Patriciana Rodrigues, da Pague Menos: "Vamos pôr mulheres e pretos na alta gestão"

Presidente do conselho da rede, a herdeira quer promover a diversidade para incentivar inovação e reter talentos.

Fabiana Corrêa
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Presidente do conselho da rede de farmácias, a executiva lidera a agenda ESG, em seu segundo ano

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Desde 2016, quando iniciou seu processo de profissionalização com a entrada do fundo General Atlantic na empresa, até então familiar, a rede de farmácias Pague Menos, a terceira no Brasil, vem mostrando que quer se manter atual, apesar dos 41 anos. Patriciana Rodrigues, que era uma menina quando seu pai, Deusmar Queirós, abriu a primeira loja, começou no caixa, subiu na hierarquia e hoje é presidente do conselho de administração, onde divide a mesa com mais duas mulheres – dos nove membros do board, entre elas sua irmã Rosilândia.

Assim como seu irmão, Mario Queirós, CEO do grupo, Patriciana estava ao lado do pai e do netinho de um ano, ao anunciar o IPO da companhia em 2020, na B3. Na semana passada, foi ela também quem anunciou agenda de ESG da empresa, que está em seu segundo ano. Nela, há metas para 2022, 2025 e 2030, que incluem ter mais mulheres e pretos na liderança e atendimento gratuito a comunidades carentes, além de um trabalho de disseminação de informação de saúde e exames para a população de baixa renda. Aqui, a executiva cearense fala da importância dessas metas em promover a inovação e reter talentos.

Forbes: As redes de varejo são uma porta de entrada para pretos e mulheres no mercado de trabalho, mas nem sempre esses profissionais conseguem ascender. Como a Pague Menos pretende abrir esse espaço?

Patriciana Rodrigues: Hoje, mais de 50% do nosso quadro são mulheres. Se for falar de mulher com algum cargo de liderança, com algum subordinado, também é 50%, mas nossa grande ambição é colocá-las nos cargos de alta gestão. Elas ocupam 35% desses cargos e a gente quer dar um salto para 50% . Quando falamos de pretos, e nisso não incluímos [os auto-declarados] pardos, são 8% nas lideranças de qualquer nível. O plano é chegar em 30% até 2030. E esse é um tema liderado pelo conselho e por mim. Queremos engajar todo o time, não só alguns executivos, mas toda a cultura da empresa porque acredito que essa pluralidade é o que vai perpetuar nosso histórico de inovação.

F: E isso acaba funcionando na atração de talentos para a empresa?
PR: No momento em que temos um compromisso em criar um ambiente propício para inovação, a gente consegue atrair novas gerações, que estão atentas a empresas com esse propósito. A B3 instituiu um índice junto com o Great Place to Work (GPTW) com apenas 44 empresas. A Pague Menos é a única do mercado farmacêutico que está dentro.

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F: Você foi eleita presidente do conselho e está lá com mais duas mulheres. Como impulsionar mulheres a subir?

PR: Eu fico muito feliz por ser uma mulher num cargo importante e liderar pautas que eu entendo como prioritárias, de não ser solitária nisso, né? Porque eu podia estar levantando essa bandeira sozinha. Quando fazemos promoções internas, é notório que mulheres extremamente preparadas para aquele cargo ficam receosas de tentar, enquanto homens que nem têm todos os atributos se candidatam. Está na hora da gente tentar, mesmo que não estejamos 100% preparadas. Eu sou muito religiosa e acredito que Deus não escolhe os capacitados, mas ele capacita os escolhidos. Se você ainda não está 100% preparada, vá! É isso o que digo para as mulheres. Não é por força de uma cultura machista que você só vai tentar subir quando achar que tem 110% dos pré-requisitos.

F: Como é que se promove a Inovação em uma empresa familiar quarentona e que pertence a um mercado tradicional?

PR: Desde da criação, a Pague Menos tem um espírito disruptivo. Muito antes do Banco Central desenvolver o modelo de correspondente bancário, nós já fazíamos a operação de pagamento de conta de água, luz e telefone nos idos dos anos 90. A gente vende ingressos para shows, vale transporte, nós trouxemos o conceito do autosserviço. Agora, queremos fazer das farmácias um hub de saúde. Estamos estabelecendo o consultório farmacêutico, com exames laboratoriais, testes, vacinas. E com a presença do farmacêutico, que pode fazer muita coisa em casos simples e de fácil solução. Hoje não podemos ter médicos dentro das farmácias, mas pode ser que, mais adiante, com o advento da tecnologia, eles possam atender por meio da telemedicina.

F: Um dos pilares da agenda é o de cuidar das pessoas, da comunidade. E a gente está em um país em que tem muita automedicação. Como é que a empresa lida com essa questão?
PR: A gente tem dois grandes sérios problemas nesse sentido. A automedicação é um deles. O outro é a não adesão ao tratamento prescrito. Se por um lado tem gente que toma remédio sem o médico receitar, por outro lado, quando o médico prescreve, a pessoa não faz o tratamento completo. A gente percebeu que a informação na área de saúde é uma coisa que faz com o cliente volte, então decidimos nos colocar como um agente que dissemina informações de credibilidade. Há 15 anos criamos uma plataforma de conteúdo na área de saúde com um programa de TV aberta semanal. São coisas básicas que fazem a diferença, pois uma parte da população não compreende uma bula ou uma receita. Então usamos uma linguagem inclusiva.

F: Você falou em informação. O Brasil está em um momento em que as notícias falsas sobre saúde dominam a internet. Como vocês têm se colocado nesse cenário?
PR: Infelizmente o que está acontecendo é de extrema crueldade, porque muitas pessoas não vão conseguir esclarecer se aquela informação é fato ou é fake. Por isso temos sempre médicos falando em nossas plataformas. É só o profissional da área de saúde que pode ser o porta-voz dos nossos conteúdos. Essa bandeira é uma frente de atuação que pertence ao nosso negócio.

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