Por que investir ESG no desperdício de alimentos? Porque comida é dinheiro, não é lixo

Com a desigualdade alimentar e as mudanças climáticas na mente de todos, reduzir o desperdício de alimentos é mais importante do que nunca.

Haroldo Rodrigues
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 Capelle.r/Getty Images
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Investir na redução do desperdício de alimentos pode ajudar o negócio a ganhar mais dinheiro

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O vídeo que mostra pessoas avançando em um caminhão de lixo num bairro nobre de Fortaleza, em busca de comida, é impactante. Especialistas apontam problemas de logística reversa do supermercado, permitindo o descarte incorreto de produtos fora da validade, como a razão para uma cena tão lamentável. Em tempo, o supermercado faz parte de um dos maiores grupos com capital aberto no Brasil e apresenta a sustentabilidade como eixo para o desenvolvimento do seu negócio.

Ou seja, a comida era descartada pelo supermercado indo direto para o caminhão de lixo. De acordo com o que foi anunciado, funcionários do supermercado relataram a busca por comidas vencidas e descartadas por pessoas que vivem em favelas próximas. “É isso aí que você vê no vídeo. Faz pena ver essas pessoas nessa situação humilhante. São idosos e até crianças, algumas vezes. As crianças chegam a entrar no caminhão. Os próprios lixeiros ficam sensibilizados. Alguns chegam até a ajudar”, disse.

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O desperdício de alimentos é um problema crescente em todo o mundo. Estima-se que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados globalmente, 40% dos quais vêm de restaurantes e outras empresas alimentícias. Os aterros sanitários estão transbordando de alimentos que poderiam ter sido reaproveitados, doados ou compostados.

Com a desigualdade alimentar e as mudanças climáticas na mente de todos, reduzir o desperdício de alimentos é mais importante do que nunca.

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Como o desperdício de alimentos prejudica o meio ambiente?

O manuseio incorreto de restos de alimentos contribui para a mudança climática, quando os alimentos são enviados para aterros sanitários, eles se decompõem e produzem metano, um gás de efeito estufa 25 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono.

Não é apenas o metano gerado pelo desperdício de alimentos que deve ser considerado, mas também os recursos usados ​​(por exemplo, água) e os gases de efeito estufa emitidos em cada estágio da cadeia de abastecimento alimentar, desde a colheita e processamento até o transporte dos alimentos. Restos de comida em decomposição em aterros sanitários também podem contaminar as águas subterrâneas e superficiais.

Investir na redução do desperdício de alimentos pode ajudar o negócio a ganhar mais dinheiro. Em alguns casos, muito mais dinheiro.

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O investimento ESG tem esse valor ético. O lixo tem que ser percebido como riqueza social, lixo é matriz de transformação para gerar riqueza no bolso da população e não insumo na mesa. Parece-me que o grupo proprietário do supermercado que fora referido no início do texto, de fato, não incorporou esse valor em seu investimento.

Não é necessária uma coalizão de cientistas e empresários para entender que você economizará dinheiro se reduzir o desperdício de alimentos na sua casa, no seu supermercado ou no seu restaurante, por exemplo.

O abastecimento de alimentos é um dos maiores custos, senão o maior, para qualquer negócio da cadeia de alimentos. Se o seu produto é comida, então comida vale tanto quanto dinheiro.

Assim como você controla suas finanças, é importante monitorar o uso e o desperdício de alimentos.

De acordo com Champion Michael La Cour, ex-Diretor Executivo da IKEA Food Services AB, a redução do desperdício de alimentos está associada à redução de custos. Vemos o combate ao desperdício de alimentos não apenas como uma oportunidade de criar um mundo melhor, mas também como uma grande oportunidade de negócios.

O fato é que a empresa errou. Erro não tão elementar para uma empresa comprometida com a sustentabilidade.

Porém, o episódio parece ser um bom momento para a empresa investir em ESG com o compromisso de fazer uma mudança positiva. Investir contra o desperdício de alimentos por meio de resgate de alimentos, programas de educação e trabalho de sustentabilidade devem de fato ser o impacto positivo dos investimentos ESG na cadeia do varejo alimentar. Até porque comida é dinheiro, não é lixo.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Ceará.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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