Especial ESG: Suzano

Como a empresa faz do eucalipto uma ponte verde para cumprir seu papel junto às comunidades.

Vera Ondei
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Victor Affaro
Victor Affaro

Camila Nogueira, Christian Orglmeister, Walter Schalka, Marcela Porto e Cristiano de Oliveira (em pé); Marcelo Bacci e Pablo Machado (sentados), da Suzano

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A imagem que abre esta matéria mostra o engenheiro Walter Schalka com outros executivos da Suzano. É o time que dá suporte imediato a Schalka, presidente há quase nove anos de uma das maiores indústrias brasileiras de base florestal a partir do eucalipto. Para ele, na gestão baseada em princípios ESG a vida acontece em comunidade. “Não existe nada na organização que seja fruto do trabalho de uma única pessoa.”

A Suzano tem um parque instalado para processar 12,3 milhões de toneladas de celulose e papéis por ano, distribuídos em dez municípios. Na base florestal estão cerca de 1,3 milhão de hectares de floresta plantada e 900 mil hectares de áreas de vegetação preservadas. “Somos uma empresa carbono negativo. No ano passado, sequestramos 15 milhões de toneladas a mais do que emitimos, o que é muito bom para o meio ambiente”, comemora Schalka. “Mas mesmo a Suzano deve ter meta de ser mais. Todo mundo tem de fazer mais.”

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Além de estar no índice da B3, em novembro do ano passado a empresa foi selecionada para integrar a carteira 2020-2021 do DJSI Emerging Markets (Índice Dow Jones de Sustentabilidade – Mercados Emergentes). Só outras dez companhias brasileiras fazem parte das novas carteiras que compõem esse índice.

Schalka diz que em questões de ESG há três focos muito claros: mudanças climáticas, inserção social e econômica de comunidades onde a Suzano atua e inclusão de minorias nos processos de liderança. “A Suzano tem ESG há décadas. É que os nomes para essas práticas foram mudando ao longo do tempo”, afirma. “O que cresceu muito nos últimos dois anos foi o ambiental.”

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A empresa tem metas ambiciosas além de processar florestas. Por exemplo, tirar 10 milhões de toneladas de plásticos de seu sistema produtivo até 2030. Segundo o executivo, acabou a antiga percepção de que as empresas tinham de se voltar para dentro e ganhar produtividade e eficiência. “Nós temos que continuar fazendo isso, mas não só. Também devemos ser transformadores do panorama social local.”

Duas são as metas colocadas como de responsabilidade interna: gerar renda para não funcionários e apostar na diversidade. “Não é filantropia, o que é maravilhoso mas não resolve o problema estrutural do país. Vamos contribuir para tirar 200 mil pessoas da pobreza e colocar educação para a próxima geração, aumentando em 40% a nota escolar das crianças nas comunidades onde atuamos”, diz Schalka (são cerca de 100 mil crianças). Sobre a geração de renda, dá como exemplo o Programa Colmeias, de produção de mel nas áreas de cultivo de eucalipto. Um dos polos fica no município de Mucuri (BA), onde 77 apicultores colheram entre janeiro e abril 15,4 toneladas de mel com apoio técnico da empresa. “Minha ideia é exportar esse mel, porque nós estamos hoje em quase 100 países. Isso vai aumentando a renda da comunidade”, afirma o CEO. “Isso vale para esta geração, mas a gente não deseja que a próxima geração viva só de mel, e para isso ela precisa de qualificação.”

No caso da inclusão de minorias, a empresa vem estruturando maior participação de mulheres e negros. “Até 2025 teremos 30% da liderança entre mulheres e negros”, afirma Schalka. Ele diz que no caso das mulheres o programa tem evoluído bastante, mas admite dificuldade no caso dos negros. “Há um problema histórico de formação educacional, e estamos trabalhando para detectar por que não evoluímos adequadamente.” Uma das saídas já encontradas é mudar o perfil de busca, identificar talentos e qualificá-los. Para o “capitão” Schalka, não há impasse que sua equipe não possa resolver.

Reportagem publicada na edição 87, lançada em maio de 2021.

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