer o certo porque acreditamos que essa é a única opção válida na construção de uma sociedade mais justa e mais humana. A palavra convence, mas o exemplo arrasta.”

Em 2020, uma ação afirmativa do Magalu ganhou destaque: a realização de um programa de trainees exclusivo para negros. Houve críticas e até tentativas de barrar a iniciativa judicialmente, mas também manifestações de apoio e um recorde de inscrições.

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Para definir quais as iniciativas mais efetivas a serem tomadas da porta para dentro, a partir de junho o Magalu deve fazer um censo interno entre seus mais de 40 mil funcionários. “É um processo importante para concretizar algumas metas definidas para este ano relacionadas a diversidade, como as relativas a negros e mulheres em liderança”, diz Ana Luiza Herzog, gerente de reputação e sustentabilidade do Magalu. Em 2019, a empresa já tinha feito um levantamento com 13 mil colaboradores que mostrou que 90% deles a consideravam diversa e inclusiva – mas que poderia avançar mais. “Vimos que o Magalu é um microcosmo da sociedade brasileira, com funcionários de diferentes níveis e graus de instrução, e também da diversidade brasileira. Somos uma empresa formada majoritariamente por negros, entre pardos e pretos; temos uma quantidade significativa de profissionais LGBTQI+; temos pessoas com deficiência, temos 49% de mulheres.” (No conselho de administração, são três mulheres e quatro homens.)

Quando vieram as restrições devido à pandemia, o Magalu tomou a decisão de não demitir nenhum funcionário – apesar de todas as lojas terem sido fechadas em março de 2020. Também ofereceu complementação parcial de salários reduzidos pelo uso da MP que flexibilizou regras trabalhistas, aumento do cheque-mãe para funcionárias, implementação de telemedicina e apoio psicológico.

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Da porta para fora, investiu na integração de pequenos empreendedores ao marketplace, com esforços de comunicação e taxas especiais de comissões. “Temos testemunhos de pessoas que estavam à mercê da falência e de um momento para outro digitalizaram seus pequenos negócios”, diz Ana Luiza. Outra medida foi oferecer frete grátis para itens ligados diretamente à Covid-19, como máscaras e álcool gel. A empresa e as famílias controladoras, Trajano e Garcia, também anunciaram a doação de R$ 50 milhões. Distribuídos por um comitê, os recursos têm sido usados para comprar de cestas básicas a respiradores.

Por causa do aumento de casos de violência contra a mulher no período de isolamento, aprimorou-se um botão de denúncia que já existe no app do Magalu desde 2019 — agora é possível fazer contato com o 190 ou pedir socorro por chat, sem precisar telefonar. Foi criado um fundo de R$ 2,6 milhões para ações nessa área.

As atenções têm se voltado também para as questões ambientais. Ano passado, o Magalu pela primeira vez tornou público seu inventário de emissões. “Precisamos repensar nossa forma de fazer as coisas, questionar nossos hábitos e comportamentos e não ter medo de abandonar o que já não nos serve. Respeitando o legado, é claro”, diz Fred Trajano. “A sociedade mudou. Práticas antes aceitas, como discriminação racial, assédio ou subestimar os impactos e riscos das mudanças climáticas, não cabem numa organização séria.”

Reportagem publicada na edição 87, lançada em maio de 2021.

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