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Banco Interamericano de Desenvolvimento e Embrapa vão fomentar turismo em paisagens alimentares

Em Alagoas, Sergipe e Pernambuco, o projeto oferece suporte tecnológico e visibilidade social para produtores das regiões.

Redação
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Fernanda Muniz Bez Birolo
Fernanda Muniz Bez Birolo

Com foco em três estados – Alagoas, Sergipe e Pernambuco –, a iniciativa deve oferecer suporte tecnológico e visibilidade social para produtores agroalimentares

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“As paisagens alimentares possibilitam um turismo de experiência em que a culinária, a história, a tradição, o território, os ingredientes e os sistemas agrícolas compõem um cenário único, rico de singularidades, permitindo aos consumidores encontrarem produtos diferenciados”, diz Aluísio Goulart, coordenador de um projeto do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para o fomento do turismo em paisagens alimentares no Nordeste do Brasil.

Com foco em três estados – Alagoas, Sergipe e Pernambuco –, a iniciativa deve oferecer suporte tecnológico e visibilidade social para produtores agroalimentares das regiões ajudadas. Tudo isso, é claro, para desenvolver um turismo que sofreu durante a pandemia e luta para se recuperar da crise. A cooperação entre Embrapa e BID visa, pretende desenvolver e implementar estratégias e ações para a retomada do turismo nordestino, a partir de novos produtos turísticos inseridos em roteiros gastronômicos e a participação ativa de atores integrantes de paisagens alimentares nos estados que integram o projeto.

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Só para se ter noção da importância do setor turístico, em 2018 ele alcançou um dos maiores índices de crescimento econômico em nível global, movimentando 1,4 bilhão de turistas e mais de US$ 1,7 trilhão de lucro global. De acordo com a OMT (Organização Mundial do Turismo), em 2020, o setor pode ter sofrido perdas entre US$ 910 bilhões e US$ 1,2 trilhão em receitas, colocando em risco entre 100 milhões e 120 milhões de empregos diretos.

“As relações econômicas que acabam se constituindo neste contexto permitem o surgimento e o crescimento de outros segmentos além da agricultura, como aqueles relacionados à gastronomia, cozinha regional e socialização em torno da alimentação”, completa Goulart. “Desta forma, a iniciativa representa uma oportunidade para a diversificação da atividade rural e geração de emprego e renda no campo e nas cidades, o que pode ser materializado, por exemplo, por meio de roteiros gastronômicos.”

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Segundo João Flávio Veloso, chefe-geral do centro de pesquisa da estatal do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), localizado em Maceió, capital alagoana, embora as tratativas com o BID tenham sido iniciadas há mais de dois anos, foi a pandemia que impulsionou e acelerou o lançamento da iniciativa, que pode ser benéfica para o turismo brasileiro como um todo. A produção documental oriunda do projeto, por exemplo, servirá de orientação para a realização de iniciativas similares em outras regiões do país. “O projeto terá uma duração de 24 meses, tão logo a primeira parcela dos recursos seja liberada”, explica.

O projeto foi elaborado, passo a passo, contando com acompanhamento técnico do próprio BID. A ideia é que os objetivos estabelecidos possam atender algumas das áreas prioritárias de intervenção do banco, como inclusão socioprodutiva, equidade, produtividade, inovação, integração econômica, mudanças climáticas e sustentabilidade ambiental.

“O diferencial do projeto está na proposição de soluções alinhadas à multifuncionalidade da agricultura e às questões sensíveis, como mudanças climáticas e estratégias para a retomada das atividades econômicas no pós-pandemia. As soluções apresentadas pela Embrapa e parceiros devem ser pautadas em fatores como a mudança de comportamento dos turistas e o posicionamento do setor frente às emergências globais relacionadas, principalmente, à saúde e às alterações climáticas”, detalha Ricardo Elesbão, pesquisador e chefe-adjunto de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Embrapa Alimentos e Territórios.

A busca por produtos mais sustentáveis pode ser um bom exemplo de tendência adotada pelo público consumidor. “O projeto, então, vai investir no fortalecimento dos nexos entre alimento-território-gastronomia, resultando em alterações importantes nos meios de produção, para que se adequem às novas demandas, cada vez mais exigentes por produtos desenvolvidos com essa preocupação coletiva”, explica Elesbão.

Defender esse tipo de diversidade agroalimentar e biológica, segundo os pesquisadores envolvidos na cooperação fomentada pelo BID, também deverá contribuir em processos de mitigação dos impactos danosos atuais produzidos pelas mudanças climáticas, através da diminuição de emissões de CO2, por exemplo.

“O desenvolvimento do turismo sustentável, no âmbito das paisagens, permitirá ainda promover e fortalecer a inclusão social, ao oferecer alternativas de emprego e diversificação das fontes de renda para a população do meio rural, que é impactada com mais força se comparada com a de áreas turísticas urbanas, já estabelecidas”, afirma Goulart.

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